17 junho 2006

Espectáculo

Conhecessem os jogadores do Gana a lei do fora-de-jogo e teríamos tido hoje outro resultado à Argentina!

Filipão

Aconteça o que acontecer daqui para à frente, o certo é que Scolari já levou Portugal ao melhor resultado das últimas quatro décadas. E contra isso batatas.

16 junho 2006

Haja Corazón

Para acompanhar a justificada euforia argentina, nada como ler o blog de um brasileiro em Buenos Aires.

Desperdício

Magnífico o golo de Tevez no baile argentino de hoje .

Como pode um craque destes perder seu tempo no Corinthians?!

É até pecado!

Castigo

Eu que sou um fervoroso adepto das leis do mercado, estou a ter neste mundial o meu grande e merecido castigo.

Como me recuso a assinar a SPORTV, um pseudo-canal desportivo que passa metade do ano a transmitir futebol de várzea, não posso assistir no conforto do lar os jogos mais interessantes e importantes da competição.
Das duas uma: Ou limito-me aos resumos mal amanhados de fim de noite ou vou para os bares de má fama ver a bola ao lado da turba.

Ainda bem que isto só dura um mês.

Caso contrário ainda acabava por me tornar revolucionário e ir para a rua contestar a livre iniciativa e exigir uma televisão livre de exclusivos segregacionistas.

À cubana!

Medjugorje e Mecking : O Regresso

No final dos anos 80 virou moda no Brasil a adoração de Nossa Senhora de Medjugorje, uma Virgem domiciliada lá para os lados da antiga Jugoslávia.

Ainda me lembro de ter por casa um terço que uma alma caridosa nos ofereceu, ainda que fôssemos muito pouco crentes no que ao celestial diz respeito. As tradicionais Nossas Senhoras de Aparecida e de Fátima estavam com a popularidade em baixa, e fiel que se prezasse tinha que louvar a nova divindade que ainda por cima actuava num sinistro país comunista.

Em 1989 caiu o Muro de Berlim e com ele desabou também a Jugoslávia, que sem a mão pesada de Tito já há muito mostrava sinais de desagregação. Daí para a separação e a sanguinária guerra que se seguiu foi apenas um pulinho. Ou um Milosevicsinho...Mas isso é já outra história.

Com o eclodir do conflito desapareceu de cena a Nossa Senhora da hora. Talvez por Medjugorje ficar na Bósnia, terra pouco dada a grandes cristianismos, Nossa Senhora deve ter partido para outras bandas mais pacíficas e apesar de seus enormes poderes, não são conhecidos grandes milagres ou iniciativas procurando deter os inúmeros massacres que ali se cometeram. O facto da maioria dos locais ser muçulmana, também não deve ter ajudado muito a entidade divina.

Curioso como sou, já me tinha perguntado por onde andaria a Senhora, que tão subitamente desaparecera dos noticiários televisivos e do coração dos adoradores. Temia que tivesse desistido de actuar no pecaminoso e globalizado mundo contemporâneo.

Mas eis que esta semana sou surpreendido pela actuação do xadrezista brasileiro Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, antigo nº 3 do mundo, e que há quase vinte anos regressou aos tabuleiros depois de uma doença do foro neurológico, a miastenia gravis, o ter desenganado e afastado por muito tempo do Xadrez. Convertido desde então e já formado em teologia, Mequinho não desiste de chegar ao título mundial para assim poder divulgar a palavra de Deus.

É bem verdade que os resultados não têm sido brilhantes, e que Mequinho é uma sombra do que foi nos anos 70. Mas também é certo que acaba de conquistar em Lodi na Itália seu primeiro torneio internacional desde o retorno, e que segundo as suas próprias palavras, tal façanha apenas foi possível com a ajuda da também regressada Nossa Senhora de Medjugorje a quem foi prestar tributo após a conquista!!!

Uma história com final feliz como se vê.

15 junho 2006

Notas da Guerra Grande X - Novo Livro de Roa Bastos

Um ano após a sua morte sai agora a público um novo livro do escritor paraguaio Augusto Roa Bastos vencedor do Prémio Cervantes em 1989.

Apresentada esta semana em Assunção, a obra Pancha Garmendia e Elisa Lynch retoma o assunto Guerra da Tríplice Aliança recriando a vida das duas mulheres marcantes no percurso de Francisco Solano Lopez, o ditador que conduziu o Paraguai à destruição na segunda metade do Século XIX.

Ambientado no período compreendido entre 1855, ano de chegada da irlandesa Elisa Lynch a Assunção, e 1869 nas vésperas da morte de Solano Lopez pelas tropas brasileiras, o romance regressa a um tema caro a Roa Bastos e que sempre esteve presente nos seus escritos: A História do Paraguai e a caracterização dos grandes ditadores que a jovem nação conheceu ao longo da sua existência.

Sua obra maior é aliás , Yo el Supremo, um mosaico a respeito de Gaspar Rodrigues de Francia o homem que fechou o Paraguai ao mundo e preparou o terreno para o surgimento da dinastia dos Lopez já na segunda metade do Século XIX.

Como o livro provavelmente não será publicado em Portugal e é quase impossível obter edições paraguaias, resta-nos aguardar a provável tradução brasileira, ou ler o original quando da sua edição espanhola.

NOTAS DA GUERRA GRANDE IX- A Retirada de Laguna

Mundo dos Livros - Imersão

14 junho 2006

Irritantes

Eu até simpatizo com os alemães e acho mesmo que dificilmente perdem a Copa em casa.
Mas essa mania de ganhar jogos aos 46 minutos do segundo tempo já começa a irritar...

13 junho 2006

Origem

Difícil esta Croácia!
Valeu a pontaria do sempre tricolor Kaká...

12 junho 2006

Mascarado

Comentário da Gazeta Esportiva sobre o desempenho de Cristiano Ronaldo no jogo com Angola: Tropeçou na Máscara!

Era bom que o Filipão lhe explicasse o significado.

10 junho 2006

Revanche

São aos milhares aqueles que no Brasil e principalmente no Paraguai, ainda atribuem ao «imperialismo inglês» as culpas pela desastrosa aventura militar de Solano Lopez.

Eu que não partilho essa visão da Guerra da Tríplice Aliança, torci muito para que hoje os ingénuos tivessem sua pequena vingança. O jogo fazia-me lembrar a revanche argentina de 1986, em que a famosa «Mão de Deus» de Maradona, ajudou os portenhos a digerir a derrota das Malvinas.

Infelizmente o azar foi paraguaio. E Gamarra, nome maior do futebol guarani, ajudou a festa britânica com um golo contra nos primeiros minutos de jogo.

Não foi um dia de festa em Assunção.

Mundo dos Livros - Hay-on-Way - País de Gales

09 junho 2006

Fecharam-se as Cortinas

Através de uma magnífica crónica de Fernando Alves na TSF fiquei a saber da morte de Fiori Giglioti. Triste notícia no dia em que começa o Mundial.

Eu que passei a minha infância a escutar os golos do São Paulo narrados por Fiori na Rádio Bandeirantes, e a quem sempre preferi aos também excelentes Osmar Santos e José Silvério, sinto desde já uma grande nostalgia com seu desaparecimento.

Giglioti faz parte da história da rádio paulista e brasileira com seu estilo pausado, sereno e inconfundível. Como esquecer as expressões marcantes que usava durante os jogos e principalmente o terrível refrão, que me fazia gelar a espinha quando o Tricolor se portava mal no Morumbi e tinha que correr atrás do prejuizo?

O Tempo Passa! Gritava Fiori.
E eu, ainda miúdo, perdia anos de vida!

Tantas e tantas vezes os sons de Fiori, relatando os golos de Serginho e Careca e as defesas de Valdir Perez e Gilmar, tornaram mais alegres os meus Domingos e mais suportáveis as crises de solidão da adolescência!

Mesmo ganhando o Hexa, o futebol brasileiro já sai mais pobre deste 2006.

08 junho 2006

Sampa - Largo da Batata

Prémio

Tenho cá para mim, que não foi apenas a excelência de Longe de Manaus, a garantir a atribuição do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores a Francisco José Viegas.

O facto da Helena ser sãopaulina é que foi decisivo!

Um Novo Ídolo

A invasão e depredação da Câmara dos Deputados em Brasília, trouxe para a ribalta a carismática figura de Bruno Maranhão, um dos comandantes operacionais do quebra-quebra, cujas imagens correm o mundo e enaltecem o Brasil.

Nada mais justo para tão destacada figura até agora injustamente mantida em segundo plano.

De origem burguesa, mas sempre pronto para as lutas revolucionárias, Maranhão foi subindo a pulso na hierarquia militante até atingir aquilo que poucos se podem gabar: É membro de relevo em duas das maiores e mais organizadas quadrilhas do país:

A primeira, comandada oficialmente por Ricardo Berzoini e extra-oficialmente por Luís Inácio Lula da Silva, é líder incontestável do crime organizado no Brasil e conseguiu após alguns contratempos no último ano, recuperar fôlego preparando-se já para mais quatro anos de rentáveis operações no lucrativo submundo brasileiro. Chama-se Partido dos Trabalhadores e tem em Bruno Maranhão o seu coordenador para os Movimentos Populares.

A segunda denomina-se Movimento para a Libertação dos Sem-Terra, uma espécie de dissidência radicalizada do já globalizado MST, e dedica-se a promover seus líderes política e financeiramente através da exploração do sofrimento de incautos e miseráveis camponeses. Aqui Maranhão é dono e senhor! Simplesmente manda!

Só falta ao nosso herói uma participação activa no Primeiro Comando da Capital, o PCC, para seu currículo ser perfeito. Mas como sua base é Pernambuco, isso complica a adesão. É sem dúvida um ponto a melhorar...

Por questões táticas, a primeira quadrilha chateou-se com os exageros no Congresso e até já o suspendeu do partido. Nada que não lhe valorize o histórico,tão recheado de proezas durante os negros anos de AI5 e Ditadura Militar.

Maranhão tem potencial para ser um novo ídolo das massas. Um Marcola de estrela ao peito. Um Beira-Mar engajado. Ou ainda melhor, um cruzamento aperfeiçoado de Lampião com António Conselheiro.

E se tiver sorte, e o Brasil naufragar na Copa da Alemanha, quem sabe não substitui dentro de algumas semanas, Ronaldinho Gaúcho no panteão dos heróis populares, e com esse impulso, escala de vez a concorridíssima hierarquia do crime no Brasil?!

07 junho 2006

Os Nazis do Paraguai (Requentados)

Ao ver a reportagem que a RTP transmitiu ontem à noite sobre o crescimento do movimento neonazi em Portugal, lembrei-me de recuperar uma antiga nota sobre os congéneres paraguaios.

Muda a nacionalidade, muda a localização geográfica, mas não muda a essência da questão.

O que abaixo se diz sobre os «nacionalistas» do Paraguai aplica-se ipsis verbis aos amigalhaços lusitanos

Requentando:

Ao garimpar na net páginas paraguaias com referências à Guerra do Paraguai, denominada por essas bandas como a Guerra da Triplice Aliança, fui parar a uma daquelas inconfundíveis homepages neonazistas que independentemente da origem e do estilo , acabam invariavelmente com a negação ou apologia do holocausto.

Se já é repugnante deparar com esse tipo de pessoas num país dito desenvolvido , encontrar a defesa do racismo nazi numa homepage originária de uma das mais ignoradas e esquecidas nações do terceiro mundo, soa no mínimo a patético.

Fico a imaginar os trogloditas nazis paraguaios instalados nos seus buracos em Assunção, a destilar seu ódio aos judeus, aos pretos, aos amarelos e a todos os seus complexos interiores, achando que são superiores, quando na verdade são considerados na maior parte do mundo, independentemente da sua raça, como umas criaturas de segunda por serem uns «míseros terceiro-mundistas latino-americanos».

Os babacas, que pelos vistos idolatram Stroessner e também Solano Lopez ( daí os ter encontrado...), culpam pela desgraça em que se encontra o seu país , o complot judeu e seus aliados...No fundo repetem numa forma hard a ladainha que muitos idiotas defendem por esse mundo fora ( Portugal incluído) de uma maneira soft ( vide algumas alegres declarações de militantes ditos progressistas...).

Gostava mesmo de ver as reacções dessas criaturas , sempre prontas a zelar pela pureza da raça, ao serem barrados no aeroporto de Madrid, por suspeita de imigração ilegal ou simplesmente por apresentarem o passaporte de um obscuro país sulamericano.

Será que continuariam a defender a hegemonia branca e a pureza do sangue europeu quando descobrissem que por aqui na civilizada Europa independentemente de serem brancos, verdes ou ou azuis, serão sempre olhados como criaturas de segunda por serem oriundos de uma «república das bananas»?!

Como será que reagiriam ao saber que no ilustrado velho mundo ninguém sabe , nem quer saber, do passado paraguaio e do drama e morticínio a que foi sujeito, ou se sujeitou, no final do Séc. XIX ?

Gaspar de Francia, Carlos Lopez, Solano Lopez, Madame Lynch nada representam para a velha Europa que se está a borrifar para o passado da nação guarani e que já a catalogou no rol das nações semi-falhadas que só vai aparecendo nos média graças aos golpes de Estado, às catástrofes ou no melhor dos casos, ao Chilavert e ao Gamarra.

Era isso que os idiotas nazis paraguaios precisavam que alguém lhes dissesse.

Talvez então percebessem que além de canalhas, como o são todos os nazis, são também uns perfeitos imbecis!