19 julho 2006

Emoção

Chega a ser comovente o empenho de alguns engajados em glorificar as acções de resistência do Hezbollah e do Hamas.

Quase me fazem chorar os mails e as correntes denunciando as atrocidades sionistas e sua acção genocidária, principalmente por demonstrarem tanto humanismo, tanta preocupação com os civis, tanto amor aos velhinhos e às criancinhas de Beirute e da Faixa de Gaza!!!

E o que dizer nas denúncias de fonte segura que demonstram a utilização de armas químicas pelos judeus - esses malvados - e a perseguição aos pobrezinhos do país do cedro que apenas querem comungar espiritualmente com seus irmãos pacifistas da Síria e do Irão?!

É tão lindo encontrar nos dias de hoje tanto amor e compaixão...

Olimpíadas

Nas Olimpíadas Internacionais de Matemática realizadas na Eslovénia, Portugal obteve três medalhas de bronze. Mais do que tinha conseguido em todas as anteriores edições juntas!

É o que acontece quando se prepara os alunos com profissionalismo, rigor e competitividade.

Um exemplo a ser observado por todos os que têm responsabilidades no sector.

16 julho 2006

Costas Largas

Os noticiários da noite passam uma interminável sequência de imagens da Beirute destruída e usam e abusam dos depoimentos de estrangeiros residentes na capital libanesa. Tudo converge para «denunciar» a ofensiva de Israel e exaltar as vítimas civis.

Não se ouve no entanto nenhum depoimento da população da cidade israelita de Haifa - vítima dos mísseis do Hezbollah - nem dos familiares dos soldados capturados pelos grupos extremistas da região. Esse lado da questão não interessa aos meios de comunicação que uma vez mais escolheram o seu lado.

Nas reportagens, na escolha das manchetes, nas colunas de opinião, nas entrevistas, apenas existe um culpado: Israel.

O terrorismo continua com as costas largas.

Consequência Lógica

Quando o grupo extremista Hamas chegou ao poder na Palestina, algumas almas bem intencionadas viram nisso um facto positivo que necessariamente iria levar os veteranos terroristas a moderarem seu discurso e suas acções.

O resultado está à vista.

11 julho 2006

Lata

Gilberto Madaíl conseguiu em pouco mais de 48 horas mandar para o espaço grande parte do capital de simpatia que tinha conseguido com a participação portuguesa na Alemanha.

Até já dá para agradecer aos franceses a nossa derrota. Imaginem só o que pediria o Presidente da Federação se ao invés do 4º lugar tivéssemos voltado com o caneco...

08 julho 2006

Como o Azeite

Depois da derrota para a França, foi nítida a mudança de tom de Filipão e o consequente baixar de braços para o jogo com a Alemanha.

Com isso os jogadores voltaram ao normal e renderam aquilo que realmente sabem.

Ricardo e Petit não me deixam mentir!

06 julho 2006

Mau Perder

Depois de uma campanha memorável que fez esquecer as miseráveis prestações anteriores e o comportamento anti-desportivo que há muito caracteriza o futebol português, o pior da alma lusitana volta à superfície e já começou o choradinho de costume.

Com Filipão dando o mote, a «opinião pública» e o seu patriotismo de pacotilha vocifera contra uma conspiração maquiavélica que terá tirado Portugal da final. É a tese peregrina do «patinho feio», e que traz à tona o Portugal profundo e perdedor que durante um mês esteve escondido pelas surpreendentes vitórias.

Se a imagem dos futebolistas portugueses é miserável - como o lembraram até à exaustão ingleses e franceses - isso deve-se fundamentalmente ao comportamento de nossos atletas como nos casos de Abel Xavier em 2000 ou João Pinto em 2002. Se nunca vencemos nada - e desta feita estivemos muito perto - é pela eterna fuga de responsabilidades que vê sempre nos outros os culpados pelos nossos desaires.

Teria sido muito mais bonito se Filipão e alguns dos seus pupilos e adeptos, tivessem tido na derrota a mesma dignidade que tiveram nas vitórias. Bonito e útil. Mas com o andar da carruagem tudo indica que voltaremos à ladainha habitual e que de nada terá servido este pequeno período de triunfos.

O velho Portugal parece estar de volta.

05 julho 2006

Acabou

Filipão pode se orgulhar do que conseguiu.

Levou Portugal até à elite e acabou com as vitórias morais que não davam sequer para a primeira fase.

A ele - e fundamentalmente a ele - se deve esta campanha. Por mais que isso custe a alguns...

Mas será que não podia ter perdido com mais dignidade e evitado aquelas declarações desajeitadas no fim do jogo?

04 julho 2006

Terceiro Aniversário

Está de parabéns o Paulo Gorjão pelos três anos do seu Bloguítica.

Eu, que prefiro os blogs individuais aos colectivos, tenho desde os tempos do pioneiro Bloguítica Internacional, Paulo Gorjão como uma das referências da blogosfera.

Um nome que faz a diferença.

03 julho 2006

A RTP e as Touradas

O facto do canal público transmitir a chafurdice das touradas é por si só bastante grave.
Mas agora, em nome do marialvismo, até deu para promover criminosos e suas espúrias iniciativas.

País do Futuro

O mesmo povo que assistiu bovinamente a instauração de um regime cleptocrático em Brasília e vai reconduzir os larápios da estrela ao poder, clama cheio de revolta por vingança e pede a cabeça de Parreira e Cª.

É assim o país do futuro.

02 julho 2006

Reconhecimento

Durante décadas a fio, a ausência da Selecção Portuguesa ou as suas medíocres prestações, levaram a imensa maioria dos portugueses a torcer pelo Brasil nas Copas.

Desta feita com os canarinhos de fora e a façanha de Luís Filipe Scolari, é a vez dos brasileiros em peso torcerem por Portugal. Só isto é uma prova inequívoca do sucesso de Filipão.

Eu que morando em São Paulo sofri com a falta de Portugal em 1982 e 1990, e corei de vergonha com o que se passou em 1986, imagino bem o que sentem neste momento os lusitanos do Canindé e do Pari perante a actual campanha.

Não que considere o futebol a salvação da pátria ou o objectivo maior da nacão.
Quem me conhece sabe bem que me estou nas tintas para isso.

Não canto o hino - que considero uma aberração - não acho que somos os maiores, continuo a achar o futebol lusitano fraquinho e não penso que o Mundial fará de nós vencedores.

É apenas um jogo.

Mas só quem já viveu fora do seu país sabe o que significa um triunfo desportivo desta dimensão para um expatriado. E por tudo isso preferia ter vivido este momento nas ruas do velho centro paulistano.