07 setembro 2006
01 setembro 2006
Perdão
Vai concorrer ao Senado e já declarou seu voto nas presidenciais: Lulla da Silva!
É como diz o velho ditado:
Ladrão que apóia ladrão tem mil anos de perdão!
31 agosto 2006
30 agosto 2006
Escumalha
É certo que continua a viver na merda, com pouco ou nenhum acesso ao Trabalho, à Saúde e Educação. Mas o que importa isso quando a razão principal da sua miserável existência está mais do que assegurada ?
29 agosto 2006
Tony Miles

«A característica que um jogador de Xadrez mais necessita, talvez seja, a existência de um perverso sentido de humor»
28 agosto 2006
Atentado na AMIA
Nem tanto pela forma acolhedora com que foram recebidos na Argentina muitos foragidos pertencentes ao antigo regime nazi, mas por que foi em Buenos Aires que o Hezbollah fez a sua «estréia» internacional no dia 18 de Julho de 1994, com o atentado contra a AMIA (Associación Mutual Israelita Argentina), cujo saldo foi de 85 mortos, centenas de feridos e um grande encobrimento por parte das autoridades peronistas.Veja-se a esse respeito o interessante filme 18-J, que reuniu em 10 pequenos curta-metragens alguns dos principais realizadores argentinos - como Adrián Caetano, Lucía Cedrón e Carlos Sorín - com sua visão pessoal do morticínio portenho.
27 agosto 2006
Drácula
O título original «The Historian», foi traduzido em Portugal e no Brasil como «O Historiador», e na Espanha como «A Historiadora». O enredo tanto dá para um como para outro.Embora a escrita não prima pela excelência e a história seja mais do que rocambolesca, o certo é que a primeira obra da americana Elizabeth Kostova tornou-se um best-seller mundial e foi considerado pelo Book Sense, o livro do ano em 2005 na categoria Ficção Adulta.
O eixo da narrativa prende-se com a procura do túmulo de Vlad o Empalador, a figura histórica por trás do mítico Conde Drácula, popularizado pelo livro de Brian Stocker.
Durante 600 longas páginas, historiadores, amadores e profissionais, percorrem ao longo de décadas, vários países e regiões na busca de pistas que os conduzam ao antigo soberano da Valáquia. Sempre com abundantes referências a livros, bibliotecas, arquivos e tradições. E muita história medieval pelo meio.
O curioso é que em Maio último, o governo da Romênia, na esteira das reparações aos espoliados pelo antigo regime comunista, resolveu devolver à familia Von Habsburg, o Castelo de Bran, que parece ter sido a base do terrível Vlad Tepes.
Trasformado em lucrativo ponto turístico, há muito tem sido disputado e acarinhado como a residência do dentuço. Um pouco à moda do Loch Ness escocês.
O que daqui se tira é que a moda dos vampiros veio mesmo para ficar. Seja na literatura light, seja nas atracções turísticas, seja no Congresso brasileiro, chupar sangue é um verdadeiro must.
(KOSTOVA, Elizabeth, O Historiador, Lisboa: Gótica, 2005)
26 agosto 2006
Saudades de Rivaílde
(Post Requentado)
Correndo o risco de passar por doido, caso algum brasileiro leia este post, quero confessar aqui publicamente que morro de saudades das campanhas eleitorais tupiniquins!
E em particular do Horário Eleitoral Gratuito conhecido em Portugal pelo apelido de Tempo de Antena.
Nos meus tempos de menino no Brasil delirava com a novidade que me permitia assistir durante dois longos meses, num simultâneo de rádio e televisão, com todos e canais e estações transmitindo sem excepção, um imenso mosaico humano que através das mais estapafúrdias propostas, dos mais abjectos insultos, da manipulação mais infame, procurava vender seu candidato aos incautos eleitores.
E no entanto confesso envergonhado a minha nostalgia!
Como esquecer a bizarra figura de Rivailde Ovídio que em 1985 abrilhantou a campanha para a Prefeitura de São Paulo que marcou o regresso triunfal de Jânio Quadros frente ao futuro Presidente Fernando Henrique Cardoso ?
«Onde está você Franco Montoro?» gritava Rivaílde procurando assim «denunciar» a impotência do então Governador paulista perante a escalada da violência urbana.
Como não recordar a baixaria generalizada da Campanha de 1986 que colocou na mesma corrida para o Governo do Estado de São Paulo, o mega-empresário António Ermírio de Morais e dois dos maiores facínoras já produzidos pela política brasileira: Os famigerados Orestes Quércia e Paulo Maluf .
E o que dizer da incrível vitória de Luiza Erundina que se tornou em 1988 a primeira mulher a comandar a maior cidade do Brasil e da memorável campanha presidencial de 1989 que devolveu à sociedade civil o direito de escolher de forma democrática o seu Presidente. É verdade que essa mesma sociedade preteriu um político da craveira de Mário Covas, enviando para a segunda volta o radicalismo do PT ( Perto do qual o actual petismo - apesar de corrupto - parece reacionário...) e a aberração Fernando Collor de Mello.
Acompanhando agora à distância uma nova campanha, marcada por mensalões e sanguessugas, não deixo de pensar naqueles anos, em que apesar de tudo, a redemocratização parecia tornar o Brasil um país viável.
Um país que acabou nas mãos de Marcola, Lula e Zé Dirceu...
25 agosto 2006
Projectos
Animado com as sondagens ganhadoras, com o caos urbano em São Paulo e com os milagres do botox, Lula da Silva finalmente acedeu. Depois de fugir aos debates, foi à televisão para a entrevista de campanha.Pouco acostumado a perguntas incisivas, habituado que está a bajuladores juramentados, enervou-se e deixou que a boca fugisse para a verdade: Afirmou que o seu governo «combate a ética» e que na sua gestão «só o salário caiu».
Poderiam ser apenas gafes. Mas cruzadas com os factos são muito mais do que isso.
São um projecto de vida!
Uma semana depois as pesquisas dão-lhe um crescimento de sete pontos.
Viva o Povo Brasileiro!
23 agosto 2006
Sintonia
Amparado em adversários inexistentes, subsidiado pelo regabofe do dinheiro público e sustentado por uma inigualável máquina de campanha, o grande Lula já garantiu a reeleição.
Desenganem-se porém, aqueles ingenuamente atribuem o brilharete somente às muitas artimanhas dos «companheiros» e à ignorância das massas.
O homem veio do povo. E sabe o que o seu povo quer.
E esse povo é o mesmo que já amou Getúlio Vargas e Ademar de Barros, que já elegeu Jânio Quadros e Fernando Collor, e que repetidas vezes consagrou Paulo Maluf e Antônio Carlos Magalhães. No fundo, um povo que admira a esperteza de Luís Ignácio e até inveja o enriquecimento súbito de seus rebentos.
Um povo com alma de Zé Dirceu.
Um povo em sintonia com seu líder.
Brilhante...
21 agosto 2006
Ninharias
Coisa pouca em se tratando de PT.
Nada que duas ou três cuecas recheadas não resolvam numa tarde.
20 agosto 2006
Rogério Ceni - O Magnífico
Com dois golos contra o Cruzeiro, Rogério Ceni, o Guarda-redes do São Paulo, tornou-se neste Domingo o melhor marcador na posição em toda a História do futebol.Com 64 golos marcados, superou o mítico paraguaio Chilavert, e ainda defendeu um pénalti fazendo a torcida sãopaulina esquecer a falha na final da Libertadores.
Tem lugar cativo na galeria de honra do Morumbi, onde já constam nomes como Dario Pereyra, Raí e Telê Santana.
É por essas e por outras que é muito bom ser Tricolor!
19 agosto 2006
José Raul Capablanca

«O Xadrez é mais do que um jogo. É uma diversão intelectual que tem algo de arte e muito de ciência.»
18 agosto 2006
A Casa de Papel
Até onde vai o amor pelos livros ?E em que ponto é que a paixão passa a ser uma obsessão ?
Um romance delicioso do argentino Carlos Maria Domínguez, radicado em Montevidéu desde 1989.
(DOMÍNGUEZ, Carlos María, A Casa de Papel, Porto: Asa, 2006)
16 agosto 2006
O Fim de Stroessner
Se no Século XIX a sua existência ficou marcada pelos regimes autoritários de José Gaspar Rodriguez de Francia, Carlos Lopez e Francisco Solano Lopez, o século XX destacou-se pela vitória perante a Bolívia na disputa pela região do Chaco e pelas três décadas de autoritarismo de Alfredo Stroessner.
Homem reservado, com pouco ou nenhum carisma, muita habilidade política - era jogador de Xadrez! - e impiedoso com os opositores, governou como quis durantes longos 35 anos (1954-1989), construindo um dos mais corruptos e ineficazes regimes autoritários, dos muitos que a América do Sul padeceu na segunda metade do Século XX.Quando foi derrubado em 1989 , o inesquecível ano que trouxe a Democracia a dezenas de países por esse mundo fora, era o mais antigo Chefe de Estado no Ocidente e um embaraço para os EUA que o haviam suportado, pelo seu anti-comunismo, no período mais tenso da Guerra Fria. Posteriormente soube-se da sua activa participação na Operação Condor, espécie de associação criminosa dos regimes militares latino-americanos, visando a perseguição conjunta dos muitos opositores das diversas ditaduras da região.
Mas Stroessner era também um populista. E perspicaz como era, rapidamente percebeu que se queria galvanizar as massas necessitava de um tema que as unisse. Encontrou-o na figura de Solano Lopez, o homem que comandou a aventura militar que de 1864 a 1870 colocou o pequeno Paraguai em guerra com o Brasil, a Argentina e simbolicamente, o Uruguai.
Ainda que Lopez tenha edificado um regime de cariz totalitário, ainda que tenha deixado seu país completamente destruído, ainda que tenha confundido o património do Estado com o de sua família, nunca se rendeu e acabou morto em combate perante um exército várias vezes superior. Características que aliadas ao seu messianismo nacionalista, fizeram dele a figura ideal para enaltecer a imagem do militar paraguaio e assim legitimar a presença quase eterna de Stroessner no poder.
Por todo o país foram edificadas estátuas, baptizadas ruas, e até vilas e cidades em homenagem ao grande Mariscal Lopez. A História da guerra foi reescrita, adoptada nas escolas e academias e os que ousaram contestá-la arriscavam-se na melhor das hipóteses, a ver o seu patriotismo posto em causa.
Não deixa de ser paradoxal que Stroessner, um ditador de Direita, tenha ajudado a consolidar a versão do conflito que culpabiliza ao imperialismo britânico, e que no Brasil teve grande eco na Esquerda através de obra panfletária do jornalista Júlio José Chiavenato: Genocídio Americano: A Guerra do Paraguai (São Paulo: Brasiliense, 1987).
Foi no Brasil que Alfredo Stroessner passou os seus últimos 17 anos de vida. Um exílio dourado no país que tantas vezes acusou de responsável histórico pela destruição do seu Paraguai. Morreu hoje de velhice aos 93 anos. Como tantos outros ditadores nunca foi condenado pelos seus crimes, nunca esboçou grandes arrependimentos e contou até ao fim com seguidores que se mantiveram fiéis.
Nada de muito original.
15 agosto 2006
Notas de Rodapé
Adoro notas de rodapé !
Aliás não concebo um ensaio, uma tese ou uma obra de investigação que não indique as fontes e as origens da informação apresentada. Sem isso, um texto por mais interessante que seja, perde toda a consistência.
Correndo o risco de ser rotulado de «neopositivista», a primeira coisa que faço ao folhear um livro de História (ou de qualquer outra das Ciências Sociais e Humanas), é observar a sua bibliografia e a existência ou não de notas de rodapé. Se estas estiverem ausentes, é meio caminho para o livro voltar para a estante ou pilha onde o encontrei!
E mais...
Para mim as notas devem estar no fim da página e nunca no fim do livro!
As notas no final da obra, apenas perturbam a leitura e saturam pela constante consulta no fim do volume.
Obviamente existem excepções.
Posso citar como exemplos os excepcionais títulos Introdução à História do Nosso Tempo de René Remond (Lisboa: Gradiva, 1994) e Da Alvorada à Decadência de Jacques Barzum (Lisboa: Gradiva, 2003).
Em ambos os casos, falamos de monumentais obras de síntese, de historiadores de primeira linha, que explicam na introdução o porque da total ausência de notas (Remond) e da sua localização no final (Barzum). Pela imensa qualidade dos autores e dos textos pode-se dizer que mesmo no primeiro caso o rigor não ficou comprometido.
(Post Requentado)

