22 julho 2006

Notas da Guerra Grande XII

Os municípios de Bela Vista, Nioaque, Jardim e Guia Lopes da Laguna realizam a partir de amanhã a IV Marcha Cívico-Cultural da Retirada da Laguna, que se estende até o dia 25 deste mês. O evento prevê visitas a sítios históricos, caminhadas até as fazendas que foram palco da retirada e simulação dos combates, ocorridos em 4 de junho de 1867.
(....)

Fonte:

Édson Sibila em 21 de Julho no Campo Grande News.

Notas da Guerra Grande XI

21 julho 2006

Três Anos de Klepsýdra

A não perder o programa das festas do terceiro aniversário do Klepsýdra.

É bem verdade que estão ausentes algumas figuras emblemáticas do blog - Maria de Fátima Bonifácio, Luís Felipe Scolari, Michael Moore e Vítor Baía - mas o brilhantismo do restante elenco garante a excelência.

Mal habituados como estamos, esperamos do sócio-gerente da casa - Rui Curado Silva - mais um ano com a diversidade, militância e qualidade que tornaram o Klepsýdra numa das grandes referências da blogosfera nacional.

E nós cá estaremos para aplaudir e discordar, na maior parte das vezes em simultâneo!

Aquele abraço Rui!

19 julho 2006

Emoção

Chega a ser comovente o empenho de alguns engajados em glorificar as acções de resistência do Hezbollah e do Hamas.

Quase me fazem chorar os mails e as correntes denunciando as atrocidades sionistas e sua acção genocidária, principalmente por demonstrarem tanto humanismo, tanta preocupação com os civis, tanto amor aos velhinhos e às criancinhas de Beirute e da Faixa de Gaza!!!

E o que dizer nas denúncias de fonte segura que demonstram a utilização de armas químicas pelos judeus - esses malvados - e a perseguição aos pobrezinhos do país do cedro que apenas querem comungar espiritualmente com seus irmãos pacifistas da Síria e do Irão?!

É tão lindo encontrar nos dias de hoje tanto amor e compaixão...

Olimpíadas

Nas Olimpíadas Internacionais de Matemática realizadas na Eslovénia, Portugal obteve três medalhas de bronze. Mais do que tinha conseguido em todas as anteriores edições juntas!

É o que acontece quando se prepara os alunos com profissionalismo, rigor e competitividade.

Um exemplo a ser observado por todos os que têm responsabilidades no sector.

16 julho 2006

Costas Largas

Os noticiários da noite passam uma interminável sequência de imagens da Beirute destruída e usam e abusam dos depoimentos de estrangeiros residentes na capital libanesa. Tudo converge para «denunciar» a ofensiva de Israel e exaltar as vítimas civis.

Não se ouve no entanto nenhum depoimento da população da cidade israelita de Haifa - vítima dos mísseis do Hezbollah - nem dos familiares dos soldados capturados pelos grupos extremistas da região. Esse lado da questão não interessa aos meios de comunicação que uma vez mais escolheram o seu lado.

Nas reportagens, na escolha das manchetes, nas colunas de opinião, nas entrevistas, apenas existe um culpado: Israel.

O terrorismo continua com as costas largas.

Consequência Lógica

Quando o grupo extremista Hamas chegou ao poder na Palestina, algumas almas bem intencionadas viram nisso um facto positivo que necessariamente iria levar os veteranos terroristas a moderarem seu discurso e suas acções.

O resultado está à vista.

11 julho 2006

Lata

Gilberto Madaíl conseguiu em pouco mais de 48 horas mandar para o espaço grande parte do capital de simpatia que tinha conseguido com a participação portuguesa na Alemanha.

Até já dá para agradecer aos franceses a nossa derrota. Imaginem só o que pediria o Presidente da Federação se ao invés do 4º lugar tivéssemos voltado com o caneco...

08 julho 2006

Como o Azeite

Depois da derrota para a França, foi nítida a mudança de tom de Filipão e o consequente baixar de braços para o jogo com a Alemanha.

Com isso os jogadores voltaram ao normal e renderam aquilo que realmente sabem.

Ricardo e Petit não me deixam mentir!

06 julho 2006

Mau Perder

Depois de uma campanha memorável que fez esquecer as miseráveis prestações anteriores e o comportamento anti-desportivo que há muito caracteriza o futebol português, o pior da alma lusitana volta à superfície e já começou o choradinho de costume.

Com Filipão dando o mote, a «opinião pública» e o seu patriotismo de pacotilha vocifera contra uma conspiração maquiavélica que terá tirado Portugal da final. É a tese peregrina do «patinho feio», e que traz à tona o Portugal profundo e perdedor que durante um mês esteve escondido pelas surpreendentes vitórias.

Se a imagem dos futebolistas portugueses é miserável - como o lembraram até à exaustão ingleses e franceses - isso deve-se fundamentalmente ao comportamento de nossos atletas como nos casos de Abel Xavier em 2000 ou João Pinto em 2002. Se nunca vencemos nada - e desta feita estivemos muito perto - é pela eterna fuga de responsabilidades que vê sempre nos outros os culpados pelos nossos desaires.

Teria sido muito mais bonito se Filipão e alguns dos seus pupilos e adeptos, tivessem tido na derrota a mesma dignidade que tiveram nas vitórias. Bonito e útil. Mas com o andar da carruagem tudo indica que voltaremos à ladainha habitual e que de nada terá servido este pequeno período de triunfos.

O velho Portugal parece estar de volta.

05 julho 2006

Acabou

Filipão pode se orgulhar do que conseguiu.

Levou Portugal até à elite e acabou com as vitórias morais que não davam sequer para a primeira fase.

A ele - e fundamentalmente a ele - se deve esta campanha. Por mais que isso custe a alguns...

Mas será que não podia ter perdido com mais dignidade e evitado aquelas declarações desajeitadas no fim do jogo?

04 julho 2006

Terceiro Aniversário

Está de parabéns o Paulo Gorjão pelos três anos do seu Bloguítica.

Eu, que prefiro os blogs individuais aos colectivos, tenho desde os tempos do pioneiro Bloguítica Internacional, Paulo Gorjão como uma das referências da blogosfera.

Um nome que faz a diferença.

03 julho 2006

A RTP e as Touradas

O facto do canal público transmitir a chafurdice das touradas é por si só bastante grave.
Mas agora, em nome do marialvismo, até deu para promover criminosos e suas espúrias iniciativas.

País do Futuro

O mesmo povo que assistiu bovinamente a instauração de um regime cleptocrático em Brasília e vai reconduzir os larápios da estrela ao poder, clama cheio de revolta por vingança e pede a cabeça de Parreira e Cª.

É assim o país do futuro.

02 julho 2006

Reconhecimento

Durante décadas a fio, a ausência da Selecção Portuguesa ou as suas medíocres prestações, levaram a imensa maioria dos portugueses a torcer pelo Brasil nas Copas.

Desta feita com os canarinhos de fora e a façanha de Luís Filipe Scolari, é a vez dos brasileiros em peso torcerem por Portugal. Só isto é uma prova inequívoca do sucesso de Filipão.

Eu que morando em São Paulo sofri com a falta de Portugal em 1982 e 1990, e corei de vergonha com o que se passou em 1986, imagino bem o que sentem neste momento os lusitanos do Canindé e do Pari perante a actual campanha.

Não que considere o futebol a salvação da pátria ou o objectivo maior da nacão.
Quem me conhece sabe bem que me estou nas tintas para isso.

Não canto o hino - que considero uma aberração - não acho que somos os maiores, continuo a achar o futebol lusitano fraquinho e não penso que o Mundial fará de nós vencedores.

É apenas um jogo.

Mas só quem já viveu fora do seu país sabe o que significa um triunfo desportivo desta dimensão para um expatriado. E por tudo isso preferia ter vivido este momento nas ruas do velho centro paulistano.

01 julho 2006

Quadrados

Zinedine Zidane comandou o show françês.

O Brasil prometeu um Quadrado Mágico e apresentou uma Bola Quadrada!

Filipão põe Portugal nas Meias-Finais

Este homem é um espectáculo!!!

30 junho 2006

Portenho

Da Boca à Recoleta lamenta-se a eliminação da Argentina.

Eu, que à minha maneira aprendi a ser portenho, estou solidário.


Até 2010 resta-me suspirar por um delicioso Lomito do Café da Biela ou até mesmo do velhinho e tradicional Tortoni


Café da Biela - Buenos Aires

Boa Notícia

Finalmente caiu o Grande Inquisidor!

A Conspiração Contra a América

Da peste bubónica ao terramoto de 1755, da fome no mundo ao 11 de Setembro, poucas foram as tragédias humanas que não foram imputadas ao judeus.

Num tempo em que à pala do apoio politicamente correcto à causa palestiniana, o anti-semitismo floresce sob a capa da modernidade, é muito interessante a forma como Philip Roth ficciona o preconceito.

Uma obra notável do premiado autor americano.

(ROTH, Philip, A Conspiração Contra a América, Lisboa: Dom Quixote, 2005)

28 junho 2006

O Descalabro da APM

Sabendo-se da mediocridade do ensino da matemática nas nossas escolas e o estado catastrófico da matéria em Portugal, é esclarecedor ler as pérolas publicadas hoje no Público pela Direcção da Associação de Professores de Matemática (APM) em relação aos exames nacionais de ontem:

Onde está a utilização da capacidade gráfica da calculadora?
Decerto que no próximo ano lectivo muito dificilmente se conseguirá convencer os alunos a adquirirem uma calculadora gráfica!
(...)
Apelo ao cálculo (demasiado) nas questões 3.4 e 3.5. Em nosso entender, o apelo ao cálculo, para obtenção dos intervalos de confiança, é repetitivo e permite que o estudante entre no cálculo pelo cálculo, na fórmula pela fórmula, podendo não compreender o contexto e mesmo assim obter a cotação praticamente toda da questão.
(...)
Esta questão exige uma resolução analítica que contraria totalmente o espírito do programa. Por este motivo, parece desnecessário pedir o recurso à calculadora na resolução de qualquer questão, como acontece na alínea 5.2. O programa é claro no sentido de não restringir o uso da calculadora gráfica,e, ao invés, incentiva o uso da mesma e da tecnologia em geral.
(...)
A prova apresenta aspectos de pormenor que não se coadunam, mais uma vez, com as orientações emanadas do programa. Por exemplo, a exigência de apresentar o valor da probabilidade sob a forma de uma fracção irredutível. Para quê? A apresentação sob a forma de um polinómio reduzido. Para quê ?

Mas será que estão todos doidos?

Até quando se permitirá que este tipo de entidades (e programas) continuem a destruir impunemente o ensino em Portugal e hipotecar o futuro das novas gerações?

27 junho 2006

Até Ver

Caiu de pé a equipa mais simpática do Mundial.
Deixa saudades este Gana!

25 junho 2006

Fairplay

A Gazeta Esportiva descreve a batalha como um drama à Filipão.

Eu diria que, emoção à parte, foi um jogo digno das minhas peladas de Terça-Feira à noite.

Percepções

A Fundação Perseu Abramo , entidade ligada ao PT, acaba de divulgar um amplo estudo sobre a percepção da população brasileira em relação aos múltiplos escândalos de corrupção do governo de Lula da Silva.

O mais assustador dos dados é o que indica que apenas 2% dos entrevistados, repito, 2% dos entrevistados, acredita que não existiu nenhum esquema de corrupção entre o governo e os deputados do Congresso Nacional.

No entanto, todas as pesquisas sem excepção, apontam para uma vitória esmagadora de Lula nas eleições presidenciais do final do ano!

Como explicar isto? Gostava de poder avançar com múltiplos dados sociológicos ou com singelas explicações de almanaque, mas infelizmente a principal conclusão que daqui se pode tirar é que o brasileiro médio perdeu completamente os escrúpulos e não vê nada de mal em ter um corrupto como Presidente na República.

No fundo até admira o «companheiro» que saindo do nada conseguiu com muita esperteza - o famigerado jeitinho brasileiro - ascender na escala social e utilizar a política para enriquecer os seus.

É uma total perversão de valores que não augura nada de bom para o futuro do Brasil. Mas que explica em grande parte o eterno país adiado!

Presunção

«Presidente - não se demita. Demita-o!
É o teor de um sms que acabo de enviar ao Presidente Xanana!»


Será que Ana Gomes não tem senso de ridículo?

Revivalismo

Trinta anos após a morte de Salazar há um novo serial killer nas Beiras.

22 junho 2006

Assustador

Depois da mais do que certa recandidatura de Lula à Presidência do Brasil, chegou a vez do famigerado Orestes Quércia anunciar que pretende voltar ao Governo de São Paulo.

A política brasileira cada vez mais parece uma casa dos horrores!

19 junho 2006

Obrigado John


Foi linda a comemoração de John Pentsil no segundo golo do Gana na magnífica exibição contra a República Checa.

Apesar de tudo ainda há no mundo da bola dignidade, gratidão e coragem.

18 junho 2006

Cúmplices

Por onde andam os artistas que tão convictamente ajudaram Lula e sua quadrilha a chegar ao poder? Por que tanto silêncio em relação ao Mensalão? Por que não se manifestam sobre o caso da Telemar e o súbito enriquecimento do filho do presidente?

Josias de Sousa mostra por onde andam alguns desses companheiros...

17 junho 2006

Sampa - Avenida 9 de Julho

Foto de Dot Allison

Espectáculo

Conhecessem os jogadores do Gana a lei do fora-de-jogo e teríamos tido hoje outro resultado à Argentina!

Filipão

Aconteça o que acontecer daqui para à frente, o certo é que Scolari já levou Portugal ao melhor resultado das últimas quatro décadas. E contra isso batatas.

16 junho 2006

Haja Corazón

Para acompanhar a justificada euforia argentina, nada como ler o blog de um brasileiro em Buenos Aires.

Desperdício

Magnífico o golo de Tevez no baile argentino de hoje .

Como pode um craque destes perder seu tempo no Corinthians?!

É até pecado!

Castigo

Eu que sou um fervoroso adepto das leis do mercado, estou a ter neste mundial o meu grande e merecido castigo.

Como me recuso a assinar a SPORTV, um pseudo-canal desportivo que passa metade do ano a transmitir futebol de várzea, não posso assistir no conforto do lar os jogos mais interessantes e importantes da competição.
Das duas uma: Ou limito-me aos resumos mal amanhados de fim de noite ou vou para os bares de má fama ver a bola ao lado da turba.

Ainda bem que isto só dura um mês.

Caso contrário ainda acabava por me tornar revolucionário e ir para a rua contestar a livre iniciativa e exigir uma televisão livre de exclusivos segregacionistas.

À cubana!

Medjugorje e Mecking : O Regresso

No final dos anos 80 virou moda no Brasil a adoração de Nossa Senhora de Medjugorje, uma Virgem domiciliada lá para os lados da antiga Jugoslávia.

Ainda me lembro de ter por casa um terço que uma alma caridosa nos ofereceu, ainda que fôssemos muito pouco crentes no que ao celestial diz respeito. As tradicionais Nossas Senhoras de Aparecida e de Fátima estavam com a popularidade em baixa, e fiel que se prezasse tinha que louvar a nova divindade que ainda por cima actuava num sinistro país comunista.

Em 1989 caiu o Muro de Berlim e com ele desabou também a Jugoslávia, que sem a mão pesada de Tito já há muito mostrava sinais de desagregação. Daí para a separação e a sanguinária guerra que se seguiu foi apenas um pulinho. Ou um Milosevicsinho...Mas isso é já outra história.

Com o eclodir do conflito desapareceu de cena a Nossa Senhora da hora. Talvez por Medjugorje ficar na Bósnia, terra pouco dada a grandes cristianismos, Nossa Senhora deve ter partido para outras bandas mais pacíficas e apesar de seus enormes poderes, não são conhecidos grandes milagres ou iniciativas procurando deter os inúmeros massacres que ali se cometeram. O facto da maioria dos locais ser muçulmana, também não deve ter ajudado muito a entidade divina.

Curioso como sou, já me tinha perguntado por onde andaria a Senhora, que tão subitamente desaparecera dos noticiários televisivos e do coração dos adoradores. Temia que tivesse desistido de actuar no pecaminoso e globalizado mundo contemporâneo.

Mas eis que esta semana sou surpreendido pela actuação do xadrezista brasileiro Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, antigo nº 3 do mundo, e que há quase vinte anos regressou aos tabuleiros depois de uma doença do foro neurológico, a miastenia gravis, o ter desenganado e afastado por muito tempo do Xadrez. Convertido desde então e já formado em teologia, Mequinho não desiste de chegar ao título mundial para assim poder divulgar a palavra de Deus.

É bem verdade que os resultados não têm sido brilhantes, e que Mequinho é uma sombra do que foi nos anos 70. Mas também é certo que acaba de conquistar em Lodi na Itália seu primeiro torneio internacional desde o retorno, e que segundo as suas próprias palavras, tal façanha apenas foi possível com a ajuda da também regressada Nossa Senhora de Medjugorje a quem foi prestar tributo após a conquista!!!

Uma história com final feliz como se vê.

15 junho 2006

Notas da Guerra Grande X - Novo Livro de Roa Bastos

Um ano após a sua morte sai agora a público um novo livro do escritor paraguaio Augusto Roa Bastos vencedor do Prémio Cervantes em 1989.

Apresentada esta semana em Assunção, a obra Pancha Garmendia e Elisa Lynch retoma o assunto Guerra da Tríplice Aliança recriando a vida das duas mulheres marcantes no percurso de Francisco Solano Lopez, o ditador que conduziu o Paraguai à destruição na segunda metade do Século XIX.

Ambientado no período compreendido entre 1855, ano de chegada da irlandesa Elisa Lynch a Assunção, e 1869 nas vésperas da morte de Solano Lopez pelas tropas brasileiras, o romance regressa a um tema caro a Roa Bastos e que sempre esteve presente nos seus escritos: A História do Paraguai e a caracterização dos grandes ditadores que a jovem nação conheceu ao longo da sua existência.

Sua obra maior é aliás , Yo el Supremo, um mosaico a respeito de Gaspar Rodrigues de Francia o homem que fechou o Paraguai ao mundo e preparou o terreno para o surgimento da dinastia dos Lopez já na segunda metade do Século XIX.

Como o livro provavelmente não será publicado em Portugal e é quase impossível obter edições paraguaias, resta-nos aguardar a provável tradução brasileira, ou ler o original quando da sua edição espanhola.

NOTAS DA GUERRA GRANDE IX- A Retirada de Laguna

Mundo dos Livros - Imersão

14 junho 2006

Irritantes

Eu até simpatizo com os alemães e acho mesmo que dificilmente perdem a Copa em casa.
Mas essa mania de ganhar jogos aos 46 minutos do segundo tempo já começa a irritar...

13 junho 2006

Origem

Difícil esta Croácia!
Valeu a pontaria do sempre tricolor Kaká...

12 junho 2006

Mascarado

Comentário da Gazeta Esportiva sobre o desempenho de Cristiano Ronaldo no jogo com Angola: Tropeçou na Máscara!

Era bom que o Filipão lhe explicasse o significado.

10 junho 2006

Revanche

São aos milhares aqueles que no Brasil e principalmente no Paraguai, ainda atribuem ao «imperialismo inglês» as culpas pela desastrosa aventura militar de Solano Lopez.

Eu que não partilho essa visão da Guerra da Tríplice Aliança, torci muito para que hoje os ingénuos tivessem sua pequena vingança. O jogo fazia-me lembrar a revanche argentina de 1986, em que a famosa «Mão de Deus» de Maradona, ajudou os portenhos a digerir a derrota das Malvinas.

Infelizmente o azar foi paraguaio. E Gamarra, nome maior do futebol guarani, ajudou a festa britânica com um golo contra nos primeiros minutos de jogo.

Não foi um dia de festa em Assunção.

Mundo dos Livros - Hay-on-Way - País de Gales

09 junho 2006

Fecharam-se as Cortinas

Através de uma magnífica crónica de Fernando Alves na TSF fiquei a saber da morte de Fiori Giglioti. Triste notícia no dia em que começa o Mundial.

Eu que passei a minha infância a escutar os golos do São Paulo narrados por Fiori na Rádio Bandeirantes, e a quem sempre preferi aos também excelentes Osmar Santos e José Silvério, sinto desde já uma grande nostalgia com seu desaparecimento.

Giglioti faz parte da história da rádio paulista e brasileira com seu estilo pausado, sereno e inconfundível. Como esquecer as expressões marcantes que usava durante os jogos e principalmente o terrível refrão, que me fazia gelar a espinha quando o Tricolor se portava mal no Morumbi e tinha que correr atrás do prejuizo?

O Tempo Passa! Gritava Fiori.
E eu, ainda miúdo, perdia anos de vida!

Tantas e tantas vezes os sons de Fiori, relatando os golos de Serginho e Careca e as defesas de Valdir Perez e Gilmar, tornaram mais alegres os meus Domingos e mais suportáveis as crises de solidão da adolescência!

Mesmo ganhando o Hexa, o futebol brasileiro já sai mais pobre deste 2006.

08 junho 2006

Sampa - Largo da Batata

Prémio

Tenho cá para mim, que não foi apenas a excelência de Longe de Manaus, a garantir a atribuição do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores a Francisco José Viegas.

O facto da Helena ser sãopaulina é que foi decisivo!

Um Novo Ídolo

A invasão e depredação da Câmara dos Deputados em Brasília, trouxe para a ribalta a carismática figura de Bruno Maranhão, um dos comandantes operacionais do quebra-quebra, cujas imagens correm o mundo e enaltecem o Brasil.

Nada mais justo para tão destacada figura até agora injustamente mantida em segundo plano.

De origem burguesa, mas sempre pronto para as lutas revolucionárias, Maranhão foi subindo a pulso na hierarquia militante até atingir aquilo que poucos se podem gabar: É membro de relevo em duas das maiores e mais organizadas quadrilhas do país:

A primeira, comandada oficialmente por Ricardo Berzoini e extra-oficialmente por Luís Inácio Lula da Silva, é líder incontestável do crime organizado no Brasil e conseguiu após alguns contratempos no último ano, recuperar fôlego preparando-se já para mais quatro anos de rentáveis operações no lucrativo submundo brasileiro. Chama-se Partido dos Trabalhadores e tem em Bruno Maranhão o seu coordenador para os Movimentos Populares.

A segunda denomina-se Movimento para a Libertação dos Sem-Terra, uma espécie de dissidência radicalizada do já globalizado MST, e dedica-se a promover seus líderes política e financeiramente através da exploração do sofrimento de incautos e miseráveis camponeses. Aqui Maranhão é dono e senhor! Simplesmente manda!

Só falta ao nosso herói uma participação activa no Primeiro Comando da Capital, o PCC, para seu currículo ser perfeito. Mas como sua base é Pernambuco, isso complica a adesão. É sem dúvida um ponto a melhorar...

Por questões táticas, a primeira quadrilha chateou-se com os exageros no Congresso e até já o suspendeu do partido. Nada que não lhe valorize o histórico,tão recheado de proezas durante os negros anos de AI5 e Ditadura Militar.

Maranhão tem potencial para ser um novo ídolo das massas. Um Marcola de estrela ao peito. Um Beira-Mar engajado. Ou ainda melhor, um cruzamento aperfeiçoado de Lampião com António Conselheiro.

E se tiver sorte, e o Brasil naufragar na Copa da Alemanha, quem sabe não substitui dentro de algumas semanas, Ronaldinho Gaúcho no panteão dos heróis populares, e com esse impulso, escala de vez a concorridíssima hierarquia do crime no Brasil?!

07 junho 2006

Os Nazis do Paraguai (Requentados)

Ao ver a reportagem que a RTP transmitiu ontem à noite sobre o crescimento do movimento neonazi em Portugal, lembrei-me de recuperar uma antiga nota sobre os congéneres paraguaios.

Muda a nacionalidade, muda a localização geográfica, mas não muda a essência da questão.

O que abaixo se diz sobre os «nacionalistas» do Paraguai aplica-se ipsis verbis aos amigalhaços lusitanos

Requentando:

Ao garimpar na net páginas paraguaias com referências à Guerra do Paraguai, denominada por essas bandas como a Guerra da Triplice Aliança, fui parar a uma daquelas inconfundíveis homepages neonazistas que independentemente da origem e do estilo , acabam invariavelmente com a negação ou apologia do holocausto.

Se já é repugnante deparar com esse tipo de pessoas num país dito desenvolvido , encontrar a defesa do racismo nazi numa homepage originária de uma das mais ignoradas e esquecidas nações do terceiro mundo, soa no mínimo a patético.

Fico a imaginar os trogloditas nazis paraguaios instalados nos seus buracos em Assunção, a destilar seu ódio aos judeus, aos pretos, aos amarelos e a todos os seus complexos interiores, achando que são superiores, quando na verdade são considerados na maior parte do mundo, independentemente da sua raça, como umas criaturas de segunda por serem uns «míseros terceiro-mundistas latino-americanos».

Os babacas, que pelos vistos idolatram Stroessner e também Solano Lopez ( daí os ter encontrado...), culpam pela desgraça em que se encontra o seu país , o complot judeu e seus aliados...No fundo repetem numa forma hard a ladainha que muitos idiotas defendem por esse mundo fora ( Portugal incluído) de uma maneira soft ( vide algumas alegres declarações de militantes ditos progressistas...).

Gostava mesmo de ver as reacções dessas criaturas , sempre prontas a zelar pela pureza da raça, ao serem barrados no aeroporto de Madrid, por suspeita de imigração ilegal ou simplesmente por apresentarem o passaporte de um obscuro país sulamericano.

Será que continuariam a defender a hegemonia branca e a pureza do sangue europeu quando descobrissem que por aqui na civilizada Europa independentemente de serem brancos, verdes ou ou azuis, serão sempre olhados como criaturas de segunda por serem oriundos de uma «república das bananas»?!

Como será que reagiriam ao saber que no ilustrado velho mundo ninguém sabe , nem quer saber, do passado paraguaio e do drama e morticínio a que foi sujeito, ou se sujeitou, no final do Séc. XIX ?

Gaspar de Francia, Carlos Lopez, Solano Lopez, Madame Lynch nada representam para a velha Europa que se está a borrifar para o passado da nação guarani e que já a catalogou no rol das nações semi-falhadas que só vai aparecendo nos média graças aos golpes de Estado, às catástrofes ou no melhor dos casos, ao Chilavert e ao Gamarra.

Era isso que os idiotas nazis paraguaios precisavam que alguém lhes dissesse.

Talvez então percebessem que além de canalhas, como o são todos os nazis, são também uns perfeitos imbecis!

06 junho 2006

Mundo dos Livros - Kashgar - China

Notas da Guerra Grande IX - A Retirada de Laguna

Não deixa de ser curioso que o mais conhecido e divulgado relato da Guerra do Paraguai tenha sido escrito originalmente em françês e tenha como pano de fundo um episódio menor com pouca ou nenhuma importância estratégica no desenrolar do conflito.

É bem verdade que seu autor, Alfredo D'Escragnolle Taunay, futuro Visconde de Taunay, alcançou ainda em vida grande projecção política, social e até literária, o que podendo ser em parte atribuido à sua origem aristocrática, não pode também deixar de ser creditado ao seu polifacetado talento.

Militar, professor, político, historiador, sociólogo, músico e escritor, não deixou também de estudar física, matemática e engenharia, compondo assim a típica figura do homem culto do Séc. XIX. Um erudito.

Se Inocência , obra essencial do romance regionalista no típico estilo do Romantismo, foi a sua maior contribuição para a ficção brasileira, foi no entanto como memorialista que Taunay deixou a sua grande marca.

A Retirada da Laguna, ocorrida entre 08 de Maio e 11 de Junho de 1867, durante a Guerra da Tríplice Aliança, teve início na fazenda Laguna, situada no Paraguai, e percorreu uma vasta área compreendida pelos actuais municípios de Bela Vista, Antônio João, Guia Lopes e Nioaque, no território do actual Estado do Mato Grosso do Sul.

Um contingente de cerca de 1700 homens após uma desastrada incursão em território paraguaio, viu-se cercado sem meios de subsistência e após um calvário em forma de fuga chega a território brasileiro dilacerado e com apenas 700 sobreviventes.

Seria apenas mais um dos muitos e esquecidos episódios da guerra, se entre os seus participantes não estivesse integrado como Engenheiro-Militar o jovem Taunay, que já depois de findo o conflito resolveu passar ao papel a odisséia vivida na zona fronteiriça.

Nasceu assim a obra «La Retraite de Lagune - Épisode de la guerre du Paraguay» impressa em 1871 e que viria a tornar-se um dos grandes clássicos da vasta literatura, ficcional ou não, que apresenta como pano de fundo o mais importante conflito bélico ocorrido no continente americano

(TAUNAY, Alfredo d'Escragnolle, A Retirada de Laguna, São Paulo: Companhia das Letras, 1997)

Notas da Guerra Grande VIII - Seminário em Campo Grande

05 junho 2006

O Regresso

Lembro-me perfeitamente das eleições presidenciais peruanas de 1989.

Contemporâneas do primeiro escrutínio presidencial brasileiro no pós-64, levaram-me a acompanhar com grande interesse a campanha do escritor Mário Vargas Llosa naquela que parecia ser uma caminhada vitoriosa à presidência e o fim do estilo miserável de fazer política na América Latina. O discurso fluido e racional de Vargas Llosa parecia fadado ao sucesso graças aos anos caóticos que o então candidato-presidente Alan Garcia proporcionara aos peruanos.

Num continente marcado pela incompetência administrativa, pelos discursos demagógicos e o surrealismo na política, Alan Garcia conseguia a façanha de se destacar pela sua catastrófica gestão que juntamente com os terroristas do Sendero Luminoso levara o Peru à beira do caos. Poucas vezes se viu um governo tão incompetente e inconsequente.

Enquanto no Brasil o país era adiado pelas escolhas infelizes de Fernando Collor e Lula da Silva em detrimento de uma esperança chamada Mário Covas, no Peru surgia à última hora uma aberração chamada Alberto Fujimori que sem esconder ao que vinha, conseguiu com um discurso miserável e populista reverter a situação e ganhar as eleições deixando para trás o racionalismo de Vargas Llosa.

Daí para a frente foi o que se viu...

Passados 17 anos o Peru é um país estraçalhado, sem o Sendero Luminoso é certo, mas minado pela corrupção, cheio de cicatrizes da ditadura de «el chino» e com um futuro muito pouco risonho.

Ontem foi a votos.

De um lado Ollanta Humala, um populista autoritário, lugar-tenente de Hugo Chavez , muito ao jeito da nova vaga de líderes «carismáticos» que empurram a América Latina para o atraso, subdesenvolvimento e a violência política. Do outro, Alan Garcia, renascido das trevas e que pousou aqui de candidato racional e garante da democracia. Para trás ficaram as soluções e qualquer sinal de esperança para o Peru.

Venceu Garcia. Dos males o menor.
Dizem.
Talvez seja verdade.

Mas mesmo satisfeito com a derrota de Hugo Chavez e seu cãozinho de estimação, não consigo esboçar um sorriso com o triunfo de Alan Garcia e seu regresso em glória à presidência do país que ajudou a destruir.

04 junho 2006

Palpites

A menos de uma semana do início da Copa do Mundo, não resisto a mandar também uns palpites sobre o seu desenrolar. Afinal quem não o faz nestes dias?

Embora o Brasil tenha a sua melhor Selecção desde 1982, duvido que a Alemanha deixe escapar o título em casa. Nestas coisas o peso da camisa importa, e os alemães não costumam brincar em serviço. Quanto têm obrigação de ganhar, normalmente ganham! Espero sinceramente estar redondamente enganado...

Itália e Argentina, as outras duas superpotências da bola, são como de costume favoritas, mas a meu ver com menos hipóteses que os germânicos e os canarinhos. São grandes equipas, jogam sempre para o título e se ganharem não surpreendem ninguém. Mas não apostaria tudo nisso.

A nível intermédio, além da França e Holanda, acredito que pode haver alguma surpresa com as selecções de Espanha, Inglaterra e República Checa. Se o Paraguai se esticar também poderá dar nas vistas.

Não conto com nenhuma grande emoção vinda de África, embora gostasse de ver o Togo e a Costa de Marfim repetirem os passados brilharetes dos Camarões, Senegal e Nigéria. Japão e Coréia do Sul sendo os melhores asiáticos, devem apenas cumprir calendário.

E Portugal?

Se chegar aos Quartos-de-Final já será uma façanha. O medíocre futebol português não dá para mais.

Mas como o treinador é Luís Filipe Scolari, homem capaz de tirar leite de pedra, quem sabe não visionaremos daqui a um mês um pequeno milagre, e a exemplo do Euro 2004 teremos uma grande surpresa no final?

01 junho 2006

Amiguinhos

No Blog do Tas:

Ontem, na sala vip presidencial no Palácio do Planalto, Lula recebeu o líder do PMDB Orestes Quércia.
Ofereceu a ele, nada mais nada menos, do que o lugar de vice em sua chapa de candidato a presidente em Outubro. Aloizio Mercadante, que também estava na reunião, justificando o sobrenome, também se propos a negociar o lugar de vice na chapa dele de candidato ao governo de São Paulo.

Imediatamente lembrei-me da campanha presidencial de 1994, quando Quércia chamou Lula de fascista. Gentileza que Lula retribuiu chamando o "cumpanheiro" de ladrão.

Que beleza ver homens públicos que se perdoam e transformam o antigo fel acumulado no peito no doce mel de amor pelo Brasil.

Agora só falta convocar o Maluf para o time ficar completo!

30 maio 2006

28 maio 2006

A Culpa é da Veja!

Uma linha de raciocínio tem percorrido nos últimos tempos os defensores do governo Lula e das maracutaias da quadrilha petista: As inúmeras denúncias não são válidas porque em grande medida foram vinculadas pelos órgãos de comunicação da «elite» e em especial pela Revista Veja!

Mesmo colocando de lado a intenção falhada dos membros do PT em cercear a liberdade de imprensa no malogrado projecto censório da ANCINAV do Ministro Gilberto Gil, é indesmentível que a existência de uma imprensa combativa e independente não agrada a direcção petista, pelos óbvios entraves que configura ao prosseguimento da rapina aos cofres do Estado.

Depois do revés que constituiu a derrocada do referido projecto, o governo de Lula recuou, e verdade seja dita, não foi por falta de liberdade de imprensa que o Mensalão ficou por punir.
A informação circulou, as denúncias foram feitas, as provas apresentadas, mas nada disso foi suficiente para que a quadrilha da estrela ao peito fosse presa e condenada.

Garantida que está no entanto, a reeleição de Lula e seus capangas, nota-se um agudizar dos ataques à imprensa em geral e à Veja em particular. Diariamente os dirigentes petistas, os blogs do partido e toda uma legião de fiéis seguidores, põe a circular a versão da teoria da conspiração para justificar aquilo que não conseguem explicar.

Não conseguem negar o Valerioduto, as denúncias contra (e de) Duda Mendonça, as escorregadelas de Silvinho Pereira, a estranha morte de Celso Daniel, o curioso patrocínio da Telemar ao filho de Lula e nenhuma das centenas de acusações devidamente comprovadas que pululam em torno do governo.

Mas já acharam um bode expiatório: A revista Veja!

O curioso é que nos seus quarenta anos de existência, a Veja nunca pautou por ter um jornalismo neutro e sempre defendeu abertamente as suas opções editoriais. Nunca tentou sequer escondê-las. Foi assim durante a vigência do período militar, durante a campanha das Diretas, no surgimento da Nova República, na queda de Fernando Collor e na ascensão do próprio PT.

Todos sempre souberam qual a linha editorial da revista e isso nunca impediu que a mesma fosse respeitada como um órgão de comunicação de referência, nas múltiplas investigações que fez a respeito da vida brasileira nestas quatro últimas décadas.

O PT aliás nunca se fez de rogado e sempre utilizou o amplo material fornecido pela revista para atacar seus desafetos enquanto esteve na oposição. Não consta que tivesse questionado as denúncias da Veja contra o governo Collor, contra os governos do PSDB ou mesmo contra Maluf, Quércia ou Garotinho. Com o seu moralismo serôdio sempre se colocou em bicos de pés para com a Veja em riste pregar as suas virtudes éticas e políticas.

Agora que em função da rapina generalizada que promoveu e promove, passou de acusador a acusado, vocifera cheio de ódio e desfaçatez, que estamos perante um caso de imprensa marrom. Não é difícil imaginar o que pretende fazer quando em Outubro for reconduzido ao poder devidamente legitimado.

O jornalismo independente no Brasil que se prepare...

25 maio 2006

Justiça Para Valdir Perez

Em vésperas de Copa do Mundo um post requentado:

Conta a história que em 1994 ao ser barrado numa visita à concentração da Selecção Brasileira, o antigo guarda-redes Barbosa, titular na Copa de 50 na célebre derrota com o Uruguai, terá lamentado:

«A pena máxima no Brasil é de 20 anos. Eu estou sendo punido há 44!»

É essa a sina da mais ingrata posição do futebol. Transitam de bestiais a bestas em poucos minutos...

Se procurarmos nas últimas décadas o exemplo de um goleiro injustiçado pelo mundo do futebol, o seu nome é sem dúvida Valdir Perez, titular tricolor durante vários anos e goleiro principal na mítica equipa canarinho de 1982.

E não o digo na condição de são-paulino.

Sou o primeiro a reconhecer que pelo Morumbi têm passado ao longo dos anos muitos e diversificados cabeças-de-bagre. Não nego porém, que continuam frescas na minha memória as muitas épocas exemplares de Valdir na defesa da baliza tricolor e principalmente suas magníficas exibições com a camisa do Brasil.

Valdir Perez era incontestavelmente o melhor guarda-redes brasileiro em 1982. Há vários anos destacava-se pela sua segurança, qualidade e incrível habilidade para defender penalties, quer actuando pelo São Paulo (auxiliado por Oscar e Dario Pereyra naquela que foi provavelmente a melhor zaga da história do futebol), quer jogando pela mágica selecção canarinho de Zico, Falcão e Sócrates. Apesar da enorme concorrência de goleiros de primeira como Leão, Carlos e Paulo César, Telê Santana agiu correctamente ao entregar a titularidade a Valdir. Era o melhor!

Acontece que o homem teve um momento infeliz. Diria até trágico! E ficou assim com uma condenação eterna.

Desde aquele fatídico frango contra a União Soviética na estréia da Copa da Espanha, nunca mais foi absolvido. Ninguém o quis perdoar.

Apesar do seu passado no São Paulo e na Selecção, apesar da estupenda exibição que salvou o Brasil nessa mesma Copa contra a Argentina de Maradona, apesar de não ter tido culpa nenhuma na derrota para a Itália de Paolo Rossi, Valdir Perez ficou irremediavelmente carimbado no imaginário do futebol, e em especial dos que nunca o viram jogar, como um tenebroso frangueiro.

Mesmo em Portugal quando se fala com nostalgia do fabuloso escrete de 82, uma das melhores equipes da história do futebol, é comum ouvir algum comentário sobre a fragilidade do guarda-redes brasileiro. Não se fala do erro de Toninho Cerezzo no jogo decisivo, nem do total apagamento do centroavante Serginho durante todo o certame. Apenas Valdir Perez é lembrado e sempre na galeria dos malditos.

É altura de o reabilitar. É altura de fazer justiça a um dos melhores guarda-redes brasileiros de sempre.

É altura de pedir desculpas a Valdir Perez...

24 maio 2006

23 maio 2006

Descarrilando

Quanto maior é a avalanche mediática à volta do livro de Manuel Maria Carrilho, maior é a sua queda e menor a sua expressão política. De degrau em degrau, o antigo Ministro da Cultura vai se afundando e o debate de ontem apenas clarificou o descontrole do antigo candidato à Câmara de Lisboa.

O problema de Carrilho é que ele está realmente convencido do que diz! Não se trata sequer de jogo político. Ela acha mesmo que foi vítima de uma conspiração e ninguém o demove disso. É um homem de convicções.

No seu egocentrismo, não considera possível, sequer imaginável, que a população de Lisboa pura e simplesmente tenha escolhido outro. Logo ele que é tão culto, brilhante, elegante, sofisticado e inteligente! O facto de ter perdido para um candidato medíocre como Carmona Rodrigues, apenas confirma que tudo se tratou de uma cabala e que os terríveis interesses se uniram à SIC, ao Público e outras dezenas de órgãos de comunicação para o perseguir.

E assim o Manuel Maria Carrilho descarrila.

Torna-se aos poucos um Santana Lopes com cátedra.
O seu grande problema é que mesmo na comparação com o menino guerreiro fica a perder.
Este último ao menos tem piada!

18 maio 2006

Cine Arouche

Tinha uma tela pequena, poucos lugares, uma programação alternativa e um ambiente intimista.
Deu-me a conhecer Woody Allen e Stanley Kubrick, mas fez-me também saber que existia cinema fora dos Estados Unidos.
Foi ali que fui apresentado a figuras históricas como Aldo Moro e Henrique V e fiquei a saber mais sobre a Guerra do Vietname.

E tudo isto a 50 metros de casa!

Hoje o Cine Arouche está mudado. É vizinho da Academia Corpus...

17 maio 2006

O Charme do Arouche

Sol entrando pela copa das árvores, gente apressada carregando sacolas, literatos e leitores, moradores da região com seus cães, pedintes, executivos, atletas, compradores de flores, casais muito ou nada tradicionais. Misturam-se esses e muitos outros tipos no Largo do Arouche, na região central de São Paulo, em diferentes horas do dia.

A Foto é de Leonardo Rodrigues e o texto de Lúcia Helena de Carvalho.
No Diário do Comércio.

16 maio 2006

Irmãos de Sangue

A ganadaria do Campo Pequeno reabre ao público neste verão depois de um investimento de cerca de 10 milhões de Euros. Para felicidade do sadismo marialva, as madames da linha e os psicopatas enrustidos, poderão dar vazão aos seus instintos no mais duradouro e tradicional centro de tortura de Portugal.

É de esperar uma presença assídua, desses grandes humanistas lusitanos que são o antigo Primeiro-Ministro Santana Lopes e o seu algoz Jorge Sampaio. Pelo menos nestas coisas do sangue taurino não têm diferenças que os separem. Amam as tradições portuguesas e em especial aquela que acha muito másculo e charmoso, massacrar um animal em praça pública!

Patriotas como se vê!

15 maio 2006

Paralelos

No dia em que se comemora o centenário do nascimento de Humberto Delgado, e muito se tem falado das eleições fraudulentas de 1958, seria interessante traçar um paralelo com o que actualmente se passa na Venezuela de Hugo Chavez.

O regime «Bolivariano» como o «Estado Novo» de Salazar, nunca deixou de realizar eleições procurando nas urnas uma legitimidade que sabe não ter. O carimbo eleitoral é fundamental para manter as aparências e mesmo aqueles que desprezam a Democracia, gostam de o ostentar.

Salazar sempre o fez até que teve um amargo de boca com Delgado e mesmo com uma fraude maçiça viu-se em apuros perante a adesão popular do General Sem Medo. Depois disto resolveu de vez o «problema» suprimindo as eleições presidenciais, prevenindo-se assim de novos sustos.

Chavez proclama diariamente as suas inúmeras vitórias eleitorais e sabendo que a máquina bolivariana e o clima de intimidação o colocam a salvo de qualquer derrota, anuncia a intenção de convocar um plebiscito que o autorize a mais 20 anos de poder.

Cedo ou tarde terá o seu Humberto Delgado.

Até lá poderá destruir alegremente a Venezuela.

Guerrilha Urbana

A guerrilha urbana que há anos flagela o Rio de Janeiro chegou finalmente a São Paulo.

Num momento em que Brasília já foi dominada por uma gang, outra menos sofisticada mas mais mortífera põe a nu o despreparo do Brasil no combate ao crime organizado.

O Capão Redondo invadiu os Jardins.

13 maio 2006

Xadrez Místico

Primeiro foi Garry kasparov a declarar-se fã do mago.

Agora é o Super Torneio Masters de Sofia a abrir com o lance inicial de Paulo Coelho.

O que virá a seguir? Um DVD da ChessBase com as melhores partidas da Walquíria?

11 maio 2006

Direitos Humanos

O novo Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas já está eleito.

Dele fazem parte esses exemplos de respeito pela dignidade humana que são a Arábia Saudita, o Paquistão, Cuba e a China!

Por essas e por outras é que quando ouço falar na ONU e no respeito pela «legalidade internacional» só me dá vontade de rir.

Ou de chorar...

10 maio 2006

Vitória de Spragget em Coimbra

O Grande Mestre Kevin Spragget venceu o Open Queima das Fitas.

A classificação completa deste que foi uma das mais disputadas edições de sempre pode ser encontrada no site da Mais Xadrez.

06 maio 2006

A Marca da Fiel

Só os muito ingénuos podem ter ficado surpreendidos pelo comportamento da torcida do Corinthians na última Quinta-Feira.

É a essência da Fiel.

Sobre a proibição das claques pela Federação Paulista de Futebol, faço minhas as palavras de Francisco José Viegas:

«Não me parece mal de todo. Mas era mais fácil proibir o Corinthians, e mais saudável. »

03 maio 2006

Torneio de Xadrez da Queima das Fitas

Divulgando:

O “Open Queima das Fitas” é um torneio de carácter internacional, com mais de 20 edições registadas que, todos os anos, movimenta habitualmente cerca de 120/ 140 jogadores nacionais, 10 / 15 jogadores Internacionais e 25 equipas provenientes de todo o país.

Nome: Open da Queima
Data : Sábado, 7 de Maio de 2006
Local: Sala de estudo da AAC, Coimbra
Hora : 10h – 19h

Prémios:

1º Classificado - 450€
2º Classificado - 300 €
3º Classificado - 200 €
4º Classificado - 120 €
5º Classificado - 100 €
6º - 70 €
7º - 50 €
8º - 40 €
9º - 30 €
10º a 25º Class. - 20 €

1º Feminino - Troféu
1º Class. Coimbra - Troféu

Os prémios serão entregues conforme classificação efectiva após desempate e não são acumuláveis.

Troféus para as primeiras três equipas, para os cinco primeiros classificados, 1º Universitário, 1º sub-10, 1º sub-12, 1º sub-14, 1º sub-16, 1º sub-18, 1º sub-20 e medalhas até ao 40º lugar

Este torneio terá lugar na Sala de Estudo do edifício da Associação Académica de Coimbra com início às 11 horas.

1ª Sessão 11h00
2ª Sessão 11h50
Intervalo para almoço12h30
3ª Sessão 14h00
4ª Sessão 14h50
5ª Sessão 15h40
6ª Sessão 16h30
7ª Sessão 17h20
8ª Sessão 17h30

Entrega de prémios 19h10

Regulamento:

• O torneio será realizado de acordo com o Sistema Suíço de 8 sessões, de 20 min/Jogador.
• Serão observadas as regras da F.P.X. de semi-rápidas.
• A Arbitragem estará a cargo da Secção de Xadrez da AAC, sendo os casos omissos resolvidos pela Direcção de prova.
• Inscrição Simples: 7,5 €
• Estudante Universitário (cartão estudante) e Sub18 (B.I) - 5€
• Sub14 (B.I) - 2

• Contactos para inscrições:

Secção de Xadrez AAC 239 410 402
Luís Rodrigues 91 4402855
Dominic Cross 96 5849714
Gil Lopes 93 8707220
E-mail:
xadrez@aac.uc.pt
luís_rodriguezzz@hotmail.com
gil_lopes@netmadeira.com

• Morada:
Secção de Xadrez da Associação Académica de Coimbra
Rua Padrez António Vieira, nº1, 3040-315 Coimbra

É obrigatório a apresentação de um relógio em perfeitas condições de funcionamento por cada dois jogadores do mesmo clube. Caso tal não aconteça, não se garante a participação dos atletas!

02 maio 2006

A Bofetada de Evo Morales

Durante todo o seu mandato, com o intuito de agradar as alas mais radicais do PT e na busca incessante de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, Lula e seu governo insinuaram o seu apoio aos folclóricos Hugo Chavez e Evo Morales.

Pretendendo liderar o bloco das nações em desenvolvimento, o Brasil de Lula optou por uma dicotomia interessante na política externa: Não afrontar directamente os EUA e o Presidente Bush, mas não perder nunca o seu pendão terceiro-mundista, chegando a flertar com ditadores do calibre de Omar Bongo do Gabão ou o eterno Fidel Castro de Cuba.

O resultado está à vista. Como quem brinca com o fogo normalmente sai queimado, o Brasil vê-se agora em apuros com a nacionalização das reservas de gás natural por parte da Bolívia, que atinge em cheio a Petrobrás, a mais importante empresa brasileira.

Os líderes petistas «descobrem» agora com assombro, que para parcela significativa da América Latina, o gigante verde-amarelo constitui com sua enorme economia, uma potência regional predadora, e que não são apenas os interesses das multinacionais americanas e francesas que estão em jogo. Os bolivianos espetam assim uma «bofetada» nacionalista na irresponsável verborréia solidária do governo brasileiro e demonstram, depois do fiasco no Haiti, que isto do «imperialismo» pode tocar a todos...

01 maio 2006

Jean-Francois Revel (1924-2006)

Morreu Jean-Francois Revel.

Membro da Academia Francesa, antigo membro da Resistência, ateu e com umas vasta produção ensaística e filosófica, Revel tornou-se nos últimos anos um dos grandes alvos a abater por alguma intelectualidade dita progressista.

O seu delito foi o de não alinhar na carneirada e se recusar a ver nos EUA a incarnação do mal. Os mesmos que sempre idolatraram Sartre, minimizando o seu flerte com o maoísmo nos anos sangrentos da Revolução Cultural Chinesa, e atacaram Raymond Aron quando este se posicionou contra o totalitarismo soviético, descobriram nos escritos de Revel uma blasfémia às suas inabaláveis certezas.

Em Portugal foi para mim relevante a passagem do escritor pelo extinto programa Acontece, nas vésperas da invasão do Iraque.

O apresentador Carlos Pinto Coelho, sempre pronto a dobrar a espinha a qualquer bicho-careta que ali se apresentasse, resolveu armar-se desta feita em justiceiro de classe e fez uma das mais agressivas e mal-educadas entrevistas que já se viram na nossa televisão. Revel, com a superioridade de quem está habituado a fazer parte das minorias odiadas pelo consenso vigente, a tudo respondeu serenamente e seguiu em frente.

Deixa uma importante bibliografia em áreas dispersas como o Jornalismo, a Literatura e a Política, constituindo um exemplo de independência e pensamento livre.





(Revel, Jean-Francois, Obsessão Antiamericana, Lisboa, Bertrand, 2002.)








(
Revel, Jean-Francois, A Grande Parada, Lisboa, Ed. Notícias, 2001)

26 abril 2006

Sina

Em 1989 perante o descalabro da administração de Alan Garcia, o Peru abraçou o populismo salvífico de Alberto Fujimori e mergulhou no caos.

Passados 17 anos e após uma longa travessia no deserto, prepara-se agora para eleger Ollanta Humala, primo direito do nacionalismo golpista e autoritário de Hugo Chavez e Evo Morales.

Será essa a triste sina da fustigada e desiludida América Latina ?

24 abril 2006

O Actual 25 de Abril

Nos últimos tempos as comemorações do 25 de Abril têm sido marcadas por polémicas que são tão fúteis como ridículas.

Há dois anos foi a patética questão levantada por algumas almas bem pensantes sobre a utilização ou não do «R» de revolução nos cartazes alusivos ao acontecimento.

Desta feita é a desmesurada preocupação de algumas figuras cá do burgo, a respeito da necessidade da utilização de um cravo na lapela, por Cavaco Silva, nas cerimónias protocolares da Assembléia da República.

Trinta e dois anos depois do fim da ditadura foi nisto que se transformou o 25 de Abril.

Sampa - Aclimação

Foto do RRC

21 abril 2006

Telê Santana (1931-2006)

Quando o árbitro apitou o fim do jogo, naquele fatídico dia 5 de Julho de 1982 no Estádio Sarriá em Barcelona, estava criada uma nova lenda no mundo do futebol.

A fabulosa equipa do Brasil, unanimemente apontada como a vencedora antecipada do Mundial da Espanha, caía aos pés do italiano Paolo Rossi, autor dos três golos que levariam a selecção transalpina a prosseguir rumo a um título de todo inesperado.

Ficava para trás o incrível escrete de Oscar, Júnior, Éder e daquele que foi talvez o melhor meio-campo da história: Cerezzo, Falcão, Zico e Sócrates.

Passados quase 25 anos, poucos se lembram da equipa italiana, dos seus jogadores ou das suas escassas virtudes. Mas não há um único amante do futebol que não recorde com nostalgia aquela incrível equipa canarinho e que não a reconheça como uma das melhores formações de sempre. Junto com a Hungria de 1954 e a Holanda de 1974, o Brasil de 1982 tornou-se imortal.

Morreu hoje Telê Santana, o criador daquela verdadeira máquina de jogar futebol.

Adorado pela exigente torcida brasileira, sua popularidade não resistiu porém ao desaire de 1986 no México e taxado de pé-frio afastou-se dos comandos da Selecção. Após uma curta travessia no deserto deu a volta por cima e comandou a imbatível equipe do São Paulo que com nomes como Raí e Müller dominou o panorama mundial no início dos anos 90.

Provou assim ser possível aliar os resultados com a magia da bola, e consagrou-se como o maior de todos os treinadores. Passou a Mestre!

Com ele, desaparece também um dos raros resquícios de romantismo no futebol brasileiro.

O mundo da bola está mais pobre.

20 abril 2006

Esqueceram o Hermafrodita!

Hoje ao responder um banal questionário, fui pela primeira vez confrontado com uma pergunta a respeito do meu género!

Qual é o seu género?
a) Masculino
b) Feminino

Assim mesmo!

Confesso que tenho uma birra pela expressão género, mais uma das criações do politicamente correcto, que após ter conseguido impôr com êxito o termo «Afro-Americano» (nos EUA) e falhado por pouco a adopção da expressão «pessoa verticalmente prejudicada» (no Brasil) resolveu agora atacar a singela e tradicional nomenclatura do sexo.

No entanto no caso presente aquilo que mais me irritou foi a incoerência!
Então aos tipos que criaram o questionário não lhes passou pela cabeça que eu poderia pertencer a um género mais heterodoxo?

Por que apenas masculino ou feminino?
E se eu fosse gay? Ou uma lésbica? Ou quem sabe um transgender? E porque diabos não cogitaram a hipótese do questionário ser respondido por um hermafrodita?
Tanto cuidado no palavreado e esquecem-se da maioria dos géneros?

Agora que já andam para aí uns tais de «especialistas em igualdade do género» só me apetece denunciar este tenebroso exemplo de discriminação!