24 maio 2006

23 maio 2006

Descarrilando

Quanto maior é a avalanche mediática à volta do livro de Manuel Maria Carrilho, maior é a sua queda e menor a sua expressão política. De degrau em degrau, o antigo Ministro da Cultura vai se afundando e o debate de ontem apenas clarificou o descontrole do antigo candidato à Câmara de Lisboa.

O problema de Carrilho é que ele está realmente convencido do que diz! Não se trata sequer de jogo político. Ela acha mesmo que foi vítima de uma conspiração e ninguém o demove disso. É um homem de convicções.

No seu egocentrismo, não considera possível, sequer imaginável, que a população de Lisboa pura e simplesmente tenha escolhido outro. Logo ele que é tão culto, brilhante, elegante, sofisticado e inteligente! O facto de ter perdido para um candidato medíocre como Carmona Rodrigues, apenas confirma que tudo se tratou de uma cabala e que os terríveis interesses se uniram à SIC, ao Público e outras dezenas de órgãos de comunicação para o perseguir.

E assim o Manuel Maria Carrilho descarrila.

Torna-se aos poucos um Santana Lopes com cátedra.
O seu grande problema é que mesmo na comparação com o menino guerreiro fica a perder.
Este último ao menos tem piada!

18 maio 2006

Cine Arouche

Tinha uma tela pequena, poucos lugares, uma programação alternativa e um ambiente intimista.
Deu-me a conhecer Woody Allen e Stanley Kubrick, mas fez-me também saber que existia cinema fora dos Estados Unidos.
Foi ali que fui apresentado a figuras históricas como Aldo Moro e Henrique V e fiquei a saber mais sobre a Guerra do Vietname.

E tudo isto a 50 metros de casa!

Hoje o Cine Arouche está mudado. É vizinho da Academia Corpus...

17 maio 2006

O Charme do Arouche

Sol entrando pela copa das árvores, gente apressada carregando sacolas, literatos e leitores, moradores da região com seus cães, pedintes, executivos, atletas, compradores de flores, casais muito ou nada tradicionais. Misturam-se esses e muitos outros tipos no Largo do Arouche, na região central de São Paulo, em diferentes horas do dia.

A Foto é de Leonardo Rodrigues e o texto de Lúcia Helena de Carvalho.
No Diário do Comércio.

16 maio 2006

Irmãos de Sangue

A ganadaria do Campo Pequeno reabre ao público neste verão depois de um investimento de cerca de 10 milhões de Euros. Para felicidade do sadismo marialva, as madames da linha e os psicopatas enrustidos, poderão dar vazão aos seus instintos no mais duradouro e tradicional centro de tortura de Portugal.

É de esperar uma presença assídua, desses grandes humanistas lusitanos que são o antigo Primeiro-Ministro Santana Lopes e o seu algoz Jorge Sampaio. Pelo menos nestas coisas do sangue taurino não têm diferenças que os separem. Amam as tradições portuguesas e em especial aquela que acha muito másculo e charmoso, massacrar um animal em praça pública!

Patriotas como se vê!

15 maio 2006

Paralelos

No dia em que se comemora o centenário do nascimento de Humberto Delgado, e muito se tem falado das eleições fraudulentas de 1958, seria interessante traçar um paralelo com o que actualmente se passa na Venezuela de Hugo Chavez.

O regime «Bolivariano» como o «Estado Novo» de Salazar, nunca deixou de realizar eleições procurando nas urnas uma legitimidade que sabe não ter. O carimbo eleitoral é fundamental para manter as aparências e mesmo aqueles que desprezam a Democracia, gostam de o ostentar.

Salazar sempre o fez até que teve um amargo de boca com Delgado e mesmo com uma fraude maçiça viu-se em apuros perante a adesão popular do General Sem Medo. Depois disto resolveu de vez o «problema» suprimindo as eleições presidenciais, prevenindo-se assim de novos sustos.

Chavez proclama diariamente as suas inúmeras vitórias eleitorais e sabendo que a máquina bolivariana e o clima de intimidação o colocam a salvo de qualquer derrota, anuncia a intenção de convocar um plebiscito que o autorize a mais 20 anos de poder.

Cedo ou tarde terá o seu Humberto Delgado.

Até lá poderá destruir alegremente a Venezuela.

Guerrilha Urbana

A guerrilha urbana que há anos flagela o Rio de Janeiro chegou finalmente a São Paulo.

Num momento em que Brasília já foi dominada por uma gang, outra menos sofisticada mas mais mortífera põe a nu o despreparo do Brasil no combate ao crime organizado.

O Capão Redondo invadiu os Jardins.

13 maio 2006

Xadrez Místico

Primeiro foi Garry kasparov a declarar-se fã do mago.

Agora é o Super Torneio Masters de Sofia a abrir com o lance inicial de Paulo Coelho.

O que virá a seguir? Um DVD da ChessBase com as melhores partidas da Walquíria?

11 maio 2006

Direitos Humanos

O novo Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas já está eleito.

Dele fazem parte esses exemplos de respeito pela dignidade humana que são a Arábia Saudita, o Paquistão, Cuba e a China!

Por essas e por outras é que quando ouço falar na ONU e no respeito pela «legalidade internacional» só me dá vontade de rir.

Ou de chorar...

10 maio 2006

Vitória de Spragget em Coimbra

O Grande Mestre Kevin Spragget venceu o Open Queima das Fitas.

A classificação completa deste que foi uma das mais disputadas edições de sempre pode ser encontrada no site da Mais Xadrez.

06 maio 2006

A Marca da Fiel

Só os muito ingénuos podem ter ficado surpreendidos pelo comportamento da torcida do Corinthians na última Quinta-Feira.

É a essência da Fiel.

Sobre a proibição das claques pela Federação Paulista de Futebol, faço minhas as palavras de Francisco José Viegas:

«Não me parece mal de todo. Mas era mais fácil proibir o Corinthians, e mais saudável. »

03 maio 2006

Torneio de Xadrez da Queima das Fitas

Divulgando:

O “Open Queima das Fitas” é um torneio de carácter internacional, com mais de 20 edições registadas que, todos os anos, movimenta habitualmente cerca de 120/ 140 jogadores nacionais, 10 / 15 jogadores Internacionais e 25 equipas provenientes de todo o país.

Nome: Open da Queima
Data : Sábado, 7 de Maio de 2006
Local: Sala de estudo da AAC, Coimbra
Hora : 10h – 19h

Prémios:

1º Classificado - 450€
2º Classificado - 300 €
3º Classificado - 200 €
4º Classificado - 120 €
5º Classificado - 100 €
6º - 70 €
7º - 50 €
8º - 40 €
9º - 30 €
10º a 25º Class. - 20 €

1º Feminino - Troféu
1º Class. Coimbra - Troféu

Os prémios serão entregues conforme classificação efectiva após desempate e não são acumuláveis.

Troféus para as primeiras três equipas, para os cinco primeiros classificados, 1º Universitário, 1º sub-10, 1º sub-12, 1º sub-14, 1º sub-16, 1º sub-18, 1º sub-20 e medalhas até ao 40º lugar

Este torneio terá lugar na Sala de Estudo do edifício da Associação Académica de Coimbra com início às 11 horas.

1ª Sessão 11h00
2ª Sessão 11h50
Intervalo para almoço12h30
3ª Sessão 14h00
4ª Sessão 14h50
5ª Sessão 15h40
6ª Sessão 16h30
7ª Sessão 17h20
8ª Sessão 17h30

Entrega de prémios 19h10

Regulamento:

• O torneio será realizado de acordo com o Sistema Suíço de 8 sessões, de 20 min/Jogador.
• Serão observadas as regras da F.P.X. de semi-rápidas.
• A Arbitragem estará a cargo da Secção de Xadrez da AAC, sendo os casos omissos resolvidos pela Direcção de prova.
• Inscrição Simples: 7,5 €
• Estudante Universitário (cartão estudante) e Sub18 (B.I) - 5€
• Sub14 (B.I) - 2

• Contactos para inscrições:

Secção de Xadrez AAC 239 410 402
Luís Rodrigues 91 4402855
Dominic Cross 96 5849714
Gil Lopes 93 8707220
E-mail:
xadrez@aac.uc.pt
luís_rodriguezzz@hotmail.com
gil_lopes@netmadeira.com

• Morada:
Secção de Xadrez da Associação Académica de Coimbra
Rua Padrez António Vieira, nº1, 3040-315 Coimbra

É obrigatório a apresentação de um relógio em perfeitas condições de funcionamento por cada dois jogadores do mesmo clube. Caso tal não aconteça, não se garante a participação dos atletas!

02 maio 2006

A Bofetada de Evo Morales

Durante todo o seu mandato, com o intuito de agradar as alas mais radicais do PT e na busca incessante de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, Lula e seu governo insinuaram o seu apoio aos folclóricos Hugo Chavez e Evo Morales.

Pretendendo liderar o bloco das nações em desenvolvimento, o Brasil de Lula optou por uma dicotomia interessante na política externa: Não afrontar directamente os EUA e o Presidente Bush, mas não perder nunca o seu pendão terceiro-mundista, chegando a flertar com ditadores do calibre de Omar Bongo do Gabão ou o eterno Fidel Castro de Cuba.

O resultado está à vista. Como quem brinca com o fogo normalmente sai queimado, o Brasil vê-se agora em apuros com a nacionalização das reservas de gás natural por parte da Bolívia, que atinge em cheio a Petrobrás, a mais importante empresa brasileira.

Os líderes petistas «descobrem» agora com assombro, que para parcela significativa da América Latina, o gigante verde-amarelo constitui com sua enorme economia, uma potência regional predadora, e que não são apenas os interesses das multinacionais americanas e francesas que estão em jogo. Os bolivianos espetam assim uma «bofetada» nacionalista na irresponsável verborréia solidária do governo brasileiro e demonstram, depois do fiasco no Haiti, que isto do «imperialismo» pode tocar a todos...

01 maio 2006

Jean-Francois Revel (1924-2006)

Morreu Jean-Francois Revel.

Membro da Academia Francesa, antigo membro da Resistência, ateu e com umas vasta produção ensaística e filosófica, Revel tornou-se nos últimos anos um dos grandes alvos a abater por alguma intelectualidade dita progressista.

O seu delito foi o de não alinhar na carneirada e se recusar a ver nos EUA a incarnação do mal. Os mesmos que sempre idolatraram Sartre, minimizando o seu flerte com o maoísmo nos anos sangrentos da Revolução Cultural Chinesa, e atacaram Raymond Aron quando este se posicionou contra o totalitarismo soviético, descobriram nos escritos de Revel uma blasfémia às suas inabaláveis certezas.

Em Portugal foi para mim relevante a passagem do escritor pelo extinto programa Acontece, nas vésperas da invasão do Iraque.

O apresentador Carlos Pinto Coelho, sempre pronto a dobrar a espinha a qualquer bicho-careta que ali se apresentasse, resolveu armar-se desta feita em justiceiro de classe e fez uma das mais agressivas e mal-educadas entrevistas que já se viram na nossa televisão. Revel, com a superioridade de quem está habituado a fazer parte das minorias odiadas pelo consenso vigente, a tudo respondeu serenamente e seguiu em frente.

Deixa uma importante bibliografia em áreas dispersas como o Jornalismo, a Literatura e a Política, constituindo um exemplo de independência e pensamento livre.





(Revel, Jean-Francois, Obsessão Antiamericana, Lisboa, Bertrand, 2002.)








(
Revel, Jean-Francois, A Grande Parada, Lisboa, Ed. Notícias, 2001)