17 abril 2006

Ser Tricolor

Lendo este post do Francisco José Viegas sobre a vitória de ontem do Grêmio sobre o Corinthians, não resisti em requentar um antigo apontamento sobre a alegria de ser Tricolor.

Não me refiro ao tricolor gaúcho do Francisco ou ao tricolor das laranjeiras de Nelson Rodrigues, mas sim ao Tricolor três vezes Campeão do Mundo e líder incontestado de todos os rankings do futebol brasileiro.

Muitas vezes perguntam-me qual o meu clube em Portugal.

E respondo que depois de ter estado no Morumbi lotado a ver desfilar com a Sacro-Santa camisa Tricolor, nomes como Oscar, Dario Pereyra, Müller e Careca é impossível qualquer afeição a outro clube que não o Mais Querido.

Ser do São Paulo é antes de mais uma questão de bom gosto. Uma filosofia de vida. Uma forma de estar.

É o futebol em estado puro!

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Confesso que também já me esforcei por perceber a demência que cerca os pindéricos clubes portugueses e até o interesse por essa autêntica anedota que é a «Super Liga». Mas depois de acompanhar durante tantos anos campeonatos nacionais verdadeiramente disputados, às vezes por mais de uma dúzia de clubes, limitei-me a desistir.

Por mais que tente não consigo entender qual é a piada em passar meses e meses a assistir um torneio a três, onde apesar de muitos jogos, paleio e insultos pouco ou nenhum futebol se vê!

Das duas uma: Ou se trata exclusivamente de fanatismo, o que demonstra uma grande apatia em relação à essência do desporto-rei ou então há algo de muito masoquista nos infelizes e alienados adeptos lusitanos...

Um exemplo particularmente triste da realidade do futebol português, foi a euforia que nas últimas semanas rodeou um decadente clube de bairro de Lisboa. A passagem às quartas-de-final de um certame europeu, foi comemorada como se de uma grande conquista se tratasse...O final, obviamente, foi o esperado.
Tratou-se no fundo, de um pequeno paliativo para uma agremiação que se diz grande e que há mais de quatro décadas não conquista um título de relevo.
Tudo muito triste.

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Prefiro ser apenas Tricolor!

14 abril 2006

Notas da Guerra Grande VIII - Seminário em Campo Grande

De 24 a 28 de Abril de 2006 irá se realizar na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul o Seminário de Jornalismo e História «Vestígios da Guerra Grande - O imaginário da guerra contra o Paraguai, 142 anos depois.»

Pensado no âmbito do projecto de investigação coordenado pelo Professor Mauro César da Silva e que deu origem ao interessantíssimo site Vestígios da Guerra Grande, o Seminário tem programadas uma série de actividades que abordarão aspectos variados que vão da iconografia até ao imaginário da mais importante guerra da História das Américas.

Sendo muito escassas este tipos de iniciativas no Brasil e sendo esta realizada em terras de Mato Grosso, palco principal de vários episódios do conflito, resta-nos esperar a publicação das Actas para um enriquecimento da bibliografia sobre o tema.

Programa

24/04/2006
19h00
Abertura solene
Profª Drª Célia Maria da Silva Oliveira,
Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFMS; Profª Drª Greicy Mara França, Chefe do Departamento de Comunicação Social/Jornalismo da UFMS; e Amarildo Meneguelli, acadêmico de História da UFMS e vice-coordenador do evento

Abertura da exposição de charges e pinturas sobre a Guerra do Paraguai

PALESTRAS E DEBATES

24/04/2006
19h30
O Jornalismo como fonte para a História
Profª Drª Nanci Leonzo, do curso de História da UFMS, e Prof. Dr. Marco Antônio Villalobos, Jornalista e Professor de Jornalismo, da PUC/RS, autor do livro " A Guerrilha do Riso"

25/04/2006
19h00
Ensino de História e Jornalismo: a força do imaginário social
Profª Ms. Ana Paula Squinelo, do curso de História da UFMS; e Nilson Cezar Mariano, do jornal Zero Hora de Porto Alegre/RS

26/04/2006
19h00
A web a serviço da pesquisa histórica e jornalística:
a experiência do site www.guerragrande.com
Prof. Dr. Paulo Roberto Cimó Queiroz, do curso de Pós-Graduação em História da UFGD; e Ubirajara Martins Guimarães, jornalista e autor do projeto do site

27/04/2006
19h00
As diferentes versões na historiografia brasileira
Prof. Dr. Ricardo Salles, do curso de História da UERJ/FFP; e Prof. Dr. Mauro César Silveira, do curso de Jornalismo
da UFMS

28/04/2006
14h00
As representações iconográficas do conflito
Prof. Dr. André Toral, do curso de Cinema da FAAP, de São Paulo/SP

19h00
O papel das mulheres na Guerra do Paraguai
Profª Ms. Maria Teresa Garritano Dourado, do curso de História da FAP, de Ponta Porã/MS; José Luis Ardissone, ator, cineasta e diretor da Fundación Arlequín de Teatro, do Paraguai

EXIBIÇÃO DE FILMES

de 25 a 27/04/2006
14h00
Cándido López - Los campos de batalla
Documentário do argentino José Luis Garcia (2005 - 105min)

16h30
Guerra do Brasil
Documentário do brasileiro Sylvio Back (1987 - 83min)

NOTAS DA GUERRA GRANDE VII - Adeus Chamigo Brasileiro

12 abril 2006

Carta Branca

O inqualificável acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, desculpabilizando e até recomendando a aplicação de castigos corporais na educação de crianças deficientes, é um claro sintoma do estado actual da nossa magistratura.

É também uma excelente oportunidade para se debater o estatuto e a responsabilização dos juizes pelos seus actos no presente ordenamento jurídico português.

Será desejável ou mesmo aceitável para um Estado de Direito, que os magistrados possam emitir juizos de valor e de moral, mesmo quando estes atropelam não só as Convenções internacionais a que Portugal livremente se associou, mas também as mais elementares regras da humanidade e do bom senso?

Sabendo-se que a defesa corporativa das diversas associações do sector jamais permitirá uma auto-avaliação consequente, não terá chegado o momento do Poder Legislativo actuar e limitar o poder quase absoluto que actualmente detêm os magistrados nos nossos tribunais?

Quando juizes em topo de carreira são capazes de barbaridades como a deste caso e até se dão ao luxo de classificar como negligentes os pais que não punem fisicamente os seus filhos, é porque já entramos no campo do absurdo e do delírio.

Mais do que isso, é também um exemplo do que pode ocorrer quando uma classe profissional com tamanho relevo e poder , recebe carta branca da sociedade para o exercício de suas funções sem ter que responder perante ninguém pela sua correcção.

Está nos livros...

11 abril 2006

O Barrete Marshall

No último fim de semana foi realizada mais uma eliminatória da Taça de Portugal de Xadrez.

Em Coimbra a equipa principal da Académica, 3ª colocada no último Nacional da 1ª Divisão, defrontou a AD Figueiró dos Vinhos do 3º Escalão Nacional.

Sem grandes surpresas a vitória sorriu por 3 a 1 à equipa da casa.

A única vitória dos visitantes foi conseguida pelo também academista António Curado, talvez o maior especialista português sobre o mundo do Xadrez e que actualmente representa o clube da sua terra natal.

Perante um adversário mais cotado, conhecido pelos nervos de aço e jogo extremamente sólido, o Mestre Curado não se intimidou e jogando o agressivo Ataque Marshall embarretou literalmente o sempre amável mas desconsolado Ricardo Evangelista.

Vale a pena ver:

RICARDO EVANGELISTA ( 2117 ) x ANTÓNIO CURADO (1781)
Coimbra – 8 de Abril de 2006 – Taça de Portugal
Ataque Marshall – C89


1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 b5 6.Bb3 Be7 7.Te1 0–0 8.c3 d5

Lance constituinte do Ataque Marshall, uma das mais dissecadas linhas da imensa teoria de aberturas do Xadrez.

9.exd5 Cxd5 10.Cxe5 Cxe5 11.Txe5 c6 12.d4 Bd6 13.Te1 Dh4 14.g3 Dh3 15.Te4 g5 16.Bxg5 ?


Caindo na arapuca! Um lance que literalmente deixa as brancas em posição de frango assado!

16...Df5 ! 17.Bxd5 cxd5 18.Be7 tentando espernear ...

18...Dxe4 19.Bxd6 Bh3 20.f3 De3+ 21.Rh1 Df2 e as brancas abandonaram perante o mate inevitável.

Moral da história: Mais vale um barrete bem preparado que um peão bem envenenado!

01 abril 2006

Incoerência


É por estas e por outras que a credibilidade dos políticos está pelas ruas da amargura.

A carta acima foi escrita por José Serra, actual prefeito de São Paulo, e candidato derrotado por Lula nas últimas eleições presidenciais.

Num daqueles actos de campanha, que têm tanto de demagogia como de irresponsabilidade, Serra comprometeu-se em 2004, e por escrito, a não abandonar a Prefeitura da maior cidade do Brasil, até ao fim do mandato, caso viesse a ser eleito.

Acaba agora de lançar-se candidato a Governador do Estado, e só não vai enfrentar Lula em Outubro porque não fez finca-pé. Deixou a espinhosa missão para Geraldo Alckmin.

O facto de um político competente e estruturalmente sério como José Serra, cometer uma idiotice destas, serve bem de exemplo do quão artificiais e minadas são as campanhas eleitorais. Privilegia-se a forma em detrimento do conteúdo, aposta-se na frase retumbante ao invés da sinceridade, manipulam-se as emoções deixando cair a razão. Com os resultados que estão à vista.

Serra muito provavelmente será eleito Governador de São Paulo, graças à obra feita e ao carisma que acumulou nos muitos anos que leva de política. Teria sido aliás o melhor candidato para enfrentar a quadrilha de Lula e talvez o único capaz de desalojar a camarilha do PT ávida por continuar o saque dos cofres públicos.

Mas infantilidades como esta, apenas servem para municiar os adversários e colocar em xeque algo que num político jamais deveria faltar: A palavra!

No entanto, como lembra e bem Francisco José Viegas, a militância do PT sempre disposta a perdoar os «erros» do Partido, em compreender os «desvios» de Dirceu e Cª. , em desvalorizar o mensalão, em ignorar a estranha morte de Celso Daniel, em desculpabilizar as vigarices na CPI e todo um rol interminável de barbaridades, indigna-se agora com a incoerência de Serra.

Estranha moral a dos companheiros!

Crime Consumado

E pronto!
O crime foi consumado.
A TV Cabo trocou o GNT pela Record Internacional.

Regras do mercado dizem eles...Incompetência e falta de respeito pelos clientes, digo eu.

A Netcabo já a despachei. É bem provável que o serviço de televisão vá a seguir.

Afinal, vulgaridade por vulgaridade, a da concorrência é pelo menos mais barata!

31 março 2006

Casa Rosada

Não satisfeito em nos mostrar algumas facetas de São Paulo, o Elton Melo resolveu agora nos presentear com suas fotos da magnífica Buenos Aires.

Está tudo no Tierra Esquisita.

28 março 2006

A Queda de Palocci

Acusado por crimes de formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e corrupção passiva, caiu finalmente o poderoso ministro das finanças de Lula, Antônio Palocci.

Enterrado até ao pescoço num tenebroso caso que envolve ainda uma rede de prostituição e a quebra do sigilo bancário de uma testemunha, o antigo Prefeito de Ribeirão Preto e sustentáculo da ortodoxia económica da administração Lula, sai de cena para preservar o candidato-presidente.

Mesmo passado praticamente um ano, desde o início do gigantesco escândalo de corrupção envolvendo o governo Lula e seus apoiantes, é incrível como a quadrilha do Partido dos Trabalhadores ainda nos consegue surpreender.

Desde mesadas a deputados corruptos, passando por dólares nas cuecas, orgias em puteiros de luxo, assassínios mal esclarecidos e uma dose descomunal de cinismo e falta de vergonha na cara, tudo nesta história nos arrepia e envergonha. Em se tratando de picaretagem, Lula e seus assistentes são simplesmente imbatíveis. Perto deles Mobutu e Ferdinando Marcos até parecem meninos de coro !

Com a queda de Palocci, ganha peso a ala xiita do PT. A mesma que sempre condenou a manutenção da política financeira herdada do governo Fernando Henrique, e que no meio de toda esta tragédia permitiu alguma estabilidade e crescimento económico.

Em ano de eleições é fácil de prever como serão os próximos meses.
O pior ainda está por vir...

23 março 2006

21 março 2006

O Factor Garotinho


Depois do PSDB, é agora a vez do PMDB definir o seu candidato às eleições presidenciais. Tudo indica que será o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho.

Herdeiro das tradições mais populistas de Leonel Brizola, receptor do importante eleitorado evangélico, e demagogo com grandes dotes de oratória, Garotinho será um factor a ter em conta no desenvolvimento da campanha.

Não beliscará de certeza a hegemonia de Lula e muito previsivelmente ficará atrás de Alckmin, mas o seu discurso simplista, suas soluções fáceis e a manipulação do sentimento religioso, chegarão provavelmente para consolidar a sua liderança numa parte significativa do eleitorado.

Centro político e cultural do Brasil durante séculos, o Rio de Janeiro mergulhou com a mudança da capital para Brasília, num processo de decadência cujas consequências estão à vista.

Administrações desastrosas como as de Brizola e Garotinho, levaram o Rio ao caos e ao quase desaparecimento da autoridade do Estado. Acontecimentos como os dos últimos dias, em que o exército foi obrigado a negociar a devolução de armas roubadas com os traficantes de droga, são uma consequência lógica mas absurda, de anos de prevalência de populismo, demagogia e excesso de politicamente correcto.

Ainda existe no entanto, muito mercado para este tipo de política.
Garotinhos há muitos.
E não só Brasil...

19 março 2006

Fernando Gil (1937-2006)



Portugal perdeu hoje uma das suas mais lúcidas, sensatas e importantes vozes.

Desapareceu em Paris o filósofo, professor e ensaísta Fernando Gil.

18 março 2006

A Candidatura de Alckmin

O Palácio dos Bandeirantes - sede do governo do Estado de São Paulo - tem tido ao longo da sua existência inquilinos muito pouco recomendáveis.

Mesmo deixando de lado figuras históricas de má memória, como o populista Ademar de Barros - o homem do rouba mas faz - basta recorrer às ultimas décadas, para constatar que estas ficaram negativamente marcadas por governadores do calibre de Paulo Maluf, Orestes Quércia e Luiz António Fleury Filho.

Uma excepção a essa triste regra, tem sido o actual governador paulista, Geraldo José Alckmin, que desde a morte do saudoso Mário Covas, tem feito com discrição e eficiência uma gestão marcada pelo rigor, seriedade e altos níveis de aprovação. Um profundo corte com algumas das inqualificáveis e já citadas administrações anteriores.

Pois bem, Alckmin acaba de ser confirmado pelo PSDB, como o candidato tucano às presidenciais de Outubro próximo. Superou com êxito a acirrada disputa interna com o favorito José Serra e tem pela frente uma tarefa quase impossível que é chegar ao Planalto.

E digo impossível, porque além de ter pouca notoriedade fora do eixo Rio-São Paulo-Minas, faltam a Alckmin, o carisma, o descaramento, o cinismo e a falta de escrúpulos do actual presidente Luís Ignácio Lula da Silva.

Lula, responsável maior seja por desconhecimento seja por omissão, pelo mensalão - o maior escândalo de corrupção da História do Brasil - há muito deixou de ser aquele simplório bonacheirão e bem intencionado que fazia as delícias dos comentadores internacionais.

Com a chegada ao poder sofisticou-se, no pior sentido do termo, e como bem demonstrou na já famosa entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura, aprendeu todos os truques da baixa política, assimilando a prática e a doutrina do coronelismo que sempre afirmou combater.
No tête-à -tête eleitoral será por isso imbatível.

Numa eleição em que se jogará o futuro do PT e sabendo-se que o actual partido do poder não hesitará em usar todas as armas para conservar as lucrativas estruturas do Estado Federal, dificilmente Alckmin terá estofo para aguentar a pressão e a força dos muitos milhões de dólares que o Partido dos Trabalhadores colocará no terreno. Aliás, na era do mensalão, dinheiro e cara-de-pau não faltarão de certeza a Lula e seu partido.

Junte-se a isso a fraca memória coletiva do povo brasileiro e os bons indicadores económicos, derivados da política iniciada no governo Fernando Henrique - e que Lula teve o bom senso de prosseguir - para fazer de Alckmin um candidato derrotado à partida.

Enganam-se no entanto, os que pensam que o vencedor será Lula.
Será José Dirceu!

16 março 2006

Brito Camacho e o artista D. Carlos

No blog O Amigo do Povo, João Miguel Almeida lembra uma venenosa expressão que teria sido popularizada por Manuel Brito Camacho, um dos grandes vultos da propaganda republicana e líder político de relevo no combate a Afonso Costa no pós-1910.

A mordacidade, foi aliás, a grande arma do líder unionista no decorrer da sua longa carreira de político e jornalista.

Um exemplo sublime:

Nos derradeiros anos da Monarquia, Brito Camacho fundou o diário republicano A Lucta caracterizado por uma linguagem moderada no formato mas assassina na ironia.

Na edição de 21 de Fevereiro de 1906, podemos encontrar a seguinte pérola:

«A imprensa monárquica sem discrepâncias, anda há dias a encarecer o altíssimo valor de uma aguarela exposta pelo sr. D. Carlos em Paris, na galeria Georges Petit. Nada entendemos de coisas de arte, mas visto que o dizem colegas tão autorizados, também nós concordamos que o rei é um grande artista.»

14 março 2006

Notas da Guerra Grande VII - Adeus, Chamigo Brasileiro

Da autoria do antropólogo e desenhador André Toral, esta interessante Banda Desenhada constitui uma original abordagem à História da Guerra do Paraguai.

Nascida como parte da tese de doutoramento apresentada pelo autor em 1997 no Departamento de História da Universidade de São Paulo, aborda alguns dos principais momentos da guerra - Batalha de Tuiutí, Batalha de Curupaiti, a conquista de Humaitá - e recria algumas personagens fundamentais para o enquadramento humano do conflito, como os Voluntários da Pátria, os sacrificados soldados paraguaios e até mesmo o argentino Candido Lopez, figura central da iconografia da Guerra da Tríplice Aliança.

Autor com obra feita - colaborador em publicações marcantes como as saudosas revistas brasileiras dos anos 80 - Chiclete com Banana e Animal - André Toral alia a sua faceta de criador à de investigador, proporcionando a todos aqueles que se interessam pelo tema, um valioso aporte bibliográfico.

(TORAL, André, Adeus, Chamigo Brasileiro , São Paulo, Companhia das Letras, 1999.)

NOTAS DA GUERRA GRANDE VI - Homenagem a Roa Bastos

13 março 2006

Exames

O governo anunciou hoje uma das mais esperadas e necessárias medidas na área da educação: A realização de exames para acesso à carreira docente.

Há muito que o processo de seriação dos candidatos ao ensino está viciado pelas classificações irrealistas que algumas faculdades insistem em atribuir aos seus alunos. Tal facto, leva a uma total perversão do sistema, premiando não as melhores universidades e cursos, mas sim aquelas que usam e abusam do facilitismo.

Um estudante que queira hoje em dia cursar uma faculdade de ponta, fatalmente será prejudicado no futuro, pois apesar da sua formação ser de maior qualidade, as suas notas provavelmente serão inferiores aos oriundos das ESE's e Politécnicos da vida.

A ser posta em prática a seriação, medida há muito reivindicada por todos os que defendem uma escola de qualidade, Portugal dará um passo de gigante para romper com o ciclo vicioso que há muito corrompe o nosso sistema de ensino.

Só é pena, que uma vez mais, os sindicatos do sector se mostrem tão empenhados na manutenção da mediocridade e do status quo vigente. Parece que falar em qualidade e justiça a alguns sindicalistas constitui um autêntico crime de lesa-pátria.

11 março 2006

Levon Aronian




Em 2005 ganhou a Taça do Mundo.

Agora brilhou em Linares, vencendo o mais importante torneio do circuito e ficando à frente do Campeão Mundial Vesselin Topalov.

Fixem bem este nome.

Levon Aronian veio para ficar!

Livraria Ateneo


A Lello que me perdoe, mas a mais bonita livraria do mundo fica no número 1860 da Avenida Santa Fé em Buenos Aires.



09 março 2006

Selva de Pedra




Carência Democrática

Há uns tempos atrás Pacheco Pereira dizia existirem três partidos democráticos no nosso parlamento: PS, PSD e CDS. Logo se levantou um coro de protestos pela exclusão do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português do rol das forças comprometidas com a Democracia.

Pois bem, hoje os deputados do BE e do PCP resolveram dar razão a Pacheco Pereira ao ficarem em silêncio no momento do juramento e posse de Cavaco Silva.

Mostraram azedume, falta de sentido de estado e uma enorme carência democrática.

Se é de todo legítimo que não aplaudissem o discurso do novo presidente e discordassem do seu conteúdo - como aliás fizeram os deputados do PS - é no mínimo insólito que não tenham legitimado a declaração de compromisso, feita nos termos e no momento indicados pela Constituição da República.

No fundo, o que quiseram demonstrar é que não aceitam os resultados das eleições, mecanismo das «democracias burguesas», e que só o pragmatismo e falta de força os leva a acatar.

Os estalinismo e o maoísmo, enrustidos numa capa de pseudo-modernidade, continuam vivos nos partidos ditos revolucionários. Em pleno Séc. XXI continuam a viver nos inesquecíveis tempos de 1917...

08 março 2006

Balanço

Mais do que pela a entrada de Cavaco Silva, o dia 9 de Março fica marcado pela saída do pior presidente dos nossos trinta anos de democracia.

Jorge Sampaio assistiu de braços cruzados à destruição económica do país pelas mãos de António Guterres e seu desastroso governo, e foi somente quando o Partido Socialista perdeu o poder, que o presidente agora cessante descobriu que para além dos discursos fechados e ininteligíveis, poderia exercer também a tal magistratura de influência.

Aliás, quando se começava a falar em rigor, até descobriu que havia vida para além do défice!!!

Num momento em que tanto se fala da crise da justica, é importante também não esquecer o forte contributo de Jorge Sampaio para a descredibilização do sector.

Muito preocupado com as tradições, não hesitou em desprestigiar o Estado de direito e os tribunais, e colocou-se ao lado dos criminosos de Barrancos em clara desmoralização da lei vigente. Foi como se lembram, o principal responsável pela legalização das touradas de morte, retrocesso civilizacional de décadas, e que para desgraça de todos nós, acabou por ser o grande legado dos dez anos de mandato de Sampaio na presidência.

Mesmo passando ao lado do episódio Santana Lopes, situação para a qual foi arrastado e em que pouco mais poderia ter feito, o certo é que Jorge Sampaio deixa o Palácio de Belém com o país numa situação incomparavelmente pior do que aquela que encontrou. Sabendo-se que não é o único responsável, não deixa no entanto de ser um triste balanço.

Dir-me-ão de certeza, que sai com altos índices de popularidade.

Mas num país que cultiva a mediocridade, a passividade e o cinzentismo, outra coisa seria de esperar?

06 março 2006

Farida Arouche


Nasceu na Argélia, tem 25 anos e é Mestre Internacional Feminina.
Lindo nome para uma jogadora de Xadrez!

04 março 2006

Indústria

Será que a cultura do porno respeitabilizou-se e deixou de ser apenas um segredo mal escondido na esmagadora maioria dos armários contemporâneos?

A profusão de documentários, livros e sites dedicados, não ao hardcore puro e duro, mas sim à biografia das suas estrelas e ao dia a dia da indústria indicia que já não é preciso espreitar atrás da porta verde...

Boogie Nights e Wonderland no cinema.

Jeena Jameson e Nacho Vidal nos escaparates.


(BARBA, David, Nacho Vidal-Confesiones de una estrella del porno, Madrid, Ed. Martinez Roca, 2004)

03 março 2006

Dr Che

Se há algo que os activistas da anti ou alter globalização adoram, é vestir a globalizada camiseta com a figura de Che Guevara e disparar contra os malefícios do liberalismo. Como uma carneirada fiel deliciam-se a louvar o santo do socialismo tropical e sem qualquer sentido crítico a elevá-lo aos píncaros da virtude e da glória.

O facto do Dr. Che ter assassinado e perseguido sem reservas os seus muitos desafectos e ter sido um dos criadores da mais longa ditadura unipessoal dos tempos modernos é apenas um detalhe insignificante que os tais arautos da contra-cultura preferem desprezar.

O homem é um mito. E todos sabemos como na iconografia libertária os mitos são necessários.

Não admira portanto a pronta reacção da blogosfera militante ao post politicamente incorrecto do Valter Hugo Mãe e respectiva chamada de atenção do Francisco José Viegas.

Náusea

A ida de Freitas do Amaral ao Parlamento foi muito útil.

Se até agora o dito senhor despertava alguma pena, depois do que disse ontem só desperta um sentimento: Nojo!

01 março 2006

Fotos do Arouche

Esta e outras imagens do Largo do Arouche podem ser encontradas no Sampa- Pelos Trilhos do Metrô um original e delicioso blog do paulistano Elton Melo.

27 fevereiro 2006

Estranho Padrão

Primeiro foi o comunicado de Freitas do Amaral relativizando a liberdade de imprensa.

Agora a criação da Entidade Reguladora da Comunicação Social por Santos Silva.

Observa-se um estranho padrão de comportamento no actual governo que forçosamente tem que nos deixar a todos preocupados.

Como lembrou e bem Francisco José Viegas, também no Brasil o poder tentou implementar semelhante legislação, com o agravante da mesma interferir ainda com toda a produção cultural.
Felizmente, a pronta reacção da sociedade civil em geral e dos jornalistas em particular, deitou por terra a manobra deixando cheios de pena os governantes do PT.

Se tal limitação à imprensa livre tem avançado, muito provavelmente jamais teriamos tido conhecimento do gigantesco esquema de corrupção montado pelo governo Lula e ainda hoje José Dirceu e Marcos Valério estariam comandando o mensalão.

É portanto inteiramente legítimo, questionar o porque deste infeliz projecto do executivo de José Sócrates.

26 fevereiro 2006

Notas da Guerra Grande VI - Homenagem a Roa Bastos


Entre 2 e 10 de Março próximos, o Instituto Cervantes de Lisboa programou uma série de eventos para homenagear o grande nome das letras paraguaias Augusto Roa Bastos falecido em 2005.

Para além de mesas-redondas e conferências sobre o autor, será apresentado no dia 7 de Março às 18:30 o documentário El Portón de los Sueños, vida y obra de Augusto Roa Bastos realizado por Hugo Gamarra.

Na escrita de Roa Bastos, Prémio Cervantes de 1989, a História de seu país obteve lugar de destaque e a sombra da Guerra da Tríplice Aliança esteve sempre presente.

O seu mais conhecido romance é a obra Yo el Supremo alicerçada na figura de Gaspar Rodriguez de Francia o homem que governou o Paraguai de 1814 a 1840, antecedendo no poder a dinastia Lopez, e que lançou as bases para o regime autocrático que levou a nação guarani à tragédia de 1864-1870.

(ROA BASTOS, Augusto, Yo el Supremo, Madrid, Catedra, 1983)

Sobre a Guerra do Paraguai, para além das múltiplas referências que sempre fez na sua obra e intervenção cívica, Roa Bastos publicou em conjunto com o brasileiro Eric Nepumoceno, o argentino Alejandro Maciel e o uruguaio Omar Prego Gadea, o livro Los Conjurados del Quilombo del Gran Chaco, que na sua edição brasileira recebeu o título de O Livro da Guerra Grande e que constitui um importante mosaico sobre a o mortífero conflito do Prata.




(ROA BASTOS, Augusto et al., Los Conjurados del Quilombo del Gran Chaco, Buenos Aires, Alfaguara, 2001.)









(ROA BASTOS, Augusto et al., O Livro da Guerra Grande, Rio de Janeiro, Record, 2002.)




NOTAS DA GUERRA GRANDE V - Colóquio em Paris

24 fevereiro 2006

The Chess Game




Sophonisba Anguissola

(1532 ? - 1626 )

Hattrick

O Hattrick tem o seu primeiro Campeão do Mundo.

É françês e vem da Normandia.

FC Barentin

Astrologia

Francisco Burnay desmonta em dois interessantes posts uma das mais irracionais das muitas crendices populares: A astrologia.

No Diário Ateísta.

23 fevereiro 2006

Mulher de Malandro

Passaram-se seis meses e aparentemente o escândalo do mensalão deixou de comover a opinião pública brasileira.

Os mesmos cidadãos que acompanharam as intermináveis transmissões televisivas da CPI, que se indignaram com os dólares na cueca de um obscuro assessor, que vociferaram contra a traição dos pseudo-éticos do PT, são os mesmos que agora se preparam para alegremente reelegerem Lula da Silva e proporcionarem ao partido da estrela mais quatro anos de cofres recheados e contas bem gordinhas.

Eis um exemplo de um povo que adora ser «mulher de malandro».

22 fevereiro 2006

Desporto Picante






Primeiro foi o filme ao lado.

Agora é o Lovechess!

O Xadrez tem mesmo algo de picante...



21 fevereiro 2006

Utopia


VERSO LIMPO DA UTOPIA
de César Miranda

A realidade

Fria

Entupiu

A pia

Da Utopia.


Uma contra-homenagem ao Pedro Pinto do Ainda Outro Dia.

20 fevereiro 2006

Duas Praças


Duas mulheres, uma presente outra ausente, a procura de uma, a procura pela outra.

O Brasil e a Argentina numa realidade paralela e entrelaçada.

O mais recente romance de Ricardo Lísias.


(LÍSIAS, Ricardo, Duas Praças, São Paulo, Ed. Globo, 2005.)

18 fevereiro 2006

Notas da Guerra Grande V - Colóquio em Paris


Realizou-se em Paris de 17 a 19 de Novembro de 2005, o Colóquio Internacional LE PARAGUAY A L'OMBRE DE SES GUERRES - Acteurs, Pouvoirs et Representations.

Tendo como pano de fundo os dois grandes conflitos em que o Paraguai esteve envolvido desde o Século XIX, a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) e a Guerra do Chaco (1932-1935), o colóquio debruçou-se através de múltiplas abordagens que foram da História à iconografia, da antropologia à literatura, nas origens, desenvolvimentos e consequências que os supra-citados confrontos trouxeram às regiões do Prata, do Chaco e a toda a América do Sul.

Sendo estes episódios encarados como «marginais» na historiografia contemporânea européia e praticamente desconhecidos mesmo nos meios académicos, é de realçar a importância de um evento destas características para o seu aprofundamento e compreensão.

Para todos os que se interessam pelo tema é possível encontrar a apresentação do simpósio assim como as principais comunicações no site da Revista Nuevo Mundo - mundos nuevos publicação digital dedicada à História Latino-Americana.

Sobre a Guerra Grande é possível ler:

No site da revista encontra-se ainda uma crítica ao documentário Cándido Lopez, los campos de batalla, de José Luis Garcia (Argentina-Paraguai, 2005)

NOTAS DA GUERRA GRANDE IV - Sonhos Guaranis

16 fevereiro 2006

Ocaso

Ao invés de resolver de uma vez o grave problema de credibilidade que constitui a presença de Freitas do Amaral no governo, José Sócrates prefere empurrar a questão com barriga e segurar o actual Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Faz mal. A vida ensina que os problemas não desaparecem quando fingimos não existirem, e os estragos feitos por Freitas do Amaral já o levaram a um ponto de não retorno. É uma pena assistir a um fim de carreira tão lamentável como o que está a protagonizar o antigo candidato a Belém, mas nisso está a ser coerente com as opções que tomou nos últimos anos.

Juntou-se a Mário Soares, seu antigo adversário político, na adopção de uma agenda radical e extremista e agora junta-se também num triste e desonroso ocaso.

Ficam ambos muito mal na fotografia.

15 fevereiro 2006

Negacionismo

Da mesma forma que se criticaram as esdrúxulas posições de Freitas do Amaral em relação à crise dos cartoons, deve-se também elogiar a rápida reacção às incríveis declarações do Embaixador do Irão Mohammed Taheri sobre o Holocausto.

Os frutos da política extremista do Presidente Mahmoud Ahmadinejad estão a germinar e perante a pressão internacional relacionada com o dossier nuclear, a liderança iraniana aposta numa fuga para frente, de que as recentes diatribes que visam negar o Shoa são um exemplo.

Entramos portanto num caminho perigoso, que só uma posição firme e concertada da comunidade internacional pode conter.

Terá entendido agora Freitas do Amaral porque é que não se pode ceder ao fundamentalismo quando estão em causa valores ?

14 fevereiro 2006

Rudolf Spielmann




«Na abertura, um mestre deve jogar como um livro; no meio-jogo, como um mágico; no final, como uma máquina»


13 fevereiro 2006

Pó-de-Arroz

«(...) Ah, sim, ela preferia o Morumbi cheio de gente quando jogava o São Paulo e, sobretudo, quando o São Paulo ganhava.. O seu pai a levara muitas vezes ao estádio e nessas noites vestia-se com a camiseta branca do São Paulo como uma simples torcedora vinda do subúrbio. Se apaixonara por Raí, a quem o pai tratava por "o garoto francês", e ela seguia suas jogadas, levantava-se quando ele engatava uma corrida, gritava quando seguia com a bola pela direita do campo (Salve o tricolor paulista, amado clube brasileiro, tu és forte, tu és grande, de entre os grandes és o primeiro...), ela entoou muitas vezes o hino na abertura dos jogos (Oh tricolor, São Paulo clube querido, tu tens o nosso amor, teu nome e tuas glórias têm honra e esplendor...)»

(VIEGAS, Francisco José, Longe de Manaus, Porto, Edições ASA, 2005.)

Valeu Francisco!
Estou de alma lavada.

11 fevereiro 2006

Notas da Guerra Grande IV - Sonhos Guaranis

A invasão de Mato Grosso no dia 23 de Dezembro de 1864 pelas tropas de Solano Lopez marcou o início das operações militares da Guerra do Paraguai. A província só viria a ser totalmente recuperada em meados de 1867 com a tomada de Corumbá e se até então a distância dos centros de poder brasileiros propiciava um forte contacto com os vizinhos guaranis, os anos de ocupação e suas consequências materiais e emocionais deixaram sequelas que ainda hoje perduram.

Uma ilustração dessa realidade é seguinte música de Almir Sater e Paulo Simões:

Sonhos Guaranis
Composição: Almir Sater / Paulo Simões

Mato Grosso encerra em sua própria terra
Sonhos guaranis
Por campos e serras a história enterra uma só raiz
Que aflora nas emoções
E o tempo faz cicatriz
Em mil canções
Lembrando o que não se diz

Mato Grosso espera esquecer quisera
O som dos fuzis
Se não fosse a guerra
Quem sabe hoje era um outro país
Amante das tradições de que me fiz aprendiz
Em mil paixões sabendo morrer feliz

E cego é o coração que trai
Aquela voz primeira que de dentro sai
E as vezes me deixa assim ao
Revelar que eu vim da fronteira onde
O Brasil foi Paraguai

(Para quem tem o Real Audio pode ser ouvida aqui.)

NOTAS DA GUERRA GRANDE III - Associación Argentina Descendientes de Guerreros del Paraguay

10 fevereiro 2006

Leitura Essencial...




...para entender os dias que correm!

Senso Comum

A crise dos cartoons tem sido pródiga na revelação das credenciais democráticas de algumas das nossas personalidades.

Agora foi a vez de José Saramago opinar.

Embora não tenha alinhado nos argumentos censórios de Freitas do Amaral e Ana Gomes, o nobel português veio defender o «senso comum», sustentando que foi isso que faltou aos desenhadores dinamarqueses.

É muito curioso que tal ponto de vista tenha partido da mesma pessoa que em 1991 publicou (e a meu ver com todo o direito) uma violentíssima sátira ao catolicismo no badalado O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Para Saramago portanto, o «senso comum» só se aplica quando está em causa um símbolo islâmico, devendo ser ignorado se o objecto for a fé cristã.

Curiosa dualidade de critérios.

Capitulação

Depois dos dinamarqueses, também os editores da Noruega sucumbiram à pressão e imploraram o perdão dos torquemadas muçulmanos.

Mas como criticar estas pessoas, que estão ameaçadas de morte, se as mesmas assistem diariamente os líderes das amedrontadas democracias ocidentais a humilharem-se e a justificar o terror do fanatismo islâmico?

09 fevereiro 2006

Invertebrados

Vitalino Canas, porta-voz do Partido Socialista, ao comparar hoje na Assembléia da República os cartoonistas aos radicais islâmicos, mostrou que a presença de invertebrados não é um exclusivo do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Imprescindível

«Mais vale verdes do que mortos» por Pacheco Pereira

Como Uma Liberdade

Uma iniciativa de Tiago Barbosa Ribeiro e Rui Bebiano.

08 fevereiro 2006

Diplomatas?

É triste constatar que num momento em que a Dinamarca e os dinamarqueses estão acossados pelo fascismo de turbante e por uma onda de ódio e violência ímpar, encontram nos seus parceiros comunitários não apoio e solidariedade, mas críticas e insultos de diplomatas desta espécie.

O Grande Inquisidor



«A liberdade sem limites não é liberdade, mas licenciosidade.»

Diogo Freitas do Amaral








NÃO FALA EM MEU NOME


07 fevereiro 2006

Portugal de Joelhos

O inacreditável comunicado de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre o caso dos cartoons, veio apenas confirmar o que há vários dias se adivinhava: De forma pusilânime e vexatória Portugal coloca-se ao lado da intolerância, da violência e do obscurantismo. De uma figura como Diogo Freitas do Amaral já nada pode surpreender. Tornou-se ele próprio uma triste caricatura .

De um chefe de Governo como José Sócrates é que se esperava mais coragem, responsabilidade e solidariedade para com um parceiro democrático como é a Dinamarca e acima de tudo mais respeito pelos valores da Liberdade e do Direito. Um a um, os líderes europeus vão caindo de joelhos e já pouco falta para rastejarem e implorarem perdão ao fundamentalismo. Não tarda e ainda expulsam os dinamarqueses da Comunidade Européia.

A chantagem da violência e do terror ganhou mais uma.

E a procissão ainda vai no adro...

Salo Flohr Segundo Hobsbawn

«(...)Um personagem cinzento da região dos Cárpatos, um tal Salo Flohr esmagado pelo facto de Alekhine se ter recusado a aceitar o seu desafio de pôr em jogo frente a ele o seu título de campeão mundial de xadrez, costumava entregar-se a esse desporto com o tio Sidney, enquanto esperava poder vir a viajar para Moscovo para fazer frente ao campeão soviético Mikhail Botvinik. Flohr nunca conseguiria ser o número um, mas viria a ser uma figura conhecida no mundo do xadrez soviético e, provavelmente, um dos poucos casos em que a emigração para a Rússia de Estaline nos anos 30 não se saldaria por um desastre.(...)»

(HOBSBAWM, Eric, Tempos Interessantes, Porto, Campo das Letras, 2005.)




Salo Flohr (1908-1983) durante uma simultânea.

05 fevereiro 2006

Cedência

Logo após os atentados de 7 de Julho em Londres, o governo de Tony Blair anunciou uma série de medidas legislativas destinadas a punir todos os líderes políticos e religiosos que incitassem à violência.

Pois bem, ontem na capital britânica, umas centenas de selvagens desfilaram pelas ruas grunhindo slogans ameaçadores e defendendo abertamente o assassinato dos cartunistas dinamarqueses. O que fizeram as autoridades inglesas para impedir tal arruaça?

Será que também já cederam à chantagem do terror e se preparam para ajoelhar aos pés do extremismo?

03 fevereiro 2006

A Fauna Contra-Ataca

Como era previsível também na blogosfera já se levantou a fauna de costume para condenar o Ocidente e esmiuçar a sua compreensão pela ira dos fanáticos muçulmanos.

Com a falta de seriedade intelectual que os caracteriza, foram buscar ( e também isto era previsível!) alguns exemplos de intolerância do catolicismo: Um anúncio proibido em Itália por lembrar a Última Ceia e a conhecida perseguição ao filme Je Vous Salue Marie de Godard. Claro está que também já foram muitos os que nos últimos dias se lembraram da Inquisição para insinuar que no fundo os muçulmanos radicais até são bonzinhos!

Estas luminárias do pensamento moderno, sempre prontas a sacar do seu proselitismo ideológico e tão críticas do mundo burguês e globalizado de que tanto usufruem, são incapazes de perceber o que está em jogo. A cegueira politicamente correcta os ofusca.

O que eu gostava mesmo é de ver estas criaturas a viver no «oprimido» mundo islâmico e sujeitas às suas «ancestrais tradições» e «sensibilidades».

Não adoravam ver Joana Amaral Dias a viver no puro mundo muçulmano, longe da influência ocidental e dos vícios do neoliberalismo ? Não gostavam de vê-la defender em Riad, Tripoli ou Gaza a legalização do aborto, o casamento de homossexuais e a liberalização das drogas leves ou simplesmente os mais básicos direitos das mulheres?

Mas como sabemos sempre que pode ela escapa é para os EUA.

02 fevereiro 2006

O Cerco à Liberdade

O islamismo radical não se contenta a fomentar o ódio, a intolerância, o racismo e a violência dentro de portas. Há muito que se encontra em expansão e pretende tornar o seu fanatismo desumano em lei universal.

Não lhes basta tratar as mulheres como lixo, não lhes é suficiente suprimir os mais básicos direitos individuais e coletivos, já não lhes é suficiente o cultivo do terror no seu medíocre mundo.

Passaram há muito à ofensiva perante a passividade das democracias ocidentais. O caso Salman Rushdie foi disso o maior exemplo.

Agora o fascismo islâmico está em polvorosa por causa das caricaturas de Maomé publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten e exige que as autoridades locais punam exemplarmente os cartunistas envolvidos. Por punição exemplar devem estar a referir-se à aplicação da Sharia, talvez com o apedrejamento até à morte ou com a decapitação pública, que constitui um dos seus desportos favoritos.

Não conseguem, ou não querem conceber, conceitos como Liberdade de Expressão, Democracia e Separação entre o Estado e as religiões. São demasiados tacanhos para lá chegarem.

Como sempre já apareceram na Europa algumas vozes do inevitável politicamente correcto a dar-lhes razão, e até a ameaçar com processos os jornais e criadores envolvidos no caso! E o mais grave é que alguns desses iluminados são pessoas com responsabilidades na condução dos destinos europeus.

Cada vez que uma sociedade democrática se rende perante canalhas desta espécie, mais força eles ganham. Não admira portanto, que o extremismo cresça por toda a Europa e que se torne regra, mesmo em países muçulmanos até há pouco moderados. Está aqui parte da explicação para o triunfo na Palestina do grupo terrorista Hamas.

(Sobre o assunto ver também o excelente post do Rui Curado da Silva no Klepsydra.)

01 fevereiro 2006

O Xadrez e A Brasileira de Coimbra


Os anos 90 foram trágicos para os tradicionais cafés de Coimbra.

De uma assentada desapareceram o Mandarim, o Arcádia e o emblemático e politizado A Brasileira.

Este último situado na Rua Ferreira Borges, em pleno coração da cidade, foi durante décadas sede de várias tertúlias, saraus políticos, culturais e...xadrezísticos.

Alberto Vilaça, nome incontornável da vida da cidade e autor de inúmeros textos políticos, históricos e memorialísticos passou agora ao papel algumas das mais saborosas histórias passadas no café que frequentou durante quase 50 anos e que enchem de nostalgia até aqueles que como eu mal conheceram o emblemático local.

Em 1995 A Brasileira fechou transformando-se num Pronto-A-Vestir.

Para além do bom café, da discussão política e cultural, A Brasileira tinha também como atracção um núcleo xadrezistico que funcionou durante anos no 1º andar e que serviu de base para o Grupo de Xadrez de Coimbra que já nos anos 90 iria renascer incorporado na Associação Académica de Coimbra.

Das várias histórias que nos conta Alberto Vilaça sobre o Xadrez n'A Brasileira e na cidade, é justamente sobre a a formação da Secção de Xadrez da Associação Académica de Coimbra que trata uma das mais interessantes envolvendo os estudantes Vasco António Ramos Eloy, João Ribeiro e um futuro professor de Hipnotismo, Eugénio Monteiro:

(...)
Ora foi precisamente o Eloy quem me contou que naquela era antiga se organizara uma secção de xadrez na Associação Académica e houvera que eleger um presidente por voto secreto, comparecendo à respectiva reunião exactamente e apenas os três referidos activistas. A contagem dos votos evidenciou um previsível resultado, face às idades respectivas e afinidades pessoais e ideológicas dos dois primeiros : dois votos a favor do Eloy e um a favor do futuro cultor do hipnotismo. mas este não se calou:
-Cheira-me a manobra comunista.

VILAÇA, Alberto, À Mesa d'A Brasileira - Cultura, Política e Bom Humor, Calendário das Letras, 2005.