10 fevereiro 2006

Capitulação

Depois dos dinamarqueses, também os editores da Noruega sucumbiram à pressão e imploraram o perdão dos torquemadas muçulmanos.

Mas como criticar estas pessoas, que estão ameaçadas de morte, se as mesmas assistem diariamente os líderes das amedrontadas democracias ocidentais a humilharem-se e a justificar o terror do fanatismo islâmico?

09 fevereiro 2006

Invertebrados

Vitalino Canas, porta-voz do Partido Socialista, ao comparar hoje na Assembléia da República os cartoonistas aos radicais islâmicos, mostrou que a presença de invertebrados não é um exclusivo do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Imprescindível

«Mais vale verdes do que mortos» por Pacheco Pereira

Como Uma Liberdade

Uma iniciativa de Tiago Barbosa Ribeiro e Rui Bebiano.

08 fevereiro 2006

Diplomatas?

É triste constatar que num momento em que a Dinamarca e os dinamarqueses estão acossados pelo fascismo de turbante e por uma onda de ódio e violência ímpar, encontram nos seus parceiros comunitários não apoio e solidariedade, mas críticas e insultos de diplomatas desta espécie.

O Grande Inquisidor



«A liberdade sem limites não é liberdade, mas licenciosidade.»

Diogo Freitas do Amaral








NÃO FALA EM MEU NOME


07 fevereiro 2006

Portugal de Joelhos

O inacreditável comunicado de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o caso dos cartoons, veio apenas confirmar o que há vários dias se adivinhava: De forma pusilânime e vexatória Portugal coloca-se ao lado da intolerância, da violência e do obscurantismo. De uma figura como Diogo Freitas do Amaral já nada pode surpreender. Tornou-se ele próprio uma triste caricatura .

De um chefe de Governo como José Sócrates é que se esperava mais coragem, responsabilidade e solidariedade para com um parceiro democrático como é a Dinamarca e acima de tudo mais respeito pelos valores da Liberdade e do Direito. Um a um, os líderes europeus vão caindo de joelhos e já pouco falta para rastejarem e implorarem perdão ao fundamentalismo. Não tarda e ainda expulsam os dinamarqueses da Comunidade Européia.

A chantagem da violência e do terror ganhou mais uma.

E a procissão ainda vai no adro...

Salo Flohr Segundo Hobsbawn

«(...)Um personagem cinzento da região dos Cárpatos, um tal Salo Flohr esmagado pelo facto de Alekhine se ter recusado a aceitar o seu desafio de pôr em jogo frente a ele o seu título de campeão mundial de xadrez, costumava entregar-se a esse desporto com o tio Sidney, enquanto esperava poder vir a viajar para Moscovo para fazer frente ao campeão soviético Mikhail Botvinik. Flohr nunca conseguiria ser o número um, mas viria a ser uma figura conhecida no mundo do xadrez soviético e, provavelmente, um dos poucos casos em que a emigração para a Rússia de Estaline nos anos 30 não se saldaria por um desastre.(...)»

(HOBSBAWM, Eric, Tempos Interessantes, Porto, Campo das Letras, 2005.)




Salo Flohr (1908-1983) durante uma simultânea.

05 fevereiro 2006

Cedência

Logo após os atentados de 7 de Julho em Londres, o governo de Tony Blair anunciou uma série de medidas legislativas destinadas a punir todos os líderes políticos e religiosos que incitassem à violência.

Pois bem, ontem na capital britânica, umas centenas de selvagens desfilaram pelas ruas grunhindo slogans ameaçadores e defendendo abertamente o assassinato dos cartunistas dinamarqueses. O que fizeram as autoridades inglesas para impedir tal arruaça?

Será que também já cederam à chantagem do terror e se preparam para ajoelhar aos pés do extremismo?

03 fevereiro 2006

A Fauna Contra-Ataca

Como era previsível também na blogosfera já se levantou a fauna de costume para condenar o Ocidente e esmiuçar a sua compreensão pela ira dos fanáticos muçulmanos.

Com a falta de seriedade intelectual que os caracteriza, foram buscar ( e também isto era previsível!) alguns exemplos de intolerância do catolicismo: Um anúncio proibido em Itália por lembrar a Última Ceia e a conhecida perseguição ao filme Je Vous Salue Marie de Godard. Claro está que também já foram muitos os que nos últimos dias se lembraram da Inquisição para insinuar que no fundo os muçulmanos radicais até são bonzinhos!

Estas luminárias do pensamento moderno, sempre prontas a sacar do seu proselitismo ideológico e tão críticas do mundo burguês e globalizado de que tanto usufruem, são incapazes de perceber o que está em jogo. A cegueira politicamente correcta os ofusca.

O que eu gostava mesmo é de ver estas criaturas a viver no «oprimido» mundo islâmico e sujeitas às suas «ancestrais tradições» e «sensibilidades».

Não adoravam ver Joana Amaral Dias a viver no puro mundo muçulmano, longe da influência ocidental e dos vícios do neoliberalismo ? Não gostavam de vê-la defender em Riad, Tripoli ou Gaza a legalização do aborto, o casamento de homossexuais e a liberalização das drogas leves ou simplesmente os mais básicos direitos das mulheres?

Mas como sabemos sempre que pode ela escapa é para os EUA.

02 fevereiro 2006

O Cerco à Liberdade

O islamismo radical não se contenta a fomentar o ódio, a intolerância, o racismo e a violência dentro de portas. Há muito que se encontra em expansão e pretende tornar o seu fanatismo desumano em lei universal.

Não lhes basta tratar as mulheres como lixo, não lhes é suficiente suprimir os mais básicos direitos individuais e coletivos, já não lhes é suficiente o cultivo do terror no seu medíocre mundo.

Passaram há muito à ofensiva perante a passividade das democracias ocidentais. O caso Salman Rushdie foi disso o maior exemplo.

Agora o fascismo islâmico está em polvorosa por causa das caricaturas de Maomé publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten e exige que as autoridades locais punam exemplarmente os cartunistas envolvidos. Por punição exemplar devem estar a referir-se à aplicação da Sharia, talvez com o apedrejamento até à morte ou com a decapitação pública, que constitui um dos seus desportos favoritos.

Não conseguem, ou não querem conceber, conceitos como Liberdade de Expressão, Democracia e Separação entre o Estado e as religiões. São demasiados tacanhos para lá chegarem.

Como sempre já apareceram na Europa algumas vozes do inevitável politicamente correcto a dar-lhes razão, e até a ameaçar com processos os jornais e criadores envolvidos no caso! E o mais grave é que alguns desses iluminados são pessoas com responsabilidades na condução dos destinos europeus.

Cada vez que uma sociedade democrática se rende perante canalhas desta espécie, mais força eles ganham. Não admira portanto, que o extremismo cresça por toda a Europa e que se torne regra, mesmo em países muçulmanos até há pouco moderados. Está aqui parte da explicação para o triunfo na Palestina do grupo terrorista Hamas.

(Sobre o assunto ver também o excelente post do Rui Curado da Silva no Klepsydra.)

01 fevereiro 2006

O Xadrez e A Brasileira de Coimbra


Os anos 90 foram trágicos para os tradicionais cafés de Coimbra.

De uma assentada desapareceram o Mandarim, o Arcádia e o emblemático e politizado A Brasileira.

Este último situado na Rua Ferreira Borges, em pleno coração da cidade, foi durante décadas sede de várias tertúlias, saraus políticos, culturais e...xadrezísticos.

Alberto Vilaça, nome incontornável da vida da cidade e autor de inúmeros textos políticos, históricos e memorialísticos passou agora ao papel algumas das mais saborosas histórias passadas no café que frequentou durante quase 50 anos e que enchem de nostalgia até aqueles que como eu mal conheceram o emblemático local.

Em 1995 A Brasileira fechou transformando-se num Pronto-A-Vestir.

Para além do bom café, da discussão política e cultural, A Brasileira tinha também como atracção um núcleo xadrezistico que funcionou durante anos no 1º andar e que serviu de base para o Grupo de Xadrez de Coimbra que já nos anos 90 iria renascer incorporado na Associação Académica de Coimbra.

Das várias histórias que nos conta Alberto Vilaça sobre o Xadrez n'A Brasileira e na cidade, é justamente sobre a a formação da Secção de Xadrez da Associação Académica de Coimbra que trata uma das mais interessantes envolvendo os estudantes Vasco António Ramos Eloy, João Ribeiro e um futuro professor de Hipnotismo, Eugénio Monteiro:

(...)
Ora foi precisamente o Eloy quem me contou que naquela era antiga se organizara uma secção de xadrez na Associação Académica e houvera que eleger um presidente por voto secreto, comparecendo à respectiva reunião exactamente e apenas os três referidos activistas. A contagem dos votos evidenciou um previsível resultado, face às idades respectivas e afinidades pessoais e ideológicas dos dois primeiros : dois votos a favor do Eloy e um a favor do futuro cultor do hipnotismo. mas este não se calou:
-Cheira-me a manobra comunista.

VILAÇA, Alberto, À Mesa d'A Brasileira - Cultura, Política e Bom Humor, Calendário das Letras, 2005.

30 janeiro 2006

Roma - A Série

Esta noite pelas 23 horas na RTP 2, estréia a premiada série produzida em conjunto pela HBO e a BBC.

29 janeiro 2006

A Violência na África do Sul

A manifestação realizada ontem em Lisboa por elementos da extrema-direita portuguesa protestando contra o assassinato de cidadãos nacionais na África do Sul, seria irrelevante e ignóbil se demonstrasse apenas o estado de espírito de alguns radicais.

Acontece que há muito foi se construindo em Portugal a imagem de que os portugueses são particularmente perseguidos pelos criminosos sul-africanos e já pouco faltou para que os nossos meios de comunicação social lancassem uma campanha para uma intervenção governamental.

A África do Sul é hoje um dos países mais violentos e inseguros do mundo. A criminalidade está descontrolada e em alguns centros urbanos como Joanesburgo e Pretória, tornou-se um autêntico flagelo. Mas é um flagelo que atinge a todos os sul-africanos e aos que ali resolveram viver por igual, sejam eles portugueses, indianos, ingleses ou moçambicanos! Nada muito diferente do que se passa em outras grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro ou Caracas.

Não há e nunca houve uma violência dirigida à comunidade portuguesa. Mas algumas notícias que de lá chegam, sempre com a evidente preocupação com a aritmética das vítimas leva que a opinião pública em geral acredite numa perseguição em curso. Com o tradicional simplismo das conversas de café e da predisposição natural dos portugueses para o preconceito, ainda que escondido, facilmente se cria um caldo de cultura que alguns energúmenos rapidamente concretizam em absurdas manifestações como a de ontem.

27 janeiro 2006

Eleições Palestinianas

Pela primeira vez na História, um grupo terrorista chega ao poder através do voto popular. Ao contrário do que já se ouviu por aí, na Argélia, o GIA (Grupo Islâmico Armado) somente iniciou a estratégia do terror após o golpe militar que anulou as eleições que deram a vitória aos islamitas.

O Hamas, pelo contrário, nasceu e cresceu à base da violência, do cultivo do ódio, do racismo e da intolerância política e religiosa. Daí só ter se submetido ao voto quando teve a certeza que venceria.

Auxiliado pela incompetência, corrupção e falta de escrúpulos da Fatah de Yasser Arafat, o Hamas recolhe agora os frutos do populismo beneficiente , do radicalismo e do desvario palestiniano.

Se há algo de certo e constante na História do Médio Oriente, é o facto dos palestinianos nunca perderem uma oportunidade para sabotar uma esperança de entendimento.

Foi assim no fim do domínio colonial britânico quando perderam a oportunidade da criação de um Estado Palestiniano, foi assim quando rejubilaram com as várias guerras feitas a Israel pelos diversos Estados àrabes e das quais acabaram por ser as grandes vítimas, foi assim quando através da propagação do ódio e da violência deitaram por terra os processos de Oslo e Camp David e assim é ao elegerem agora o Hamas para os governar.

É claro que já andam por aí empenhados comentadores a culpar Israel e os americanos pela ascensão ao poder do terror armado. Até descobriram, depois de anos e anos de veneração, que Yasser Arafat e a sua Fatah não eram os tais heróis dantes exaltados, e que tudo fizeram para prolongar o problema e assim manter o domínio político e económico sobre os territórios em conflito.

Mas nem isso os faz duvidar nem por um minuto da bondade natural dos palestinianos e seus representantes. Há que fazer prevalecer sempre a reverência aos mártires da luta anti-sionista e anti-imperialista. Sejam eles raptores, bombistas, corruptos ou assassinos! Os maus são sempre os outros...

24 janeiro 2006

A Aventura de Mário Soares

A estrondosa derrota de Mário Soares nas eleições presidenciais ocupará apenas algumas linhas na sua biografia.

A sua figura tem grandeza histórica suficiente para ultrapassar este infeliz episódio e se é verdade que foi uma pena ter terminado de forma tão patética, o certo é que no deve e no haver o seu saldo ainda é positivo.

Foi uma candidatura sem sentido, sem justificação, sem méritos. Uma loucura a que Soares se entregou num momento de pouca lucidez e a que foi levado por uma corte de bajuladores que se dizem seus amigos.

Acreditavam numa hipotética «vaga de fundo» que o levaria de volta a Belém e o que encontraram foi uma repulsa generalizada que pulverizou em meses uma sólida popularidade construída ao longo de anos.

A campanha suicida marcada por uma agressividade sem limites, uma permanente crispação e uma postura carregada de ódio, como a que se viu no debate com Cavaco Silva, levaram ao desaire e à suprema humilhação que foi a ultrapassagem por Manuel Alegre.

Encerrado o episódio Mário Soares recuperará algum prestígio. Mas nunca mais voltará a ter o mesmo poder e influência. Já faz parte da História.

E se a História enaltecerá a sua luta contra o salazarismo, a sua relevância na consolidação democrática no pós-25 de Abril e os seus anos de Presidência, olhará com desdém para a radicalização dos últimos anos que culminou nesta desastrada candidatura.

23 janeiro 2006

O Azedume

O azedume que alguns derrotados demonstraram ontem teve seu eco hoje na blogosfera.

A esmagadora vitória de Cavaco Silva foi para alguns uma vitória «tangencial», para outros uma vitória «fraca» e para outros um sintoma de «cegueira coletiva»!

A falta de lucidez que demonstraram na campanha transformou-se agora numa raiva incontida e numa desonestidade intelectual que beira o boçal, quando se tenta comparar os resultados de 2006 com os da primeira vitória de Jorge Sampaio.

Entendo que a estrondosa derrota deixe alguma Esquerda com urticária. Mas quer gostem quer não, os 50,6% obtidos por Cavaco Silva numa primeira volta e contra cinco candidatos acutilantes e empenhados, têm um peso político muito maior que os 56% obtidos por Sampaio numa eleição a dois em 1996. Ou já se esqueceram que nessa ocasião não existia Bloco de Esquerda e que Jerónimo de Sousa desistiu ?