06 junho 2006

Notas da Guerra Grande IX - A Retirada de Laguna

Não deixa de ser curioso que o mais conhecido e divulgado relato da Guerra do Paraguai tenha sido escrito originalmente em françês e tenha como pano de fundo um episódio menor com pouca ou nenhuma importância estratégica no desenrolar do conflito.

É bem verdade que seu autor, Alfredo D'Escragnolle Taunay, futuro Visconde de Taunay, alcançou ainda em vida grande projecção política, social e até literária, o que podendo ser em parte atribuido à sua origem aristocrática, não pode também deixar de ser creditado ao seu polifacetado talento.

Militar, professor, político, historiador, sociólogo, músico e escritor, não deixou também de estudar física, matemática e engenharia, compondo assim a típica figura do homem culto do Séc. XIX. Um erudito.

Se Inocência , obra essencial do romance regionalista no típico estilo do Romantismo, foi a sua maior contribuição para a ficção brasileira, foi no entanto como memorialista que Taunay deixou a sua grande marca.

A Retirada da Laguna, ocorrida entre 08 de Maio e 11 de Junho de 1867, durante a Guerra da Tríplice Aliança, teve início na fazenda Laguna, situada no Paraguai, e percorreu uma vasta área compreendida pelos actuais municípios de Bela Vista, Antônio João, Guia Lopes e Nioaque, no território do actual Estado do Mato Grosso do Sul.

Um contingente de cerca de 1700 homens após uma desastrada incursão em território paraguaio, viu-se cercado sem meios de subsistência e após um calvário em forma de fuga chega a território brasileiro dilacerado e com apenas 700 sobreviventes.

Seria apenas mais um dos muitos e esquecidos episódios da guerra, se entre os seus participantes não estivesse integrado como Engenheiro-Militar o jovem Taunay, que já depois de findo o conflito resolveu passar ao papel a odisséia vivida na zona fronteiriça.

Nasceu assim a obra «La Retraite de Lagune - Épisode de la guerre du Paraguay» impressa em 1871 e que viria a tornar-se um dos grandes clássicos da vasta literatura, ficcional ou não, que apresenta como pano de fundo o mais importante conflito bélico ocorrido no continente americano

(TAUNAY, Alfredo d'Escragnolle, A Retirada de Laguna, São Paulo: Companhia das Letras, 1997)

Notas da Guerra Grande VIII - Seminário em Campo Grande

05 junho 2006

O Regresso

Lembro-me perfeitamente das eleições presidenciais peruanas de 1989.

Contemporâneas do primeiro escrutínio presidencial brasileiro no pós-64, levaram-me a acompanhar com grande interesse a campanha do escritor Mário Vargas Llosa naquela que parecia ser uma caminhada vitoriosa à presidência e o fim do estilo miserável de fazer política na América Latina. O discurso fluido e racional de Vargas Llosa parecia fadado ao sucesso graças aos anos caóticos que o então candidato-presidente Alan Garcia proporcionara aos peruanos.

Num continente marcado pela incompetência administrativa, pelos discursos demagógicos e o surrealismo na política, Alan Garcia conseguia a façanha de se destacar pela sua catastrófica gestão que juntamente com os terroristas do Sendero Luminoso levara o Peru à beira do caos. Poucas vezes se viu um governo tão incompetente e inconsequente.

Enquanto no Brasil o país era adiado pelas escolhas infelizes de Fernando Collor e Lula da Silva em detrimento de uma esperança chamada Mário Covas, no Peru surgia à última hora uma aberração chamada Alberto Fujimori que sem esconder ao que vinha, conseguiu com um discurso miserável e populista reverter a situação e ganhar as eleições deixando para trás o racionalismo de Vargas Llosa.

Daí para a frente foi o que se viu...

Passados 17 anos o Peru é um país estraçalhado, sem o Sendero Luminoso é certo, mas minado pela corrupção, cheio de cicatrizes da ditadura de «el chino» e com um futuro muito pouco risonho.

Ontem foi a votos.

De um lado Ollanta Humala, um populista autoritário, lugar-tenente de Hugo Chavez , muito ao jeito da nova vaga de líderes «carismáticos» que empurram a América Latina para o atraso, subdesenvolvimento e a violência política. Do outro, Alan Garcia, renascido das trevas e que pousou aqui de candidato racional e garante da democracia. Para trás ficaram as soluções e qualquer sinal de esperança para o Peru.

Venceu Garcia. Dos males o menor.
Dizem.
Talvez seja verdade.

Mas mesmo satisfeito com a derrota de Hugo Chavez e seu cãozinho de estimação, não consigo esboçar um sorriso com o triunfo de Alan Garcia e seu regresso em glória à presidência do país que ajudou a destruir.

04 junho 2006

Palpites

A menos de uma semana do início da Copa do Mundo, não resisto a mandar também uns palpites sobre o seu desenrolar. Afinal quem não o faz nestes dias?

Embora o Brasil tenha a sua melhor Selecção desde 1982, duvido que a Alemanha deixe escapar o título em casa. Nestas coisas o peso da camisa importa, e os alemães não costumam brincar em serviço. Quanto têm obrigação de ganhar, normalmente ganham! Espero sinceramente estar redondamente enganado...

Itália e Argentina, as outras duas superpotências da bola, são como de costume favoritas, mas a meu ver com menos hipóteses que os germânicos e os canarinhos. São grandes equipas, jogam sempre para o título e se ganharem não surpreendem ninguém. Mas não apostaria tudo nisso.

A nível intermédio, além da França e Holanda, acredito que pode haver alguma surpresa com as selecções de Espanha, Inglaterra e República Checa. Se o Paraguai se esticar também poderá dar nas vistas.

Não conto com nenhuma grande emoção vinda de África, embora gostasse de ver o Togo e a Costa de Marfim repetirem os passados brilharetes dos Camarões, Senegal e Nigéria. Japão e Coréia do Sul sendo os melhores asiáticos, devem apenas cumprir calendário.

E Portugal?

Se chegar aos Quartos-de-Final já será uma façanha. O medíocre futebol português não dá para mais.

Mas como o treinador é Luís Filipe Scolari, homem capaz de tirar leite de pedra, quem sabe não visionaremos daqui a um mês um pequeno milagre, e a exemplo do Euro 2004 teremos uma grande surpresa no final?

01 junho 2006

Amiguinhos

No Blog do Tas:

Ontem, na sala vip presidencial no Palácio do Planalto, Lula recebeu o líder do PMDB Orestes Quércia.
Ofereceu a ele, nada mais nada menos, do que o lugar de vice em sua chapa de candidato a presidente em Outubro. Aloizio Mercadante, que também estava na reunião, justificando o sobrenome, também se propos a negociar o lugar de vice na chapa dele de candidato ao governo de São Paulo.

Imediatamente lembrei-me da campanha presidencial de 1994, quando Quércia chamou Lula de fascista. Gentileza que Lula retribuiu chamando o "cumpanheiro" de ladrão.

Que beleza ver homens públicos que se perdoam e transformam o antigo fel acumulado no peito no doce mel de amor pelo Brasil.

Agora só falta convocar o Maluf para o time ficar completo!

30 maio 2006

28 maio 2006

A Culpa é da Veja!

Uma linha de raciocínio tem percorrido nos últimos tempos os defensores do governo Lula e das maracutaias da quadrilha petista: As inúmeras denúncias não são válidas porque em grande medida foram vinculadas pelos órgãos de comunicação da «elite» e em especial pela Revista Veja!

Mesmo colocando de lado a intenção falhada dos membros do PT em cercear a liberdade de imprensa no malogrado projecto censório da ANCINAV do Ministro Gilberto Gil, é indesmentível que a existência de uma imprensa combativa e independente não agrada a direcção petista, pelos óbvios entraves que configura ao prosseguimento da rapina aos cofres do Estado.

Depois do revés que constituiu a derrocada do referido projecto, o governo de Lula recuou, e verdade seja dita, não foi por falta de liberdade de imprensa que o Mensalão ficou por punir.
A informação circulou, as denúncias foram feitas, as provas apresentadas, mas nada disso foi suficiente para que a quadrilha da estrela ao peito fosse presa e condenada.

Garantida que está no entanto, a reeleição de Lula e seus capangas, nota-se um agudizar dos ataques à imprensa em geral e à Veja em particular. Diariamente os dirigentes petistas, os blogs do partido e toda uma legião de fiéis seguidores, põe a circular a versão da teoria da conspiração para justificar aquilo que não conseguem explicar.

Não conseguem negar o Valerioduto, as denúncias contra (e de) Duda Mendonça, as escorregadelas de Silvinho Pereira, a estranha morte de Celso Daniel, o curioso patrocínio da Telemar ao filho de Lula e nenhuma das centenas de acusações devidamente comprovadas que pululam em torno do governo.

Mas já acharam um bode expiatório: A revista Veja!

O curioso é que nos seus quarenta anos de existência, a Veja nunca pautou por ter um jornalismo neutro e sempre defendeu abertamente as suas opções editoriais. Nunca tentou sequer escondê-las. Foi assim durante a vigência do período militar, durante a campanha das Diretas, no surgimento da Nova República, na queda de Fernando Collor e na ascensão do próprio PT.

Todos sempre souberam qual a linha editorial da revista e isso nunca impediu que a mesma fosse respeitada como um órgão de comunicação de referência, nas múltiplas investigações que fez a respeito da vida brasileira nestas quatro últimas décadas.

O PT aliás nunca se fez de rogado e sempre utilizou o amplo material fornecido pela revista para atacar seus desafetos enquanto esteve na oposição. Não consta que tivesse questionado as denúncias da Veja contra o governo Collor, contra os governos do PSDB ou mesmo contra Maluf, Quércia ou Garotinho. Com o seu moralismo serôdio sempre se colocou em bicos de pés para com a Veja em riste pregar as suas virtudes éticas e políticas.

Agora que em função da rapina generalizada que promoveu e promove, passou de acusador a acusado, vocifera cheio de ódio e desfaçatez, que estamos perante um caso de imprensa marrom. Não é difícil imaginar o que pretende fazer quando em Outubro for reconduzido ao poder devidamente legitimado.

O jornalismo independente no Brasil que se prepare...

25 maio 2006

Justiça Para Valdir Perez

Em vésperas de Copa do Mundo um post requentado:

Conta a história que em 1994 ao ser barrado numa visita à concentração da Selecção Brasileira, o antigo guarda-redes Barbosa, titular na Copa de 50 na célebre derrota com o Uruguai, terá lamentado:

«A pena máxima no Brasil é de 20 anos. Eu estou sendo punido há 44!»

É essa a sina da mais ingrata posição do futebol. Transitam de bestiais a bestas em poucos minutos...

Se procurarmos nas últimas décadas o exemplo de um goleiro injustiçado pelo mundo do futebol, o seu nome é sem dúvida Valdir Perez, titular tricolor durante vários anos e goleiro principal na mítica equipa canarinho de 1982.

E não o digo na condição de são-paulino.

Sou o primeiro a reconhecer que pelo Morumbi têm passado ao longo dos anos muitos e diversificados cabeças-de-bagre. Não nego porém, que continuam frescas na minha memória as muitas épocas exemplares de Valdir na defesa da baliza tricolor e principalmente suas magníficas exibições com a camisa do Brasil.

Valdir Perez era incontestavelmente o melhor guarda-redes brasileiro em 1982. Há vários anos destacava-se pela sua segurança, qualidade e incrível habilidade para defender penalties, quer actuando pelo São Paulo (auxiliado por Oscar e Dario Pereyra naquela que foi provavelmente a melhor zaga da história do futebol), quer jogando pela mágica selecção canarinho de Zico, Falcão e Sócrates. Apesar da enorme concorrência de goleiros de primeira como Leão, Carlos e Paulo César, Telê Santana agiu correctamente ao entregar a titularidade a Valdir. Era o melhor!

Acontece que o homem teve um momento infeliz. Diria até trágico! E ficou assim com uma condenação eterna.

Desde aquele fatídico frango contra a União Soviética na estréia da Copa da Espanha, nunca mais foi absolvido. Ninguém o quis perdoar.

Apesar do seu passado no São Paulo e na Selecção, apesar da estupenda exibição que salvou o Brasil nessa mesma Copa contra a Argentina de Maradona, apesar de não ter tido culpa nenhuma na derrota para a Itália de Paolo Rossi, Valdir Perez ficou irremediavelmente carimbado no imaginário do futebol, e em especial dos que nunca o viram jogar, como um tenebroso frangueiro.

Mesmo em Portugal quando se fala com nostalgia do fabuloso escrete de 82, uma das melhores equipes da história do futebol, é comum ouvir algum comentário sobre a fragilidade do guarda-redes brasileiro. Não se fala do erro de Toninho Cerezzo no jogo decisivo, nem do total apagamento do centroavante Serginho durante todo o certame. Apenas Valdir Perez é lembrado e sempre na galeria dos malditos.

É altura de o reabilitar. É altura de fazer justiça a um dos melhores guarda-redes brasileiros de sempre.

É altura de pedir desculpas a Valdir Perez...

24 maio 2006

23 maio 2006

Descarrilando

Quanto maior é a avalanche mediática à volta do livro de Manuel Maria Carrilho, maior é a sua queda e menor a sua expressão política. De degrau em degrau, o antigo Ministro da Cultura vai se afundando e o debate de ontem apenas clarificou o descontrole do antigo candidato à Câmara de Lisboa.

O problema de Carrilho é que ele está realmente convencido do que diz! Não se trata sequer de jogo político. Ela acha mesmo que foi vítima de uma conspiração e ninguém o demove disso. É um homem de convicções.

No seu egocentrismo, não considera possível, sequer imaginável, que a população de Lisboa pura e simplesmente tenha escolhido outro. Logo ele que é tão culto, brilhante, elegante, sofisticado e inteligente! O facto de ter perdido para um candidato medíocre como Carmona Rodrigues, apenas confirma que tudo se tratou de uma cabala e que os terríveis interesses se uniram à SIC, ao Público e outras dezenas de órgãos de comunicação para o perseguir.

E assim o Manuel Maria Carrilho descarrila.

Torna-se aos poucos um Santana Lopes com cátedra.
O seu grande problema é que mesmo na comparação com o menino guerreiro fica a perder.
Este último ao menos tem piada!

18 maio 2006

Cine Arouche

Tinha uma tela pequena, poucos lugares, uma programação alternativa e um ambiente intimista.
Deu-me a conhecer Woody Allen e Stanley Kubrick, mas fez-me também saber que existia cinema fora dos Estados Unidos.
Foi ali que fui apresentado a figuras históricas como Aldo Moro e Henrique V e fiquei a saber mais sobre a Guerra do Vietname.

E tudo isto a 50 metros de casa!

Hoje o Cine Arouche está mudado. É vizinho da Academia Corpus...

17 maio 2006

O Charme do Arouche

Sol entrando pela copa das árvores, gente apressada carregando sacolas, literatos e leitores, moradores da região com seus cães, pedintes, executivos, atletas, compradores de flores, casais muito ou nada tradicionais. Misturam-se esses e muitos outros tipos no Largo do Arouche, na região central de São Paulo, em diferentes horas do dia.

A Foto é de Leonardo Rodrigues e o texto de Lúcia Helena de Carvalho.
No Diário do Comércio.

16 maio 2006

Irmãos de Sangue

A ganadaria do Campo Pequeno reabre ao público neste verão depois de um investimento de cerca de 10 milhões de Euros. Para felicidade do sadismo marialva, as madames da linha e os psicopatas enrustidos, poderão dar vazão aos seus instintos no mais duradouro e tradicional centro de tortura de Portugal.

É de esperar uma presença assídua, desses grandes humanistas lusitanos que são o antigo Primeiro-Ministro Santana Lopes e o seu algoz Jorge Sampaio. Pelo menos nestas coisas do sangue taurino não têm diferenças que os separem. Amam as tradições portuguesas e em especial aquela que acha muito másculo e charmoso, massacrar um animal em praça pública!

Patriotas como se vê!

15 maio 2006

Paralelos

No dia em que se comemora o centenário do nascimento de Humberto Delgado, e muito se tem falado das eleições fraudulentas de 1958, seria interessante traçar um paralelo com o que actualmente se passa na Venezuela de Hugo Chavez.

O regime «Bolivariano» como o «Estado Novo» de Salazar, nunca deixou de realizar eleições procurando nas urnas uma legitimidade que sabe não ter. O carimbo eleitoral é fundamental para manter as aparências e mesmo aqueles que desprezam a Democracia, gostam de o ostentar.

Salazar sempre o fez até que teve um amargo de boca com Delgado e mesmo com uma fraude maçiça viu-se em apuros perante a adesão popular do General Sem Medo. Depois disto resolveu de vez o «problema» suprimindo as eleições presidenciais, prevenindo-se assim de novos sustos.

Chavez proclama diariamente as suas inúmeras vitórias eleitorais e sabendo que a máquina bolivariana e o clima de intimidação o colocam a salvo de qualquer derrota, anuncia a intenção de convocar um plebiscito que o autorize a mais 20 anos de poder.

Cedo ou tarde terá o seu Humberto Delgado.

Até lá poderá destruir alegremente a Venezuela.

Guerrilha Urbana

A guerrilha urbana que há anos flagela o Rio de Janeiro chegou finalmente a São Paulo.

Num momento em que Brasília já foi dominada por uma gang, outra menos sofisticada mas mais mortífera põe a nu o despreparo do Brasil no combate ao crime organizado.

O Capão Redondo invadiu os Jardins.

13 maio 2006

Xadrez Místico

Primeiro foi Garry kasparov a declarar-se fã do mago.

Agora é o Super Torneio Masters de Sofia a abrir com o lance inicial de Paulo Coelho.

O que virá a seguir? Um DVD da ChessBase com as melhores partidas da Walquíria?

11 maio 2006

Direitos Humanos

O novo Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas já está eleito.

Dele fazem parte esses exemplos de respeito pela dignidade humana que são a Arábia Saudita, o Paquistão, Cuba e a China!

Por essas e por outras é que quando ouço falar na ONU e no respeito pela «legalidade internacional» só me dá vontade de rir.

Ou de chorar...

10 maio 2006

Vitória de Spragget em Coimbra

O Grande Mestre Kevin Spragget venceu o Open Queima das Fitas.

A classificação completa deste que foi uma das mais disputadas edições de sempre pode ser encontrada no site da Mais Xadrez.

06 maio 2006

A Marca da Fiel

Só os muito ingénuos podem ter ficado surpreendidos pelo comportamento da torcida do Corinthians na última Quinta-Feira.

É a essência da Fiel.

Sobre a proibição das claques pela Federação Paulista de Futebol, faço minhas as palavras de Francisco José Viegas:

«Não me parece mal de todo. Mas era mais fácil proibir o Corinthians, e mais saudável. »

03 maio 2006

Torneio de Xadrez da Queima das Fitas

Divulgando:

O “Open Queima das Fitas” é um torneio de carácter internacional, com mais de 20 edições registadas que, todos os anos, movimenta habitualmente cerca de 120/ 140 jogadores nacionais, 10 / 15 jogadores Internacionais e 25 equipas provenientes de todo o país.

Nome: Open da Queima
Data : Sábado, 7 de Maio de 2006
Local: Sala de estudo da AAC, Coimbra
Hora : 10h – 19h

Prémios:

1º Classificado - 450€
2º Classificado - 300 €
3º Classificado - 200 €
4º Classificado - 120 €
5º Classificado - 100 €
6º - 70 €
7º - 50 €
8º - 40 €
9º - 30 €
10º a 25º Class. - 20 €

1º Feminino - Troféu
1º Class. Coimbra - Troféu

Os prémios serão entregues conforme classificação efectiva após desempate e não são acumuláveis.

Troféus para as primeiras três equipas, para os cinco primeiros classificados, 1º Universitário, 1º sub-10, 1º sub-12, 1º sub-14, 1º sub-16, 1º sub-18, 1º sub-20 e medalhas até ao 40º lugar

Este torneio terá lugar na Sala de Estudo do edifício da Associação Académica de Coimbra com início às 11 horas.

1ª Sessão 11h00
2ª Sessão 11h50
Intervalo para almoço12h30
3ª Sessão 14h00
4ª Sessão 14h50
5ª Sessão 15h40
6ª Sessão 16h30
7ª Sessão 17h20
8ª Sessão 17h30

Entrega de prémios 19h10

Regulamento:

• O torneio será realizado de acordo com o Sistema Suíço de 8 sessões, de 20 min/Jogador.
• Serão observadas as regras da F.P.X. de semi-rápidas.
• A Arbitragem estará a cargo da Secção de Xadrez da AAC, sendo os casos omissos resolvidos pela Direcção de prova.
• Inscrição Simples: 7,5 €
• Estudante Universitário (cartão estudante) e Sub18 (B.I) - 5€
• Sub14 (B.I) - 2

• Contactos para inscrições:

Secção de Xadrez AAC 239 410 402
Luís Rodrigues 91 4402855
Dominic Cross 96 5849714
Gil Lopes 93 8707220
E-mail:
xadrez@aac.uc.pt
luís_rodriguezzz@hotmail.com
gil_lopes@netmadeira.com

• Morada:
Secção de Xadrez da Associação Académica de Coimbra
Rua Padrez António Vieira, nº1, 3040-315 Coimbra

É obrigatório a apresentação de um relógio em perfeitas condições de funcionamento por cada dois jogadores do mesmo clube. Caso tal não aconteça, não se garante a participação dos atletas!

02 maio 2006

A Bofetada de Evo Morales

Durante todo o seu mandato, com o intuito de agradar as alas mais radicais do PT e na busca incessante de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, Lula e seu governo insinuaram o seu apoio aos folclóricos Hugo Chavez e Evo Morales.

Pretendendo liderar o bloco das nações em desenvolvimento, o Brasil de Lula optou por uma dicotomia interessante na política externa: Não afrontar directamente os EUA e o Presidente Bush, mas não perder nunca o seu pendão terceiro-mundista, chegando a flertar com ditadores do calibre de Omar Bongo do Gabão ou o eterno Fidel Castro de Cuba.

O resultado está à vista. Como quem brinca com o fogo normalmente sai queimado, o Brasil vê-se agora em apuros com a nacionalização das reservas de gás natural por parte da Bolívia, que atinge em cheio a Petrobrás, a mais importante empresa brasileira.

Os líderes petistas «descobrem» agora com assombro, que para parcela significativa da América Latina, o gigante verde-amarelo constitui com sua enorme economia, uma potência regional predadora, e que não são apenas os interesses das multinacionais americanas e francesas que estão em jogo. Os bolivianos espetam assim uma «bofetada» nacionalista na irresponsável verborréia solidária do governo brasileiro e demonstram, depois do fiasco no Haiti, que isto do «imperialismo» pode tocar a todos...

01 maio 2006

Jean-Francois Revel (1924-2006)

Morreu Jean-Francois Revel.

Membro da Academia Francesa, antigo membro da Resistência, ateu e com umas vasta produção ensaística e filosófica, Revel tornou-se nos últimos anos um dos grandes alvos a abater por alguma intelectualidade dita progressista.

O seu delito foi o de não alinhar na carneirada e se recusar a ver nos EUA a incarnação do mal. Os mesmos que sempre idolatraram Sartre, minimizando o seu flerte com o maoísmo nos anos sangrentos da Revolução Cultural Chinesa, e atacaram Raymond Aron quando este se posicionou contra o totalitarismo soviético, descobriram nos escritos de Revel uma blasfémia às suas inabaláveis certezas.

Em Portugal foi para mim relevante a passagem do escritor pelo extinto programa Acontece, nas vésperas da invasão do Iraque.

O apresentador Carlos Pinto Coelho, sempre pronto a dobrar a espinha a qualquer bicho-careta que ali se apresentasse, resolveu armar-se desta feita em justiceiro de classe e fez uma das mais agressivas e mal-educadas entrevistas que já se viram na nossa televisão. Revel, com a superioridade de quem está habituado a fazer parte das minorias odiadas pelo consenso vigente, a tudo respondeu serenamente e seguiu em frente.

Deixa uma importante bibliografia em áreas dispersas como o Jornalismo, a Literatura e a Política, constituindo um exemplo de independência e pensamento livre.





(Revel, Jean-Francois, Obsessão Antiamericana, Lisboa, Bertrand, 2002.)








(
Revel, Jean-Francois, A Grande Parada, Lisboa, Ed. Notícias, 2001)

26 abril 2006

Sina

Em 1989 perante o descalabro da administração de Alan Garcia, o Peru abraçou o populismo salvífico de Alberto Fujimori e mergulhou no caos.

Passados 17 anos e após uma longa travessia no deserto, prepara-se agora para eleger Ollanta Humala, primo direito do nacionalismo golpista e autoritário de Hugo Chavez e Evo Morales.

Será essa a triste sina da fustigada e desiludida América Latina ?

24 abril 2006

O Actual 25 de Abril

Nos últimos tempos as comemorações do 25 de Abril têm sido marcadas por polémicas que são tão fúteis como ridículas.

Há dois anos foi a patética questão levantada por algumas almas bem pensantes sobre a utilização ou não do «R» de revolução nos cartazes alusivos ao acontecimento.

Desta feita é a desmesurada preocupação de algumas figuras cá do burgo, a respeito da necessidade da utilização de um cravo na lapela, por Cavaco Silva, nas cerimónias protocolares da Assembléia da República.

Trinta e dois anos depois do fim da ditadura foi nisto que se transformou o 25 de Abril.

Sampa - Aclimação

Foto do RRC

21 abril 2006

Telê Santana (1931-2006)

Quando o árbitro apitou o fim do jogo, naquele fatídico dia 5 de Julho de 1982 no Estádio Sarriá em Barcelona, estava criada uma nova lenda no mundo do futebol.

A fabulosa equipa do Brasil, unanimemente apontada como a vencedora antecipada do Mundial da Espanha, caía aos pés do italiano Paolo Rossi, autor dos três golos que levariam a selecção transalpina a prosseguir rumo a um título de todo inesperado.

Ficava para trás o incrível escrete de Oscar, Júnior, Éder e daquele que foi talvez o melhor meio-campo da história: Cerezzo, Falcão, Zico e Sócrates.

Passados quase 25 anos, poucos se lembram da equipa italiana, dos seus jogadores ou das suas escassas virtudes. Mas não há um único amante do futebol que não recorde com nostalgia aquela incrível equipa canarinho e que não a reconheça como uma das melhores formações de sempre. Junto com a Hungria de 1954 e a Holanda de 1974, o Brasil de 1982 tornou-se imortal.

Morreu hoje Telê Santana, o criador daquela verdadeira máquina de jogar futebol.

Adorado pela exigente torcida brasileira, sua popularidade não resistiu porém ao desaire de 1986 no México e taxado de pé-frio afastou-se dos comandos da Selecção. Após uma curta travessia no deserto deu a volta por cima e comandou a imbatível equipe do São Paulo que com nomes como Raí e Müller dominou o panorama mundial no início dos anos 90.

Provou assim ser possível aliar os resultados com a magia da bola, e consagrou-se como o maior de todos os treinadores. Passou a Mestre!

Com ele, desaparece também um dos raros resquícios de romantismo no futebol brasileiro.

O mundo da bola está mais pobre.

20 abril 2006

Esqueceram o Hermafrodita!

Hoje ao responder um banal questionário, fui pela primeira vez confrontado com uma pergunta a respeito do meu género!

Qual é o seu género?
a) Masculino
b) Feminino

Assim mesmo!

Confesso que tenho uma birra pela expressão género, mais uma das criações do politicamente correcto, que após ter conseguido impôr com êxito o termo «Afro-Americano» (nos EUA) e falhado por pouco a adopção da expressão «pessoa verticalmente prejudicada» (no Brasil) resolveu agora atacar a singela e tradicional nomenclatura do sexo.

No entanto no caso presente aquilo que mais me irritou foi a incoerência!
Então aos tipos que criaram o questionário não lhes passou pela cabeça que eu poderia pertencer a um género mais heterodoxo?

Por que apenas masculino ou feminino?
E se eu fosse gay? Ou uma lésbica? Ou quem sabe um transgender? E porque diabos não cogitaram a hipótese do questionário ser respondido por um hermafrodita?
Tanto cuidado no palavreado e esquecem-se da maioria dos géneros?

Agora que já andam para aí uns tais de «especialistas em igualdade do género» só me apetece denunciar este tenebroso exemplo de discriminação!

17 abril 2006

Ser Tricolor

Lendo este post do Francisco José Viegas sobre a vitória de ontem do Grêmio sobre o Corinthians, não resisti em requentar um antigo apontamento sobre a alegria de ser Tricolor.

Não me refiro ao tricolor gaúcho do Francisco ou ao tricolor das laranjeiras de Nelson Rodrigues, mas sim ao Tricolor três vezes Campeão do Mundo e líder incontestado de todos os rankings do futebol brasileiro.

Muitas vezes perguntam-me qual o meu clube em Portugal.

E respondo que depois de ter estado no Morumbi lotado a ver desfilar com a Sacro-Santa camisa Tricolor, nomes como Oscar, Dario Pereyra, Müller e Careca é impossível qualquer afeição a outro clube que não o Mais Querido.

Ser do São Paulo é antes de mais uma questão de bom gosto. Uma filosofia de vida. Uma forma de estar.

É o futebol em estado puro!

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Confesso que também já me esforcei por perceber a demência que cerca os pindéricos clubes portugueses e até o interesse por essa autêntica anedota que é a «Super Liga». Mas depois de acompanhar durante tantos anos campeonatos nacionais verdadeiramente disputados, às vezes por mais de uma dúzia de clubes, limitei-me a desistir.

Por mais que tente não consigo entender qual é a piada em passar meses e meses a assistir um torneio a três, onde apesar de muitos jogos, paleio e insultos pouco ou nenhum futebol se vê!

Das duas uma: Ou se trata exclusivamente de fanatismo, o que demonstra uma grande apatia em relação à essência do desporto-rei ou então há algo de muito masoquista nos infelizes e alienados adeptos lusitanos...

Um exemplo particularmente triste da realidade do futebol português, foi a euforia que nas últimas semanas rodeou um decadente clube de bairro de Lisboa. A passagem às quartas-de-final de um certame europeu, foi comemorada como se de uma grande conquista se tratasse...O final, obviamente, foi o esperado.
Tratou-se no fundo, de um pequeno paliativo para uma agremiação que se diz grande e que há mais de quatro décadas não conquista um título de relevo.
Tudo muito triste.

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Prefiro ser apenas Tricolor!

14 abril 2006

Notas da Guerra Grande VIII - Seminário em Campo Grande

De 24 a 28 de Abril de 2006 irá se realizar na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul o Seminário de Jornalismo e História «Vestígios da Guerra Grande - O imaginário da guerra contra o Paraguai, 142 anos depois.»

Pensado no âmbito do projecto de investigação coordenado pelo Professor Mauro César da Silva e que deu origem ao interessantíssimo site Vestígios da Guerra Grande, o Seminário tem programadas uma série de actividades que abordarão aspectos variados que vão da iconografia até ao imaginário da mais importante guerra da História das Américas.

Sendo muito escassas este tipos de iniciativas no Brasil e sendo esta realizada em terras de Mato Grosso, palco principal de vários episódios do conflito, resta-nos esperar a publicação das Actas para um enriquecimento da bibliografia sobre o tema.

Programa

24/04/2006
19h00
Abertura solene
Profª Drª Célia Maria da Silva Oliveira,
Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFMS; Profª Drª Greicy Mara França, Chefe do Departamento de Comunicação Social/Jornalismo da UFMS; e Amarildo Meneguelli, acadêmico de História da UFMS e vice-coordenador do evento

Abertura da exposição de charges e pinturas sobre a Guerra do Paraguai

PALESTRAS E DEBATES

24/04/2006
19h30
O Jornalismo como fonte para a História
Profª Drª Nanci Leonzo, do curso de História da UFMS, e Prof. Dr. Marco Antônio Villalobos, Jornalista e Professor de Jornalismo, da PUC/RS, autor do livro " A Guerrilha do Riso"

25/04/2006
19h00
Ensino de História e Jornalismo: a força do imaginário social
Profª Ms. Ana Paula Squinelo, do curso de História da UFMS; e Nilson Cezar Mariano, do jornal Zero Hora de Porto Alegre/RS

26/04/2006
19h00
A web a serviço da pesquisa histórica e jornalística:
a experiência do site www.guerragrande.com
Prof. Dr. Paulo Roberto Cimó Queiroz, do curso de Pós-Graduação em História da UFGD; e Ubirajara Martins Guimarães, jornalista e autor do projeto do site

27/04/2006
19h00
As diferentes versões na historiografia brasileira
Prof. Dr. Ricardo Salles, do curso de História da UERJ/FFP; e Prof. Dr. Mauro César Silveira, do curso de Jornalismo
da UFMS

28/04/2006
14h00
As representações iconográficas do conflito
Prof. Dr. André Toral, do curso de Cinema da FAAP, de São Paulo/SP

19h00
O papel das mulheres na Guerra do Paraguai
Profª Ms. Maria Teresa Garritano Dourado, do curso de História da FAP, de Ponta Porã/MS; José Luis Ardissone, ator, cineasta e diretor da Fundación Arlequín de Teatro, do Paraguai

EXIBIÇÃO DE FILMES

de 25 a 27/04/2006
14h00
Cándido López - Los campos de batalla
Documentário do argentino José Luis Garcia (2005 - 105min)

16h30
Guerra do Brasil
Documentário do brasileiro Sylvio Back (1987 - 83min)

NOTAS DA GUERRA GRANDE VII - Adeus Chamigo Brasileiro

12 abril 2006

Carta Branca

O inqualificável acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, desculpabilizando e até recomendando a aplicação de castigos corporais na educação de crianças deficientes, é um claro sintoma do estado actual da nossa magistratura.

É também uma excelente oportunidade para se debater o estatuto e a responsabilização dos juizes pelos seus actos no presente ordenamento jurídico português.

Será desejável ou mesmo aceitável para um Estado de Direito, que os magistrados possam emitir juizos de valor e de moral, mesmo quando estes atropelam não só as Convenções internacionais a que Portugal livremente se associou, mas também as mais elementares regras da humanidade e do bom senso?

Sabendo-se que a defesa corporativa das diversas associações do sector jamais permitirá uma auto-avaliação consequente, não terá chegado o momento do Poder Legislativo actuar e limitar o poder quase absoluto que actualmente detêm os magistrados nos nossos tribunais?

Quando juizes em topo de carreira são capazes de barbaridades como a deste caso e até se dão ao luxo de classificar como negligentes os pais que não punem fisicamente os seus filhos, é porque já entramos no campo do absurdo e do delírio.

Mais do que isso, é também um exemplo do que pode ocorrer quando uma classe profissional com tamanho relevo e poder , recebe carta branca da sociedade para o exercício de suas funções sem ter que responder perante ninguém pela sua correcção.

Está nos livros...

11 abril 2006

O Barrete Marshall

No último fim de semana foi realizada mais uma eliminatória da Taça de Portugal de Xadrez.

Em Coimbra a equipa principal da Académica, 3ª colocada no último Nacional da 1ª Divisão, defrontou a AD Figueiró dos Vinhos do 3º Escalão Nacional.

Sem grandes surpresas a vitória sorriu por 3 a 1 à equipa da casa.

A única vitória dos visitantes foi conseguida pelo também academista António Curado, talvez o maior especialista português sobre o mundo do Xadrez e que actualmente representa o clube da sua terra natal.

Perante um adversário mais cotado, conhecido pelos nervos de aço e jogo extremamente sólido, o Mestre Curado não se intimidou e jogando o agressivo Ataque Marshall embarretou literalmente o sempre amável mas desconsolado Ricardo Evangelista.

Vale a pena ver:

RICARDO EVANGELISTA ( 2117 ) x ANTÓNIO CURADO (1781)
Coimbra – 8 de Abril de 2006 – Taça de Portugal
Ataque Marshall – C89


1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 a6 4.Ba4 Cf6 5.0–0 b5 6.Bb3 Be7 7.Te1 0–0 8.c3 d5

Lance constituinte do Ataque Marshall, uma das mais dissecadas linhas da imensa teoria de aberturas do Xadrez.

9.exd5 Cxd5 10.Cxe5 Cxe5 11.Txe5 c6 12.d4 Bd6 13.Te1 Dh4 14.g3 Dh3 15.Te4 g5 16.Bxg5 ?


Caindo na arapuca! Um lance que literalmente deixa as brancas em posição de frango assado!

16...Df5 ! 17.Bxd5 cxd5 18.Be7 tentando espernear ...

18...Dxe4 19.Bxd6 Bh3 20.f3 De3+ 21.Rh1 Df2 e as brancas abandonaram perante o mate inevitável.

Moral da história: Mais vale um barrete bem preparado que um peão bem envenenado!

01 abril 2006

Incoerência


É por estas e por outras que a credibilidade dos políticos está pelas ruas da amargura.

A carta acima foi escrita por José Serra, actual prefeito de São Paulo, e candidato derrotado por Lula nas últimas eleições presidenciais.

Num daqueles actos de campanha, que têm tanto de demagogia como de irresponsabilidade, Serra comprometeu-se em 2004, e por escrito, a não abandonar a Prefeitura da maior cidade do Brasil, até ao fim do mandato, caso viesse a ser eleito.

Acaba agora de lançar-se candidato a Governador do Estado, e só não vai enfrentar Lula em Outubro porque não fez finca-pé. Deixou a espinhosa missão para Geraldo Alckmin.

O facto de um político competente e estruturalmente sério como José Serra, cometer uma idiotice destas, serve bem de exemplo do quão artificiais e minadas são as campanhas eleitorais. Privilegia-se a forma em detrimento do conteúdo, aposta-se na frase retumbante ao invés da sinceridade, manipulam-se as emoções deixando cair a razão. Com os resultados que estão à vista.

Serra muito provavelmente será eleito Governador de São Paulo, graças à obra feita e ao carisma que acumulou nos muitos anos que leva de política. Teria sido aliás o melhor candidato para enfrentar a quadrilha de Lula e talvez o único capaz de desalojar a camarilha do PT ávida por continuar o saque dos cofres públicos.

Mas infantilidades como esta, apenas servem para municiar os adversários e colocar em xeque algo que num político jamais deveria faltar: A palavra!

No entanto, como lembra e bem Francisco José Viegas, a militância do PT sempre disposta a perdoar os «erros» do Partido, em compreender os «desvios» de Dirceu e Cª. , em desvalorizar o mensalão, em ignorar a estranha morte de Celso Daniel, em desculpabilizar as vigarices na CPI e todo um rol interminável de barbaridades, indigna-se agora com a incoerência de Serra.

Estranha moral a dos companheiros!

Crime Consumado

E pronto!
O crime foi consumado.
A TV Cabo trocou o GNT pela Record Internacional.

Regras do mercado dizem eles...Incompetência e falta de respeito pelos clientes, digo eu.

A Netcabo já a despachei. É bem provável que o serviço de televisão vá a seguir.

Afinal, vulgaridade por vulgaridade, a da concorrência é pelo menos mais barata!

31 março 2006

Casa Rosada

Não satisfeito em nos mostrar algumas facetas de São Paulo, o Elton Melo resolveu agora nos presentear com suas fotos da magnífica Buenos Aires.

Está tudo no Tierra Esquisita.

28 março 2006

A Queda de Palocci

Acusado por crimes de formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e corrupção passiva, caiu finalmente o poderoso ministro das finanças de Lula, Antônio Palocci.

Enterrado até ao pescoço num tenebroso caso que envolve ainda uma rede de prostituição e a quebra do sigilo bancário de uma testemunha, o antigo Prefeito de Ribeirão Preto e sustentáculo da ortodoxia económica da administração Lula, sai de cena para preservar o candidato-presidente.

Mesmo passado praticamente um ano, desde o início do gigantesco escândalo de corrupção envolvendo o governo Lula e seus apoiantes, é incrível como a quadrilha do Partido dos Trabalhadores ainda nos consegue surpreender.

Desde mesadas a deputados corruptos, passando por dólares nas cuecas, orgias em puteiros de luxo, assassínios mal esclarecidos e uma dose descomunal de cinismo e falta de vergonha na cara, tudo nesta história nos arrepia e envergonha. Em se tratando de picaretagem, Lula e seus assistentes são simplesmente imbatíveis. Perto deles Mobutu e Ferdinando Marcos até parecem meninos de coro !

Com a queda de Palocci, ganha peso a ala xiita do PT. A mesma que sempre condenou a manutenção da política financeira herdada do governo Fernando Henrique, e que no meio de toda esta tragédia permitiu alguma estabilidade e crescimento económico.

Em ano de eleições é fácil de prever como serão os próximos meses.
O pior ainda está por vir...

23 março 2006

21 março 2006

O Factor Garotinho


Depois do PSDB, é agora a vez do PMDB definir o seu candidato às eleições presidenciais. Tudo indica que será o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho.

Herdeiro das tradições mais populistas de Leonel Brizola, receptor do importante eleitorado evangélico, e demagogo com grandes dotes de oratória, Garotinho será um factor a ter em conta no desenvolvimento da campanha.

Não beliscará de certeza a hegemonia de Lula e muito previsivelmente ficará atrás de Alckmin, mas o seu discurso simplista, suas soluções fáceis e a manipulação do sentimento religioso, chegarão provavelmente para consolidar a sua liderança numa parte significativa do eleitorado.

Centro político e cultural do Brasil durante séculos, o Rio de Janeiro mergulhou com a mudança da capital para Brasília, num processo de decadência cujas consequências estão à vista.

Administrações desastrosas como as de Brizola e Garotinho, levaram o Rio ao caos e ao quase desaparecimento da autoridade do Estado. Acontecimentos como os dos últimos dias, em que o exército foi obrigado a negociar a devolução de armas roubadas com os traficantes de droga, são uma consequência lógica mas absurda, de anos de prevalência de populismo, demagogia e excesso de politicamente correcto.

Ainda existe no entanto, muito mercado para este tipo de política.
Garotinhos há muitos.
E não só Brasil...

19 março 2006

Fernando Gil (1937-2006)



Portugal perdeu hoje uma das suas mais lúcidas, sensatas e importantes vozes.

Desapareceu em Paris o filósofo, professor e ensaísta Fernando Gil.

18 março 2006

A Candidatura de Alckmin

O Palácio dos Bandeirantes - sede do governo do Estado de São Paulo - tem tido ao longo da sua existência inquilinos muito pouco recomendáveis.

Mesmo deixando de lado figuras históricas de má memória, como o populista Ademar de Barros - o homem do rouba mas faz - basta recorrer às ultimas décadas, para constatar que estas ficaram negativamente marcadas por governadores do calibre de Paulo Maluf, Orestes Quércia e Luiz António Fleury Filho.

Uma excepção a essa triste regra, tem sido o actual governador paulista, Geraldo José Alckmin, que desde a morte do saudoso Mário Covas, tem feito com discrição e eficiência uma gestão marcada pelo rigor, seriedade e altos níveis de aprovação. Um profundo corte com algumas das inqualificáveis e já citadas administrações anteriores.

Pois bem, Alckmin acaba de ser confirmado pelo PSDB, como o candidato tucano às presidenciais de Outubro próximo. Superou com êxito a acirrada disputa interna com o favorito José Serra e tem pela frente uma tarefa quase impossível que é chegar ao Planalto.

E digo impossível, porque além de ter pouca notoriedade fora do eixo Rio-São Paulo-Minas, faltam a Alckmin, o carisma, o descaramento, o cinismo e a falta de escrúpulos do actual presidente Luís Ignácio Lula da Silva.

Lula, responsável maior seja por desconhecimento seja por omissão, pelo mensalão - o maior escândalo de corrupção da História do Brasil - há muito deixou de ser aquele simplório bonacheirão e bem intencionado que fazia as delícias dos comentadores internacionais.

Com a chegada ao poder sofisticou-se, no pior sentido do termo, e como bem demonstrou na já famosa entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura, aprendeu todos os truques da baixa política, assimilando a prática e a doutrina do coronelismo que sempre afirmou combater.
No tête-à -tête eleitoral será por isso imbatível.

Numa eleição em que se jogará o futuro do PT e sabendo-se que o actual partido do poder não hesitará em usar todas as armas para conservar as lucrativas estruturas do Estado Federal, dificilmente Alckmin terá estofo para aguentar a pressão e a força dos muitos milhões de dólares que o Partido dos Trabalhadores colocará no terreno. Aliás, na era do mensalão, dinheiro e cara-de-pau não faltarão de certeza a Lula e seu partido.

Junte-se a isso a fraca memória coletiva do povo brasileiro e os bons indicadores económicos, derivados da política iniciada no governo Fernando Henrique - e que Lula teve o bom senso de prosseguir - para fazer de Alckmin um candidato derrotado à partida.

Enganam-se no entanto, os que pensam que o vencedor será Lula.
Será José Dirceu!

16 março 2006

Brito Camacho e o artista D. Carlos

No blog O Amigo do Povo, João Miguel Almeida lembra uma venenosa expressão que teria sido popularizada por Manuel Brito Camacho, um dos grandes vultos da propaganda republicana e líder político de relevo no combate a Afonso Costa no pós-1910.

A mordacidade, foi aliás, a grande arma do líder unionista no decorrer da sua longa carreira de político e jornalista.

Um exemplo sublime:

Nos derradeiros anos da Monarquia, Brito Camacho fundou o diário republicano A Lucta caracterizado por uma linguagem moderada no formato mas assassina na ironia.

Na edição de 21 de Fevereiro de 1906, podemos encontrar a seguinte pérola:

«A imprensa monárquica sem discrepâncias, anda há dias a encarecer o altíssimo valor de uma aguarela exposta pelo sr. D. Carlos em Paris, na galeria Georges Petit. Nada entendemos de coisas de arte, mas visto que o dizem colegas tão autorizados, também nós concordamos que o rei é um grande artista.»

14 março 2006

Notas da Guerra Grande VII - Adeus, Chamigo Brasileiro

Da autoria do antropólogo e desenhador André Toral, esta interessante Banda Desenhada constitui uma original abordagem à História da Guerra do Paraguai.

Nascida como parte da tese de doutoramento apresentada pelo autor em 1997 no Departamento de História da Universidade de São Paulo, aborda alguns dos principais momentos da guerra - Batalha de Tuiutí, Batalha de Curupaiti, a conquista de Humaitá - e recria algumas personagens fundamentais para o enquadramento humano do conflito, como os Voluntários da Pátria, os sacrificados soldados paraguaios e até mesmo o argentino Candido Lopez, figura central da iconografia da Guerra da Tríplice Aliança.

Autor com obra feita - colaborador em publicações marcantes como as saudosas revistas brasileiras dos anos 80 - Chiclete com Banana e Animal - André Toral alia a sua faceta de criador à de investigador, proporcionando a todos aqueles que se interessam pelo tema, um valioso aporte bibliográfico.

(TORAL, André, Adeus, Chamigo Brasileiro , São Paulo, Companhia das Letras, 1999.)

NOTAS DA GUERRA GRANDE VI - Homenagem a Roa Bastos

13 março 2006

Exames

O governo anunciou hoje uma das mais esperadas e necessárias medidas na área da educação: A realização de exames para acesso à carreira docente.

Há muito que o processo de seriação dos candidatos ao ensino está viciado pelas classificações irrealistas que algumas faculdades insistem em atribuir aos seus alunos. Tal facto, leva a uma total perversão do sistema, premiando não as melhores universidades e cursos, mas sim aquelas que usam e abusam do facilitismo.

Um estudante que queira hoje em dia cursar uma faculdade de ponta, fatalmente será prejudicado no futuro, pois apesar da sua formação ser de maior qualidade, as suas notas provavelmente serão inferiores aos oriundos das ESE's e Politécnicos da vida.

A ser posta em prática a seriação, medida há muito reivindicada por todos os que defendem uma escola de qualidade, Portugal dará um passo de gigante para romper com o ciclo vicioso que há muito corrompe o nosso sistema de ensino.

Só é pena, que uma vez mais, os sindicatos do sector se mostrem tão empenhados na manutenção da mediocridade e do status quo vigente. Parece que falar em qualidade e justiça a alguns sindicalistas constitui um autêntico crime de lesa-pátria.

11 março 2006

Levon Aronian




Em 2005 ganhou a Taça do Mundo.

Agora brilhou em Linares, vencendo o mais importante torneio do circuito e ficando à frente do Campeão Mundial Vesselin Topalov.

Fixem bem este nome.

Levon Aronian veio para ficar!

Livraria Ateneo


A Lello que me perdoe, mas a mais bonita livraria do mundo fica no número 1860 da Avenida Santa Fé em Buenos Aires.



09 março 2006

Selva de Pedra




Carência Democrática

Há uns tempos atrás Pacheco Pereira dizia existirem três partidos democráticos no nosso parlamento: PS, PSD e CDS. Logo se levantou um coro de protestos pela exclusão do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português do rol das forças comprometidas com a Democracia.

Pois bem, hoje os deputados do BE e do PCP resolveram dar razão a Pacheco Pereira ao ficarem em silêncio no momento do juramento e posse de Cavaco Silva.

Mostraram azedume, falta de sentido de estado e uma enorme carência democrática.

Se é de todo legítimo que não aplaudissem o discurso do novo presidente e discordassem do seu conteúdo - como aliás fizeram os deputados do PS - é no mínimo insólito que não tenham legitimado a declaração de compromisso, feita nos termos e no momento indicados pela Constituição da República.

No fundo, o que quiseram demonstrar é que não aceitam os resultados das eleições, mecanismo das «democracias burguesas», e que só o pragmatismo e falta de força os leva a acatar.

Os estalinismo e o maoísmo, enrustidos numa capa de pseudo-modernidade, continuam vivos nos partidos ditos revolucionários. Em pleno Séc. XXI continuam a viver nos inesquecíveis tempos de 1917...

08 março 2006

Balanço

Mais do que pela a entrada de Cavaco Silva, o dia 9 de Março fica marcado pela saída do pior presidente dos nossos trinta anos de democracia.

Jorge Sampaio assistiu de braços cruzados à destruição económica do país pelas mãos de António Guterres e seu desastroso governo, e foi somente quando o Partido Socialista perdeu o poder, que o presidente agora cessante descobriu que para além dos discursos fechados e ininteligíveis, poderia exercer também a tal magistratura de influência.

Aliás, quando se começava a falar em rigor, até descobriu que havia vida para além do défice!!!

Num momento em que tanto se fala da crise da justica, é importante também não esquecer o forte contributo de Jorge Sampaio para a descredibilização do sector.

Muito preocupado com as tradições, não hesitou em desprestigiar o Estado de direito e os tribunais, e colocou-se ao lado dos criminosos de Barrancos em clara desmoralização da lei vigente. Foi como se lembram, o principal responsável pela legalização das touradas de morte, retrocesso civilizacional de décadas, e que para desgraça de todos nós, acabou por ser o grande legado dos dez anos de mandato de Sampaio na presidência.

Mesmo passando ao lado do episódio Santana Lopes, situação para a qual foi arrastado e em que pouco mais poderia ter feito, o certo é que Jorge Sampaio deixa o Palácio de Belém com o país numa situação incomparavelmente pior do que aquela que encontrou. Sabendo-se que não é o único responsável, não deixa no entanto de ser um triste balanço.

Dir-me-ão de certeza, que sai com altos índices de popularidade.

Mas num país que cultiva a mediocridade, a passividade e o cinzentismo, outra coisa seria de esperar?

06 março 2006

Farida Arouche


Nasceu na Argélia, tem 25 anos e é Mestre Internacional Feminina.
Lindo nome para uma jogadora de Xadrez!

04 março 2006

Indústria

Será que a cultura do porno respeitabilizou-se e deixou de ser apenas um segredo mal escondido na esmagadora maioria dos armários contemporâneos?

A profusão de documentários, livros e sites dedicados, não ao hardcore puro e duro, mas sim à biografia das suas estrelas e ao dia a dia da indústria indicia que já não é preciso espreitar atrás da porta verde...

Boogie Nights e Wonderland no cinema.

Jeena Jameson e Nacho Vidal nos escaparates.


(BARBA, David, Nacho Vidal-Confesiones de una estrella del porno, Madrid, Ed. Martinez Roca, 2004)