
«A característica que um jogador de Xadrez mais necessita, talvez seja, a existência de um perverso sentido de humor»

Nem tanto pela forma acolhedora com que foram recebidos na Argentina muitos foragidos pertencentes ao antigo regime nazi, mas por que foi em Buenos Aires que o Hezbollah fez a sua «estréia» internacional no dia 18 de Julho de 1994, com o atentado contra a AMIA (Associación Mutual Israelita Argentina), cujo saldo foi de 85 mortos, centenas de feridos e um grande encobrimento por parte das autoridades peronistas.
O título original «The Historian», foi traduzido em Portugal e no Brasil como «O Historiador», e na Espanha como «A Historiadora». O enredo tanto dá para um como para outro.(Post Requentado)
Correndo o risco de passar por doido, caso algum brasileiro leia este post, quero confessar aqui publicamente que morro de saudades das campanhas eleitorais tupiniquins!
E em particular do Horário Eleitoral Gratuito conhecido em Portugal pelo apelido de Tempo de Antena.
Nos meus tempos de menino no Brasil delirava com a novidade que me permitia assistir durante dois longos meses, num simultâneo de rádio e televisão, com todos e canais e estações transmitindo sem excepção, um imenso mosaico humano que através das mais estapafúrdias propostas, dos mais abjectos insultos, da manipulação mais infame, procurava vender seu candidato aos incautos eleitores.
E no entanto confesso envergonhado a minha nostalgia!
Como esquecer a bizarra figura de Rivailde Ovídio que em 1985 abrilhantou a campanha para a Prefeitura de São Paulo que marcou o regresso triunfal de Jânio Quadros frente ao futuro Presidente Fernando Henrique Cardoso ?
«Onde está você Franco Montoro?» gritava Rivaílde procurando assim «denunciar» a impotência do então Governador paulista perante a escalada da violência urbana.
Como não recordar a baixaria generalizada da Campanha de 1986 que colocou na mesma corrida para o Governo do Estado de São Paulo, o mega-empresário António Ermírio de Morais e dois dos maiores facínoras já produzidos pela política brasileira: Os famigerados Orestes Quércia e Paulo Maluf .
E o que dizer da incrível vitória de Luiza Erundina que se tornou em 1988 a primeira mulher a comandar a maior cidade do Brasil e da memorável campanha presidencial de 1989 que devolveu à sociedade civil o direito de escolher de forma democrática o seu Presidente. É verdade que essa mesma sociedade preteriu um político da craveira de Mário Covas, enviando para a segunda volta o radicalismo do PT ( Perto do qual o actual petismo - apesar de corrupto - parece reacionário...) e a aberração Fernando Collor de Mello.
Animado com as sondagens ganhadoras, com o caos urbano em São Paulo e com os milagres do botox, Lula da Silva finalmente acedeu. Depois de fugir aos debates, foi à televisão para a entrevista de campanha.
Com dois golos contra o Cruzeiro, Rogério Ceni, o Guarda-redes do São Paulo, tornou-se neste Domingo o melhor marcador na posição em toda a História do futebol.
Até onde vai o amor pelos livros ?
Homem reservado, com pouco ou nenhum carisma, muita habilidade política - era jogador de Xadrez! - e impiedoso com os opositores, governou como quis durantes longos 35 anos (1954-1989), construindo um dos mais corruptos e ineficazes regimes autoritários, dos muitos que a América do Sul padeceu na segunda metade do Século XX.Adoro notas de rodapé !
Aliás não concebo um ensaio, uma tese ou uma obra de investigação que não indique as fontes e as origens da informação apresentada. Sem isso, um texto por mais interessante que seja, perde toda a consistência.
Correndo o risco de ser rotulado de «neopositivista», a primeira coisa que faço ao folhear um livro de História (ou de qualquer outra das Ciências Sociais e Humanas), é observar a sua bibliografia e a existência ou não de notas de rodapé. Se estas estiverem ausentes, é meio caminho para o livro voltar para a estante ou pilha onde o encontrei!
E mais...
Para mim as notas devem estar no fim da página e nunca no fim do livro!
As notas no final da obra, apenas perturbam a leitura e saturam pela constante consulta no fim do volume.
Obviamente existem excepções.
Posso citar como exemplos os excepcionais títulos Introdução à História do Nosso Tempo de René Remond (Lisboa: Gradiva, 1994) e Da Alvorada à Decadência de Jacques Barzum (Lisboa: Gradiva, 2003).
Em ambos os casos, falamos de monumentais obras de síntese, de historiadores de primeira linha, que explicam na introdução o porque da total ausência de notas (Remond) e da sua localização no final (Barzum). Pela imensa qualidade dos autores e dos textos pode-se dizer que mesmo no primeiro caso o rigor não ficou comprometido.
Magnoli: O capítulo sobre a Guerra do Paraguai, do historiador Francisco Doratioto, está dedicado justamente a dissolver o mito de que esse conflito resultou essencialmente dos interesses britânicos na América do Sul. Sem dúvida, a Grã-Bretanha apoiou a Tríplice Aliança, mas a guerra decorreu do choque entre os interesses nacionais dos seus participantes. Ela é um evento secundário na política mundial do século XIX, mas um evento decisivo na configuração dos Estados nacionais brasileiro e argentino. A Guerra do Paraguai consolidou a unidade do Brasil e a unidade da Argentina. Ela fechou as portas à constituição de um grande Estado platino em torno do Paraguai e dos seus aliados uruguaios. Toda a geografia política da região platina foi desenhada nesse conflito.
(...)