08 março 2006

Balanço

Mais do que pela a entrada de Cavaco Silva, o dia 9 de Março fica marcado pela saída do pior presidente dos nossos trinta anos de democracia.

Jorge Sampaio assistiu de braços cruzados à destruição económica do país pelas mãos de António Guterres e seu desastroso governo, e foi somente quando o Partido Socialista perdeu o poder, que o presidente agora cessante descobriu que para além dos discursos fechados e ininteligíveis, poderia exercer também a tal magistratura de influência.

Aliás, quando se começava a falar em rigor, até descobriu que havia vida para além do défice!!!

Num momento em que tanto se fala da crise da justica, é importante também não esquecer o forte contributo de Jorge Sampaio para a descredibilização do sector.

Muito preocupado com as tradições, não hesitou em desprestigiar o Estado de direito e os tribunais, e colocou-se ao lado dos criminosos de Barrancos em clara desmoralização da lei vigente. Foi como se lembram, o principal responsável pela legalização das touradas de morte, retrocesso civilizacional de décadas, e que para desgraça de todos nós, acabou por ser o grande legado dos dez anos de mandato de Sampaio na presidência.

Mesmo passando ao lado do episódio Santana Lopes, situação para a qual foi arrastado e em que pouco mais poderia ter feito, o certo é que Jorge Sampaio deixa o Palácio de Belém com o país numa situação incomparavelmente pior do que aquela que encontrou. Sabendo-se que não é o único responsável, não deixa no entanto de ser um triste balanço.

Dir-me-ão de certeza, que sai com altos índices de popularidade.

Mas num país que cultiva a mediocridade, a passividade e o cinzentismo, outra coisa seria de esperar?

06 março 2006

Farida Arouche


Nasceu na Argélia, tem 25 anos e é Mestre Internacional Feminina.
Lindo nome para uma jogadora de Xadrez!

04 março 2006

Indústria

Será que a cultura do porno respeitabilizou-se e deixou de ser apenas um segredo mal escondido na esmagadora maioria dos armários contemporâneos?

A profusão de documentários, livros e sites dedicados, não ao hardcore puro e duro, mas sim à biografia das suas estrelas e ao dia a dia da indústria indicia que já não é preciso espreitar atrás da porta verde...

Boogie Nights e Wonderland no cinema.

Jeena Jameson e Nacho Vidal nos escaparates.


(BARBA, David, Nacho Vidal-Confesiones de una estrella del porno, Madrid, Ed. Martinez Roca, 2004)

03 março 2006

Dr Che

Se há algo que os activistas da anti ou alter globalização adoram, é vestir a globalizada camiseta com a figura de Che Guevara e disparar contra os malefícios do liberalismo. Como uma carneirada fiel deliciam-se a louvar o santo do socialismo tropical e sem qualquer sentido crítico a elevá-lo aos píncaros da virtude e da glória.

O facto do Dr. Che ter assassinado e perseguido sem reservas os seus muitos desafectos e ter sido um dos criadores da mais longa ditadura unipessoal dos tempos modernos é apenas um detalhe insignificante que os tais arautos da contra-cultura preferem desprezar.

O homem é um mito. E todos sabemos como na iconografia libertária os mitos são necessários.

Não admira portanto a pronta reacção da blogosfera militante ao post politicamente incorrecto do Valter Hugo Mãe e respectiva chamada de atenção do Francisco José Viegas.

Náusea

A ida de Freitas do Amaral ao Parlamento foi muito útil.

Se até agora o dito senhor despertava alguma pena, depois do que disse ontem só desperta um sentimento: Nojo!

01 março 2006

Fotos do Arouche

Esta e outras imagens do Largo do Arouche podem ser encontradas no Sampa- Pelos Trilhos do Metrô um original e delicioso blog do paulistano Elton Melo.

27 fevereiro 2006

Estranho Padrão

Primeiro foi o comunicado de Freitas do Amaral relativizando a liberdade de imprensa.

Agora a criação da Entidade Reguladora da Comunicação Social por Santos Silva.

Observa-se um estranho padrão de comportamento no actual governo que forçosamente tem que nos deixar a todos preocupados.

Como lembrou e bem Francisco José Viegas, também no Brasil o poder tentou implementar semelhante legislação, com o agravante da mesma interferir ainda com toda a produção cultural.
Felizmente, a pronta reacção da sociedade civil em geral e dos jornalistas em particular, deitou por terra a manobra deixando cheios de pena os governantes do PT.

Se tal limitação à imprensa livre tem avançado, muito provavelmente jamais teriamos tido conhecimento do gigantesco esquema de corrupção montado pelo governo Lula e ainda hoje José Dirceu e Marcos Valério estariam comandando o mensalão.

É portanto inteiramente legítimo, questionar o porque deste infeliz projecto do executivo de José Sócrates.

26 fevereiro 2006

Notas da Guerra Grande VI - Homenagem a Roa Bastos


Entre 2 e 10 de Março próximos, o Instituto Cervantes de Lisboa programou uma série de eventos para homenagear o grande nome das letras paraguaias Augusto Roa Bastos falecido em 2005.

Para além de mesas-redondas e conferências sobre o autor, será apresentado no dia 7 de Março às 18:30 o documentário El Portón de los Sueños, vida y obra de Augusto Roa Bastos realizado por Hugo Gamarra.

Na escrita de Roa Bastos, Prémio Cervantes de 1989, a História de seu país obteve lugar de destaque e a sombra da Guerra da Tríplice Aliança esteve sempre presente.

O seu mais conhecido romance é a obra Yo el Supremo alicerçada na figura de Gaspar Rodriguez de Francia o homem que governou o Paraguai de 1814 a 1840, antecedendo no poder a dinastia Lopez, e que lançou as bases para o regime autocrático que levou a nação guarani à tragédia de 1864-1870.

(ROA BASTOS, Augusto, Yo el Supremo, Madrid, Catedra, 1983)

Sobre a Guerra do Paraguai, para além das múltiplas referências que sempre fez na sua obra e intervenção cívica, Roa Bastos publicou em conjunto com o brasileiro Eric Nepumoceno, o argentino Alejandro Maciel e o uruguaio Omar Prego Gadea, o livro Los Conjurados del Quilombo del Gran Chaco, que na sua edição brasileira recebeu o título de O Livro da Guerra Grande e que constitui um importante mosaico sobre a o mortífero conflito do Prata.




(ROA BASTOS, Augusto et al., Los Conjurados del Quilombo del Gran Chaco, Buenos Aires, Alfaguara, 2001.)









(ROA BASTOS, Augusto et al., O Livro da Guerra Grande, Rio de Janeiro, Record, 2002.)




NOTAS DA GUERRA GRANDE V - Colóquio em Paris

24 fevereiro 2006

The Chess Game




Sophonisba Anguissola

(1532 ? - 1626 )

Hattrick

O Hattrick tem o seu primeiro Campeão do Mundo.

É françês e vem da Normandia.

FC Barentin

Astrologia

Francisco Burnay desmonta em dois interessantes posts uma das mais irracionais das muitas crendices populares: A astrologia.

No Diário Ateísta.

23 fevereiro 2006

Mulher de Malandro

Passaram-se seis meses e aparentemente o escândalo do mensalão deixou de comover a opinião pública brasileira.

Os mesmos cidadãos que acompanharam as intermináveis transmissões televisivas da CPI, que se indignaram com os dólares na cueca de um obscuro assessor, que vociferaram contra a traição dos pseudo-éticos do PT, são os mesmos que agora se preparam para alegremente reelegerem Lula da Silva e proporcionarem ao partido da estrela mais quatro anos de cofres recheados e contas bem gordinhas.

Eis um exemplo de um povo que adora ser «mulher de malandro».

22 fevereiro 2006

Desporto Picante






Primeiro foi o filme ao lado.

Agora é o Lovechess!

O Xadrez tem mesmo algo de picante...



21 fevereiro 2006

Utopia


VERSO LIMPO DA UTOPIA
de César Miranda

A realidade

Fria

Entupiu

A pia

Da Utopia.


Uma contra-homenagem ao Pedro Pinto do Ainda Outro Dia.

20 fevereiro 2006

Duas Praças


Duas mulheres, uma presente outra ausente, a procura de uma, a procura pela outra.

O Brasil e a Argentina numa realidade paralela e entrelaçada.

O mais recente romance de Ricardo Lísias.


(LÍSIAS, Ricardo, Duas Praças, São Paulo, Ed. Globo, 2005.)

18 fevereiro 2006

Notas da Guerra Grande V - Colóquio em Paris


Realizou-se em Paris de 17 a 19 de Novembro de 2005, o Colóquio Internacional LE PARAGUAY A L'OMBRE DE SES GUERRES - Acteurs, Pouvoirs et Representations.

Tendo como pano de fundo os dois grandes conflitos em que o Paraguai esteve envolvido desde o Século XIX, a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) e a Guerra do Chaco (1932-1935), o colóquio debruçou-se através de múltiplas abordagens que foram da História à iconografia, da antropologia à literatura, nas origens, desenvolvimentos e consequências que os supra-citados confrontos trouxeram às regiões do Prata, do Chaco e a toda a América do Sul.

Sendo estes episódios encarados como «marginais» na historiografia contemporânea européia e praticamente desconhecidos mesmo nos meios académicos, é de realçar a importância de um evento destas características para o seu aprofundamento e compreensão.

Para todos os que se interessam pelo tema é possível encontrar a apresentação do simpósio assim como as principais comunicações no site da Revista Nuevo Mundo - mundos nuevos publicação digital dedicada à História Latino-Americana.

Sobre a Guerra Grande é possível ler:

No site da revista encontra-se ainda uma crítica ao documentário Cándido Lopez, los campos de batalla, de José Luis Garcia (Argentina-Paraguai, 2005)

NOTAS DA GUERRA GRANDE IV - Sonhos Guaranis

16 fevereiro 2006

Ocaso

Ao invés de resolver de uma vez o grave problema de credibilidade que constitui a presença de Freitas do Amaral no governo, José Sócrates prefere empurrar a questão com barriga e segurar o actual Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Faz mal. A vida ensina que os problemas não desaparecem quando fingimos não existirem, e os estragos feitos por Freitas do Amaral já o levaram a um ponto de não retorno. É uma pena assistir a um fim de carreira tão lamentável como o que está a protagonizar o antigo candidato a Belém, mas nisso está a ser coerente com as opções que tomou nos últimos anos.

Juntou-se a Mário Soares, seu antigo adversário político, na adopção de uma agenda radical e extremista e agora junta-se também num triste e desonroso ocaso.

Ficam ambos muito mal na fotografia.

15 fevereiro 2006

Negacionismo

Da mesma forma que se criticaram as esdrúxulas posições de Freitas do Amaral em relação à crise dos cartoons, deve-se também elogiar a rápida reacção às incríveis declarações do Embaixador do Irão Mohammed Taheri sobre o Holocausto.

Os frutos da política extremista do Presidente Mahmoud Ahmadinejad estão a germinar e perante a pressão internacional relacionada com o dossier nuclear, a liderança iraniana aposta numa fuga para frente, de que as recentes diatribes que visam negar o Shoa são um exemplo.

Entramos portanto num caminho perigoso, que só uma posição firme e concertada da comunidade internacional pode conter.

Terá entendido agora Freitas do Amaral porque é que não se pode ceder ao fundamentalismo quando estão em causa valores ?

14 fevereiro 2006

Rudolf Spielmann




«Na abertura, um mestre deve jogar como um livro; no meio-jogo, como um mágico; no final, como uma máquina»